Copa 2014

Felipão não é mais técnico da Seleção Brasileira

FELIPAO-CONVOCACAO

Depois do fiasco diante dos holandeses no Mané Garrincha, na noite de sábado, Felipão, como prometeu, entregou o cargo de técnico da Seleção. A CBF oficializará a saída do treinador e de toda a comissão técnica nesta segunda-feira.

O anúncio ocorre após dois vexames consecutivos da Seleção na Copa. Na semifinal, levou 7 a 1 da Alemanha, no Mineirão. E na disputa de terceiro lugar, contra a Holanda, também foi goleada por 3 a 0.

Felipão voltou ao comando da Seleção em 2012, substituindo Mano Menezes. No ano seguinte, foi o técnico do tetra na Copa das Confederações, quando derrotou a Espanha por 3 a 0 no Maracanã. Em seu retrospecto desde que retornou ao cargo, Felipão acumulou 29 jogos, 19 vitórias, seis empates e quatro derrotas.

Se sair logo, a CBF pode recorrer a Alexandre Gallo, observador da Seleção e técnico da equipe sub-20. Gallo teria ainda a desculpa do projeto da Olimpíada de 2016, no Rio, competição em que o Brasil jamais venceu e jamais levantou o ouro.

Campanha do tetra da Alemanha teve goleadas e disputas na prorrogação

ArgxAlem

A Copa do Mundo está em boas mãos. A campanha da Alemanha no Mundial do Brasil prova que o time merecia o tetracampeonato. Em sete jogos disputados, o time teve seis vitórias e um empate. O time marcou 18 gols e sofreu quatro. O artilheiro do time foi o atacante Muller com cinco gols.

Na estreia, a Alemanha passou fácil pelo duelo contra o time de Cristiano Ronaldo, com uma vitória de 4 a 0. O destaque foi o atacante Thomas Müller que marcou três gols. O resultado marcou a maior derrota da seleção portuguesa na história das Copas.

Na segunda partida, a Alemanha enfrentou Gana e teve um dos jogos mais duros na Copa do Mundo. Após estar perdendo por 2 a 1, o time empatou no final com um gol de Miroslav Klose. Na partida, ao centroavante igualou Ronaldo como maior artilheiro das Copas.

A classificação para a segunda fase do Mundial veio com uma vitória por 1 a 0 contra os EUA. O gol foi marcado pelo atacante Thomas Müller no segundo tempo. O resultado afastou as suspeitas de um “acordo de cavalheiros” entre as seleções, já que o empate classificaria as duas diretamente.

Talvez, o jogo mais difícil para a Alemanha no Mundial tenha sido contra a Argélia. Após empatar por 0 a 0 contra o time africano no tempo normal, a Alemanha venceu por 2 a 1 na prorrogação. Depois de fazer 2 a 0, o time tomou um gol no final.

Nas quartas de final, a Alemanha ganhou por 1 a 0 da França em um jogo fraco tecnicamente. O gol da vitória foi marcado por Hummels no início do jogo.

Nas semifinais, a Alemanha massacrou o Brasil por 7 a 1 em seu melhor jogo na Copa do Mundo. O jogo marcou o fim do sonho do hexa dos anfitriões. No jogo, Klose ultrapassou Ronaldo e se tornou o maior artilheiro na história das Copas.

Na final, a Alemanha teve um jogo duro contra a Argentina. A vitória veio apenas aos 7 minutos do segundo tempo da prorrogação. Em um lindo cruzamento de Schurrle, Gotze marcou um golaço de voleio. Era o título dos alemães.

[T] Edgard Matsuki/Portal EBC

[F] Jefferson Bernardes/VIPCOMM

 

Premiados na Copa 2014

Campeã Mundial Alemanha

Vice-Campeã Argentina

Terceiro lugar Holanda

Bola de Ouro (melhor jogador) Messi, Argentina

Bola de Prata Thomas Müller, Alemanha

Bola de Bronze Arjen Robben, Holanda

Luva de Ouro (melhor goleiro) Manuel Neuer, Alemanha

Chuteira de Ouro (artilheiro de 2014) James Rodriguez, Colômbia

Chuteira de Prata Thomas Mueller, Alemanha

Chuteira de Bronze Neymar, Brasil.

Prêmio Fifa Far Play Colômbia

 

Técnico holandês quer vitória como presente de despedida

holanda

Apesar de ter desdenhado a disputa pelo terceiro lugar na Copa do Mundo, o técnico da Holanda, Louis Van Gaal, pediu a seus jogadores uma vitória sobre o Brasil como presente de despedida da seleção holandesa. Após a Copa, ele assumirá o cargo de técnico do time inglês Manchester United. O jogo contra o Brasil está marcado para amanhã (12), às 17h, em Brasília.

Durante coletiva de imprensa nesta sexta-feira (11) no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, Van Gaal lembrou que o time brasileiro teve um dia a mais de descanso para a partida. “O fato é que o Brasil [na primeira fase da Copa] começou primeiro e, depois, jogou a última partida após a nossa. E agora, para enfrentar a Holanda, tiveram um dia de vantagem. Esses são os fatos. Sabemos as implicações, mas a pergunta é por quê? [Luiz Felipe] Scolari tem de pensar sobre isso”, disse o técnico da Holanda. “É difícil nos prepararmos em apenas dois dias e meio”, acrescentou.

Van Gaal disse que os jogadores holandeses “estão tristes porque tinham confiança de que seriam campeões”, e que considera melhor perder de 7 a 1, a exemplo do Brasil, do que por disputa de pênaltis. Apesar da tristeza, a equipe holandesa está motivada para vencer. “Queremos retornar sem derrota.”

Perguntado sobre ser adequada a presença das famílias dos jogadores nos locais de concentração, o técnico holandês disse que isso faz parte de sua “filosofia”, e que já até escreveu um livro mostrando que esse tipo de companhia é boa “para preparação física espiritual e mental”.

Ele acrescentou que o treino anterior ao jogo contra o Brasil será mais descontraído. Van Gaal disse não ter definido ainda qual será a escalação dos jogadores para o jogo deste sábado. (Pedro Peduzzi e Liliane Farias/Portal EBC)

[F] Divulgação

Seleção fez treino técnico nesta quinta-feira

TREINO-SELECAO

Os jogadores que não começaram atuando no jogo contra a Alemanha fizeram nesta quinta-feira (10) à tarde um treinamento técnico, em campo reduzido, sob a orientação do técnico Felipão e de Murtosa.

Já aqueles que começaram a partida diante dos alemães se exercitaram na academia, deram voltas em torno do gramado e ainda bateram bola no campo 2.

Nesta sexta-feira (11), às 10h30, todos treinarão no campo.

[F] Rafael Ribeiro/CBF

Mais de dez chefes de Estado estarão na final da Copa no Maracanã

Maracana

Mais de dez chefes de Estado assistirão à final da Copa do Mundo, no domingo (13), entre Alemanha e Argentina, no Estádio do Maracanã,  às 16h ao lado da presidenta Dilma Rousseff e do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Antes, às 13h, a presidenta oferecerá um almoço às autoridades internacionais. Já estão confirmadas as presenças dos presidentes da África do Sul, Jacob Zuma, da Rússia, Vladimir Putin, do Congo, Denis Sassou-Nguesso, da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, da Hungria, János Áder, do Haiti, Michel Martelly, e da chanceler alemã, Angela Merkel.

A presença dos chefes de Estado do Gabão, de Trinidad e Tobago, Antígua e Barbuda, Guiné Equatorial e da Finlândia já é quase certa, faltando acertar os últimos detalhes da visita ao Brasil.  Antes de iniciar o jogo, a partir das 14h ocorrerá a cerimônia de encerramento, com apresentações da colombiana Shakira, de Ivete Sangalo, do Alexandre Pires, Carlinhos Brown, do guitarrista mexicano Carlos Santana e do rapper haitiano Wyclef Jean, além da Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio, que homenageará a cidade-sede da final.

Durante a Copa do Mundo, a chanceler Alemã, Angela Merkel, a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, passaram pelo Brasil para apoiar suas seleções, alguns deles aproveitaram a ocasião para se encontrar também com a presidenta Dilma. No dia 12 de junho, abertura da Copa do Mundo, em São Paulo, Dilma também ofereceu um almoço aos chefes de Estado que vieram assistir ao jogo entre Brasil e Croácia.

Argentina vence nos pênaltis e está na final da Copa

argentina

Ao longo de mais de 120 minutos, sobrou cautela e tensão. Argentinos e holandeses criaram pouquíssimas chances de gol e, pouco a pouco, foram aceitando levar a decisão da vaga na final da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 para a decisão por pênaltis, após um empate sem gols. E, então, quem mostrou que tinha razão em esperar tanto era Sergio Romero. 

O goleiro argentino defendeu duas cobranças – de Ron Vlaar e de Wesley Sneijder – e foi o grande responsável pelo fato de os argentinos retornarem à decisão de um Mundial após 24 anos. E, aliás, os adversários serão os mesmos daquela decisão na Itália, em 1990: a Alemanha. Os dois se enfrentarão às 16h do domingo, dia 13, no Maracanã, na terceira vez em que esse confronto decidirá um campeão mundial. Já os holandeses viajam para Brasília, onde serão os adversários de uma Seleção Brasileira que ainda junta os cacos da hecatombe que foi a derrota para os alemães no Mineirão.

Tudo o que os primeiros 45 minutos da primeira semifinal, entre Brasil e Alemanha, tiveram de surreais, os de Argentina x Holanda tiveram de um típico jogo decisivo: muita organização, muita cautela e poucas oportunidades de lado a lado. A única chance de algo perigoso acontecer vinha de uma ou outra ação individual – mais especificamente, no caso, uma falta bem batida de cada lado. Sergio Romero agarrou a de Wesley Sneijder e Cillessen, a de Lionel Messi.

Quanto mais o tempo passava, parece que mais a cautela tomava conta dos dois lados. O segundo tempo foi todo de uma lentidão e um cuidado estarrecedores. A tensão toda só foi atingir um verdadeiro auge aos 45 minutos, quando um passe de primeira de Sneijder encontrou Robben na cara do gol – ou mais perto disso dentro de uma partida como essas. Na entrada da pequena área, o chute do jogador do Bayern de Munique foi travado por Javier Mascherano, naquela que, incrivelmente, foi a melhor chance da partida em seus 90 minutos.

Depois de uma exibição de prudência dessas por uma hora e meia, seria demais achar que, nos 30 da prorrogação, as coisas pudessem mudar muito. Os holandeses bem que se mostraram mais inteiros nos minutos finais do tempo regulamentar e no início do primeiro tempo da prorrogação, mas, aos poucos, os argentinos se encontraram, controlaram a posse de bola e chegaram a criar as melhores chances: a cinco minutos do final, num contra-ataque, Rodrigo Palacio apareceu cara a cara com Cillessen e optou por tentar cabecear por cima do goleiro, que agarrou facilmente; dois minutos depois, Messi fez uma tremenda jogada pela ponta direita e cruzou para Maxi Rodriguez, que não acertou em cheio.

Pois, então, o que restava era a decisão por pênaltis, a quarta deste Mundial, igualando o recorde de 1990 e 2006. Ao contrário do que acontecera nas quartas, diante da Costa Rica, Louis van Gaal não guardou uma substituição para colocar o goleiro reserva Tim Krul, herói da passagem à semi.

A vez de brilhar foi de um goleiro titular mesmo, mas dos argentinos. Romero defendeu a primeira cobrança, de Vlaar e a terceira, de Sneijder, enquanto seus companheiros foram impecáveis. O quarto pênalti, de Maxi Rodríguez, foi o que definiu a vitória por 4 a 2; até ela chorada: Cillessen tocou na bola, ela acertou o travessão e só assim entrou. Num jogo em que as duas equipes apostaram tanto em evitar erros e não se expor para buscar o gol, só podia mesmo ser assim.

“O trabalho não foi ruim, foi uma derrota ruim”

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A comissão técnica da seleção brasileira compareceu completa para a entrevista coletiva nesta quarta-feira (09), na Granja Comary, para tentar dar explicações sobre a goleada sofrida na véspera. Apesar do 7 a 1 imposto pela Alemanha, o tom foi sustentado de forma otimista. Em meio às perguntas, o assessor de imprensa Rodrigo Paiva revelou que Neymar vai se reintegrar ao grupo para acompanhar a disputa de terceiro lugar no sábado, em Brasília. Luiz Felipe Scolari se voltou para a campanha geral na competição, citando a primeira vez que o time retornou às semifinais desde o mundial de 2002, e procurou minimizar a goleada.

“Temos estatísticas que mostram. Tivemos nove vitórias em dez jogos na preparação. Tínhamos que desenvolver a confiança dos nossos jogadores e fizemos isso também pelos resultados. Não esperávamos o resultado da forma como foi, mas esperávamos que qualquer um poderia vencer. Pelo número elevado de gols, ficará assim na história. Mas também tem que ficar na história que é a primeira vez desde 2002 que chegou à semifinal. O trabalho não foi de todo ruim, foi uma derrota ruim”.

O coordenador técnico Carlos Alberto Parreira insistiu em dizer que não mudaria a postura adotada antes do Mundial, quando falou em amplo favoritismo da Seleção ao título na competição em casa.

“A visão é a mesma de anteriormente. Positiva, otimista, de quem está jogando em casa. Nunca vi um líder, um comandante dirigir seus comandados e dizer ‘Vamos para a guerra e vamos perdê-la’. Era obrigação nossa ser positivos, acreditar no potencial dos nossos jogadores. O trabalho foi muito bem conduzido em um ano e meio. A Alemanha está há oito ou 10 anos trabalhando com esse time. Sabemos que foi doída a derrota, mas não houve reversão de expectativa. Se me perguntassem de novo qual era a expectativa para a copa, respondo que era de ganhar. Ficamos tristes, como todos os jogadores. Todos queriam ser campeões em casa. Mas agora é vida que segue, e é olhar para frente”. As informações são do GloboEsporte.

Holandeses e argentinos buscam vaga na final

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As seleções da Holanda e Argentina entram em campo nesta quarta-feira (9), às 17h (horário de Brasília), no Estádio Itaquerão em São Paulo, para decidir quem enfrentará a Alemanha na final da Copa do Mundo. Independentemente do vencedor, uma final será reeditada. Os alemães enfrentaram a Argentina nas finais de 1986 e 1990, com uma vitória para cada lado. Holandeses e alemães decidiram o título em 1974 e os germânicos levaram a taça.

Para conseguir a revanche, a Holanda aposta nas jogadas em velocidade com Robben. O camisa 11 holandês tem como principal arma a corrida em disparada pelo lado direito do campo para, em seguida, passar a bola ou chutar com a perna esquerda. As jogadas com Robben, Sneijder e Van Persie são uma grande ameaça à defesa argentina que, apesar de contestada, teve bom desempenho na última partida, contra a Bélgica. O primeiro título mundial passa antes pelos argentinos.

Eles contam com Messi, precisam dele. Sem Di Maria, machucado, o camisa 10 argentino é a esperança, quase solitária, dos nossos vizinhos de chegarem à final. Os torcedores também esperam boa atuação de Higuaín. O centroavante argentino conseguiu, finalmente, marcar um gol e ter boa atuação contra a Bélgica.

Os dois times vêm de jogos difíceis. Os holandeses só conseguiram a vaga para as semifinais nos pênaltis, quando superaram a Costa Rica. Os argentinos venceram a Bélgica por 1 a 0, em partida difícil, mas que mostrou evolução do time do técnico Alejandro Sabella. A defesa holandesa teve trabalho com os costa-riquenhos e pode ter ainda mais com os argentinos. Em compensação, os contra-ataques do time europeu são, muitas vezes, decisivos. (Portal EBC)

[F] Divulgação/Portal EBC

Seis minutos de pesadelo para acabar com 64 anos de sonho

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Fazia uma hora e meia que o jogo histórico havia terminado em Belo Horizonte, e centenas de torcedores alemães seguiam cantando nas arquibancadas. A cada tanto, um grupo de jogadores da Mannshcaft deixava o vestiário e ia até o gramado, orquestrar a festa. Thomas Mueller, autor do primeiro gol, já havia tomado banho e, entre a terceira e a quarta entrevistas da noite, comia macarrão com molho de tomate em um pratinho de plástico. E, enquanto isso, do vestiário brasileiro, nem um movimento. Ninguém havia saído. Luiz Felipe Scolari já havia comparecido à entrevista coletiva e retornado. Mas ninguém ainda parecia pronto para tentar descrever o que acontecera no Mineirão.

Era o dia da semifinal, sim, mas talvez fosse o dia em que o Brasil tivesse menos pressão externa. Afinal, sem seu capitão Thiago Silva, suspenso, e seu craque Neymar, lesionado, seria loucura que uma vitória sobre a poderosa Alemanha fosse vista pela torcida como obrigação – como era o caso diante dos rivais Chile e Colômbia. Com o externo, então, tudo certo. O problema foi a pressão – para não dizer combustão – interna. E rápida.

Podem-se escolher diferentes caminhos para narrar a eliminação da Seleção Brasileira: a derrota mais avassaladora que já sofreu; a semifinal de Copa do Mundo da FIFA mais desigual de todos os tempos; o fim do caminho para ser campeão pela sexta vez. Foi tudo isso e mais um bocado de coisas. E quase tudo, essencialmente, nascido entre as 17h23 e as 17h29 do dia 8 de julho de 2014: aqueles que são fortíssimos candidatos a serem os seis minutos mais trágicos da história da Seleção.

No tempo entre o segundo gol de Miroslav Klose e o quinto, de Sami Khedira, a Alemanha mostrou bastante da habilidade e do toque de bola que fizeram dela uma das favoritas da Copa do Mundo da FIFA desde o início, é certo. Mas tudo potencializado por um processo de autocombustão interna. Desespero mesmo. Ou como quer que se possa chamar aquilo que, bem depois do jogo, brasileiro nenhum sabia explicar. “Não tinha o que fazer naquela hora, no momento da pane”, admitiu o técnico Luiz Felipe Scolari, definindo assim, como “pane” – também usou “transtorno” -, os tais seis minutos. “Quando levamos aqueles gols em sequência, eu soube que não tinha mais jeito.”

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Era verdade
Quando os jogadores brasileiros enfim resolveram eles mesmos tentar explicar alguma coisa, o resultado era compreensivelmente desencontrado: elogios à qualidade da Alemanha, considerações sobre quanto se tratava de um jogo atípico e único, descrições do sentimento durante os tais seis minutos. Quase não havia lágrimas, mas só olhares vagos. Mais do que dolorida, a derrota parecia ter sido anestésica. 

“É difícil arrumar alguma explicação. Ninguém esperava que acontecesse aquilo naquele período, em que tomamos quatro gols. Tudo deu certo para eles e tudo errado para nós”, ameaçou explicar Willian á FIFA, intercalando cada meia frase com uma respiração pesada. “Ainda estamos todos tentando entender. Mas acho que é isso: o futebol, muitas vezes, têm coisas que não têm explicação.”

Se pensar isso tudo àquela altura, mais de duas horas depois do final do jogo, já é complicado e resulta numa leitura algo abstrata da catástrofe, o que dizer do que aconteceu durante o próprio jogo? Porque uma coisa é ouvir o apito final e desabar por uma derrota; outra é passar mais de uma hora de jogo sabendo que ela está desenhada – e em linhas grossas. “Derrota é sempre derrota, mas desta forma ela dói mais”, contou David Luiz, os olhos constantemente marejados, à FIFA. Ele não se referia tanto ao placar quanto à maneira como foi construído, prolongando um tristeza que era quase tortura. “É muito duro o fato de tudo ter acontecido em seis minutos e de, depois, termos que conseguir lutar até o fim, sabendo que era quase impossível. Eu pensava: se isto aqui é um sonho, eu quero que ele acabe agora.”

O sonho não acabou; pelo menos não o pesadelo que David e o Brasil todo imaginavam estar vivendo. Ele durou só uns minutinhos, mas foi real o bastante para acabar com o outro sonho: o de ser campeão do mundo em casa depois de 64 anos. E até agora ninguém sabe nem dizer como ou por quê.