Entrevistas

“Vamos trazer novos frutos e grandes parcerias”, diz Miguel Coelho

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Depois de uma viagem a Brasília em que incluiu no roteiro mais de dez ministérios e culminou com uma audiência como presidente da República, Michel Temer (PMDB), o prefeito eleito de Petrolina, Miguel Coelho (PSB) disse que o saldo foi positivo. “Vamos trazer novos frutos e grandes parcerias”, disse.

A declaração foi dada na entrevista que concedeu ao Gazzeta do São Francisco, na última segunda-feira (31 de outubro). Além da viagem, o socialista falou da sucessão na Câmara de Vereadores e esmiuçou algumas ações que pretende implantar em Petrolina, a partir de janeiro, quando assumirá a Prefeitura.

Confira os principais trechos da entrevista:

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Qual o saldo da viagem a Brasília, quando visitou diversos ministérios?

MIGUEL COELHO –  Primeiro, a gente foi a Brasília para poder garantir tanto as emendas dos deputados federais e senadores como também para pleitear junto ao governo federal  a inclusão de alguns programas, algumas obras no Orçamento Geral da União que está em fase de elaboração, está previsto para ser aprovado agora no final de novembro. Esse foi o interesse maior, por isso que a gente fez aquela rodada, acho que foram 14 ministérios, se não estou enganado, nos três dias. No Ministério das Cidades a gente foi pedir dinheiro para o saneamento, pavimentação e duplicação. No Ministério dos Transportes a gente pediu a instalação da esteira do aeroporto como também a duplicação da Sete de Setembro e da Honorato Viana, no Ministério do Turismo para tratar da construção do novo parque e da nova rodoviária da cidade como também revitalização dos pontos turísticos. Não só do balneário de Pedrinhas como também das ilhas que você bem sabe que estão precisando de um olhar mais focado, a revitalização da orla, ali da Porta do Rio

Outro pleito importante que a gente já conseguiu garantir recurso foi da maternidade, no Ministério da Saúde que já tem aprovado lá um projeto de cinco leitos que custa mais ou menos R$ 400 mil e que a gente pediu para dobrar para que possa ter uma maternidade já nesse novo formato de partos humanizados, partos normais, já com dez leitos. Dá mais ou menos 300 partos mensais porque nossa ideia é tirar partos normais do Dom Malan que atenderia somente média e alta complexidade e a maternidade cuidaria dos partos normais. E junto da maternidade vai fazer um centro ambulatorial, de referencia para apoio do o pré-natal ao pós-natal e na saúde da mulher que agente vai dar esse enfoque.

Tratamos também do Minha Casa Minha Vida Rural que é uma grande demanda que Petrolina tem. São mais de 5,3 mil casas que precisam ser feitas entre área de sequeiro, irrigada e ribeirinha. A gente tratou disso com o Ministério da Integração. E fechamos com uma reunião com o Presidente da República que foi uma reunião mais política até porque todas as temáticas tinham sido exauridas com os respectivos ministérios e poder ter o compromisso do presidente de que vamos contar com o apoio do governo federal, de que as portas estão abertas. Saio de Brasília confiante, animado de que vamos trazer novos frutos e grandes parcerias.

GAZZETA – Quando anunciou a equipe que coordenará a transição, o senhor informou que discutirá a formação do secretariado somente depois da diplomação. E presidência da Câmara?

MIGUEL COELHO – É depois da diplomação.

GAZZETA – Mas como tem acompanhado o debate. Há vereadores que já se manifestaram, como Zé Batista da Gama (PDT), Maria Elena  (PSB), Osório Siqueira (PSB), que é o atual presidente.

MIGUEL COELHO – Primeiro, é legítimo de todos os vereadores pleitearem. Até porque todos têm condições de poder ser presidente, sem nenhum tipo de restrição aqui ou objeção. Agora isso é um assunto da Câmara de Vereadores, até porque a eleição da Câmara se dá após a nossa posse. Então acho que a gente tem que respeitar os momentos. Agora é o momento da transição, depois é o momento do secretariado para depois vir a eleição da Câmara. E eu acho que os fatos pro si só já vão começar a se desenhar. Do mesmo modo que a gente respeita e é legitimo, eu na condição de não apenas prefeito, mas também de presidente do PSB,  onde dos três candidatos que você mencionou dois são do partido e Zé Batista que é do PDT que fez parte do chapão, da chapa liderada pelo PSB, vamos trabalhar para ter um consenso. Para que a gente possa fazer uma eleição da Câmara sem nenhum tipo de disputas que possam trazer sequelas, mas que a gente possa construir um consenso que deixe a Câmara ainda mais fortalecida.

GAZZETA – Como analisa os resultados do segundo turno em Pernambuco? EM Recife, O PSB mantém a prefeitura, mas o Governo do Estado perdeu em Caruaru.

MIGUEL COELHO – O PSB sai mais fortalecido ainda não só do segundo turno, mas da eleição em geral onde nós ganhamos acho que 70 cidades. É obvio que algumas cidades são chave no estado começando pela própria capital, com a eleição de Geraldo, mas também do PSB voltar a governar Petrolina. Inclusive estava até pensando que eu sou o primeiro prefeito eleito do PSB porque Fernando quando era prefeito e migrou pro partido. Em Jaboatão, o PSB apoiou outro candidato, mas Anderson (Ferreira) é da base aliada, é do PR. Em Olinda os dois são da base aliada do governador Paulo Câmara, mas você tinha a expectativa da eleição de Tonca, de Antônio Campos (o socialista perdeu a eleição para Professor Lupércio, SD).

Acho que o PSB sai fortalecido, agora precisa da liderança do governador Paulo Câmara poder desarmar os palanques e fazer as parcerias tanto com a deputada e prefeita Raquel Lyra, que eu estou extremamente feliz. Inclusive falei com ela ontem parabenizando. Raquel é uma pessoa jovem tem um pensamento muito similar ao meu. Ela é extremamente competente, é delegada da Polícia Federal, Procuradora do Estado, deputada, advogada, então estou muito confiante de que ela vai fazer um grande governo.

GAZZETA – No programa de Governo protocolado na Justiça Eleitoral, o senhor apresenta como proposta instalar uma Delegacia do Idoso. Como se dará essa instalação, porque é uma atribuição do Governo do Estado? Por falar sobre segurança, Pernambuco já registrou mais de 3 mil homicídios. De que maneira a administração municipal pode contribuir com esse assunto?

MIGUEL COELHO – Primeiro que segurança tem que ser um trabalho e eu sempre defendi isso, uma parceria entre todos os poderes. Não pode jogar essa culpa, essa conta só pro Governo do Estado responder. A prefeitura tem sim como trabalhar, tem sim como ajudar e é assim que a gente entende, através da instalação de câmeras de monitoramento, da central de operações que também é outra ação prevista em nosso programa de governo.

E quando a gente fala de poder implementar a Delegacia do Idoso é fazer essas parcerias funcionarem. É óbvio que a gente sabe que o poder de implementar ou não a delegacia é do Governo do Estado, mas a prefeitura pode correr atrás, pode fazer o projeto, pode dar infraestrutura, pode dividir o custeio. Uma série de ações que a prefeitura pode fazer para poder facilitar a implementação da delegacia.  E como você falou 3 mil homicídios não é um número qualquer, é um numero expressivo, que assusta a qualquer um.

A eleição foi domingo e na terça-feira eu estava com o governador e a gente pediu esse reforço na segurança e o governador agora já encaminhou 12 viaturas para poder chegar aqui e dá um reforço ao 5º. Batalhão. A gente também fez o pleito de que novos policiais precisam chegar. É obvio e aqui é evidente que 12 viaturas já ajudam, mas a demanda é de mais de 12 carros, então a gente precisa que esses investimentos continuem chegando para que possa ter uma Policia Militar forte. E ao mesmo tempo a gente não pode esquecer da Polícia Civil. Até porque se houveram 3 mil homicídios você precisa investigar os 3 mil homicídios e quem tem o poder de investigação é a Polícia Civil que também precisa de apoio aqui em todos os seus braços, não só na parte investigativa, mas também na policia científica que é o mais conhecido IML, que também precisa de apoio.

GAZZETA – Como está a relação som o sindicato dos servidores municipais? Historicamente os prefeitos sempre enfrentaram movimentos grevistas quase que uma vez por ano.

MIGUEL COELHO – Eu sempre defendi na campanha e no próprio debate que o Sindsemp realizou, e tenho reiterado essa minha posição, de que a gente vai prezar sempre pela transparência, pelo diálogo, que a mesa de negociação vai estar sempre posta. Mas também já disse que muitas vezes os pleitos do sindicato são pleitos que a prefeitura não tem como atender. Então a gente precisa do bom senso, da razoabilidade para que a prefeitura possa ir até o meio do caminho e o sindicato esteja disposto a encontrar a gente nesse meio termo.

Acho que através do diálogo, da sinceridade, da transparência a gente vai conseguir trabalhar para evitar essa média de uma greve por ano. O ideal é que não tenha greve. E eu também já disse, é obvio que a gora a gente  está numa  relação muito boa, uma relação muito  amistosa, mas é obvio que quando os assuntos se chocarem, é normal que essa relação se tencione mas acho que se a gente mantiver o respeito, a postura e entender que não é a pessoa Miguel, mas a gestão e a responsabilidade fiscal que a gente precisa manter com a prefeitura, acho que a gente vai ter uma grande relação com o sindicato e com todos os servidores.

GAZZETA – O seu programa de governo fala ainda sobre a reformulação dos PSFs. Como ficará o desenho dos PSFs com as AMEs?

Primeiro a gente precisa recuperar a rede de PSF, que é o Programa de Saúde da Família. Quando a gente fala em reformulação é dos postos de saúde nos bairros e que o PSF entre. O PSF hoje está pressionado dento das AMEs e a gente precisa voltar a capilaridade dos PSFs dentro dos postos de saúde, dentro das comunidades. Hoje o que é que acontece? O cidadão, o usuário do SUS tem um problema e já vai direto pra UPA, pro Dom Malan ou pro Traumas. E não é pra ser assim. É para você ter as barreiras, ter como se fossem filtros por complexidade. Ou seja, o atendimento mais básico da diarreia, da gripe, da virose você resolve no posto de saúde e é isso que vamos fazer nas AMES a partir do próximo ano. As AMES vão ter quatro especialidades: a ortopedia, a ginecologia, o clinico geral e o dentista. A complexidade não sendo resolvida nas AMES, vai para a UPA, no caso das especialidades e ou o CEO no caso da especialidade odontológica. Não dando jeito, aí sim você tem que ser recorrido pro hospital de alta e media complexidade, seja o Dom Malan ou o Traumas.
A gente precisa fazer essa escala funcionar até porque com isso você termina diminuindo o tempo da fila de espera, melhora a qualidade do serviço prestado.

GAZZETA – O senhor falou no início da entrevista no Terminal Rodoviário e é um equipamento que, geograficamente, não está em um espaço mais adequado. Já tem ideia para onde poderia ser levado?

MIGUEL COELHO – Concordo que ali não cabe mais. Primeiro que a rodoviária está sucateada. A rodoviária hoje funciona infelizmente mais como ponto de droga, a cracolândia que chama hoje de Petrolina e que a gente precisa mudar essa realidade. Até por isso que a gente prevê ali a construção do novo parque da cidade e a nova área a gente precisa estudar. Tem a possibilidade de ser no antigo Ceape, que já está perto de uma rodovia, de uma estrada como também pode ser em uma das saídas da cidade para você não ter o congestionamento de ônibus chegando nos horários de pico. Essas decisões serão tomadas mediante estudo e planejamento.

GAZZETA – Em dezembro, o senhor completa dois anos de mandato de deputado de deputado estadual, qual o saldo?

MIGUEL COELHO –  É um outro perfil o Legislativo do Executivo. No Legislativo você não tem o poder de decisão, de executar. A gente consegue fazer remanejamento, tratar de política de investimento junto ao Governo do Estado. É obvio que deixar qualquer coisa pela metade não é bom, mas eu entendo e espero que as pessoas entendam que a gente está saindo para uma missão ainda maior que é poder governar e liderar nossa cidade. Mas eu saio com sentimento de dever cumprido. Primeiro pelas próprias emendas que conseguimos colocar. No ano passado a gente atendeu, se eu não tiver enganado, sete ou oito municípios com emendas nossas.  Então isso chega de certa forma pra ajudar, seja o homem do campo, que foi a maior parte destinada, ou seja na área da saúde, para onde destinamos algumas. Mas fico feliz como deputado estadual ter conseguido a redução ICMS de querosene beneficiando nosso aeroporto, beneficiando as companhias para poder voltarem os voos. Através de nosso trabalho de deputado ter conseguido o dinheiro com o governo federal para o problema da mosca-da-fruta que enfrentou na nossa cidade. Como deputado estadual ter conseguido três escolas para Petrolina, duas que já tiveram a ordem de serviço dada que são a do João de Deus e a do São Gonçalo e também a de Rajada que o estudo já está sendo feito. De também ter conseguido recapeamento de estradas na nossa cidade, mas também em outras cidades onde fomos votados, a exemplo de Ouricuri, Santa Filomena. Então se a gente for fazer um apanhado desses dois anos como deputado estadual, saio muito feliz e agradecido por tudo que tive oportunidade de aprender nesses dois anos, mas também de deixar minha contribuição para o povo pernambucano.

 

“A Igreja está atenta às feridas, às dores das pessoas”, diz Dom Beto

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Natural da cidade de São Francisco do Sul, Santa Catarina, despertou ainda na infância para vocação religiosa. Ainda na adolescência entrou para o seminário. Dom frei Carlos Alberto Breis Pereira foi nomeado bispo coadjuntor em maio deste ano e em setembro assumiu o comando da Diocese de Juazeiro. Na última terça-feira(4), dia de São Francisco, ele concedeu entrevista onde falou um pouco sobre sua caminhada religiosa.

A Diocese de Juazeiro inclui os municípios de Casa Nova, Campo Alegre de Lourdes, Curaçá, Juazeiro, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé, Sobradinho, Uauá e Curaçá. São aproximadamente 60 mil quilômetros quadrados de extensão. Dom Beto, como é fraternalmente chamado, é franciscano, tem 51 anos, e é o quarto bispo na história da Diocese. Sucede Dom Tomás Murphy, Dom José Rodrigues e Dom José Geraldo.

Confira os principais trechos da entrevista:

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – O senhor é natural de onde?

DOM BETO – Eu sou natural de Santa Catarina, da cidade chamada São Francisco do Sul e acidade tem esse nome justamente porque os espanhóis quando chegaram lá, já sabiam que aqui existia o rio São Francisco. Lá, minha cidade fica numa ilha, tem uma baía e eles pensavam que a baía fosse um rio e era dia de São Francisco, então ficou São Francisco do Sul. A cidade fica no litoral norte de Santa Catarina. Mas estou no Nordeste há mais de 25 anos.

GAZZETA – Quando percebeu o chamado à vida religiosa?

DOM BETO – Na verdade, como diz o matuto, desde que me entendo por gente. Era pequenininho e já falava: quero ser padre. Na adolescência isso foi se firmando. Eu entrei no seminário com 16 anos. Eu não pude entrar antes porque meu trabalhava em banco e vivia sendo transferido, era complicado. Quando voltou pra nossa cidade natal eu entrei no seminário em Lages, Santa Catarina. Tinha 16 anos de idade e fiz noviciado 30 anos atrás. Me tornei frade há 30 anos. No tempo dos estudos de Filosofia fiz opção de vir pro Nordeste.

dom-betoGAZZETA – Algum motivo especial?

DOM BETO – Meu pai trabalhava em banco e alguns desses lugares onde a gente morou foram no Nordeste: Sirinhaém e Serra Talhada, em Pernambuco. Moramos quatro anos, depois voltamos pra Santa Catarina. Voltamos pra Santa Catarina, mas eu sempre muito identificado com o Nordeste, por isso que pedi para voltar para o Nordeste como frade, para viver e trabalhar no Nordeste. 

GAZZETA – Como se deu a identificação com a ordem franciscana?

DOM BETO – Eu conheci os frades em Sirinhaém, Pernambuco. Tinha 11 para 12 anos e já queria ser padre, quando conheci os frades, pronto aí disse: quero ser igual a eles. Me identifiquei com o estilo de vida dos frades, a forma de vida, a vida em comunidade, o estilo missionário. A figura de Francisco sempre me cativou, a maneira de Francisco viver o evangelho.

GAZZETA – A impressão que tenho é que a mensagem de Francisco é sempre muito atual: o respeito à natureza, a vida de humildade.

DOM BETO – Francisco, eu queria dizer que causa um impacto no homem na mulher de hoje. Justamente por causa da relação que Francisco tem com as pessoas e com a criação. Uma relação de liberdade, de respeito. Uma palavra que se usa muito: cortesia. Francisco não era nobre, mas era de sentimentos nobres. A cortesia é a marca de Francisco. Ele trata tudo e todos com cortesia. Francisco é uma figura que 800 anos depois continua provocando, questionando.

 

GAZZETA –  O senhor foi nomeado bispo coadjuntor em maio e assumiu em setembro. Como foi a transição?

DOM BETO – Imagine que você chega em um lugar que não conhece ninguém e chega com a tarefa de coordenar e não é um grupo pequeno é uma Diocese com muitos padres, muitos leigos, muitas  pastorais, uma extensão de terra grande. Então os quatro meses que fiquei como bispo coadjuntor foram muito positivos, porque foi o tempo justamente de conhecer, visitar todas as paróquias. Conheci todos os padres, preguei o retiro para os padres da Diocese, conversei com religiosas, várias pastorais. Então quando assumi em setembro já tinha feito um percurso inicial de reconhecimento. Quando um bispo novo chega, as pessoas ficam, como ele é? É natural porque o bispo imprime uma certa marca, tem o jeito dele, o modelo de igreja que ele tem.

GAZZETA – Ainda na condição de coadjuntor o senhor esteve e Casa Nova onde visitou e prestou solidariedade às comunidades de fundo de pasto. Foi um sinal de que o senhor vai fazer de seu ministério um instrumento para a discussão também dessas questões sociais?

DOM BETO – O papa Francisco coloca que a Igreja está atenta às feridas, às dores das pessoas. Não é uma Igreja indiferente. No encontro que tivemos com o papa recentemente, um encontro dos bispos novos, ele colocava justamente isso: não sermos pastores assépticos, de cúrias e gabinetes. São duas situações que a gente vai perceber: a juventude de Juazeiro, acho que há uma vulnerabilidade muito grande dos nossos jovens e passa pela violência, e depois a segunda essa questão. Eu estive lá, celebrei com a comunidade, ouvi depoimento das pessoas da comunidade. Tem uma história, as pastorais que acompanham a realidade de lá tem me colocado a par da história, então a gente está acompanhando e tomando o lado de fato das vitimas, dos feridos. As pessoas estão lá há tantos anos, são mais ou menos 400 famílias que estão lá há mais de cem anos e tem toda uma relação com a terra, com a plantação, criam abelhas, cabras. É muito coletivo. O fundo de pasto é muito coletivo. Acho que esse principio é muito importante. A gente pensa inclusive na celebração de encerramento do ano jubilar um gesto concreto e a gente como Igreja diocesana se colocar ao lado dos moradores, particularmente lá de Areia Grande.

GAZZETA – Alguns religiosos encontram na militância política uma forma de enfrentar essas questões sociais. Quero sua opinião sobre essa participação.

DOM BETO – O último documento da CNBB sobre as eleições que aconteceram no domingo passado e a direção da Igreja, o papa Francisco, tem lembrado aos leigos e leigas que não só é bom, mas devem; é um dever. Até porque é uma mediação para acontecer aquilo que desejamos e sonhamos, uma sociedade fraterna, justa e igualitária, onde as pessoas possam viver com dignidade. Mas não necessariamente os padres. É uma decisão que os padres não podem se candidatar. O ministério do padre é o ministério da comunhão tanto que quando ele toma partido político e se candidata, já cria uma divisão, cria uma relação difícil com a comunidade paroquial. E também a igreja não pode dizer vote em fulano. As pessoas têm que ser adultas e não votar porque o padre mandou. A reflexão deve ser sobre critérios: pessoas honestas, transparentes, conhecer a história dos candidatos, do processo eletivo.

“Enxergamos a política de uma forma coletiva”

Edinaldo

Escolhido pelo prefeito Julio Lossio (PMDB) entre os diversos nomes colocados – ou que se colocavam – como pré-candidatos, o ex-secretário, vereador e líder de Governo na Casa Plínio Amorim, Edinaldo Lima (PMDB), tendo como pré-candidato a vice o ex-secretário Newton Matsumoto.

Edinaldo foi convidado a assumir a Superintendência de Habitação da Prefeitura, ainda no primeiro mandato de Lossio – área que é uma das meninas dos olhos da gestão do peemedebista. Ele licenciou-se do cargo para concorrer às eleições daquele ano e conquistou uma cadeira na Casa Plínio Amorim com 2.358 votos. Depois, retornou aos quadros da administração municipal como Secretário de Habitação de onde mais uma vez, voltou à Câmara de Vereadores.

A convenção partidária que ratificará a candidatura de Edinaldo Lima acontecerá neste sábado (23) às 17h, no Centro de Convenções de Petrolina.

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Por que se colocar como pré-candidato à prefeito de Petrolina?

EDINALDO LIMA – Essa escolha do meu nome se deu a partir de uma construção, observando a necessidade da nossa cidade. O prefeito Julio teve um papel importante, assim como o doutor Osvaldo [Coelho] teve, lá atrás, quando o nome escolhido foi o de Julio. Essa escolha minha se deu a partir de uma leitura da cidade. As pesquisas, as conversas com amigos… uma escolha que foi de certa forma… o prefeito Julio costuma dizer que foi difícil, porque ele tinha muitos nomes de secretários que ocuparam pastas importantes do governo que deram resultado para a sociedade, na Saúde, na Educação, na Administração Pública, a exemplo da doutora Lúcia Giesta, do secretário de Finanças Tio Julinho, do secretário de Educação, do secretário de Ciência e Tecnologia, Newton Matsumoto… então foi a partir dessa realidade de leitura da cidade de Petrolina que chegou ao meu nome. A nossa história Petrolina conhece, da nossa militância nessa área da política de desenvolvimento urbano e tendo a habitação como uma política de infraestrutura, mas com cidadania, que trouxe resultados muito positivos para a nossa cidade nos últimos sete anos. 

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Como fica a postura para a composição da coligação? O PMDB em Petrolina tem um tempo considerável de guia eleitoral, apesar de a gente ter uma mudança no calendário eleitoral e uma campanha mais curta. Mas como fica a postura com outros partidos?

Edinaldo Lima – Além do PMDB, nós estamos com o PSL, o PHS que é o partido de [vereador] Elias Jardim, o PPS, partido que aqui tem à frente o jovem Kempler [Reis] e vai assumindo agora alguns projetos importantes em Petrolina, deve ser anunciado em breve… então é uma composição partidária que nos garantirá fazer uma boa campanha, apresentar um bom resultado para a população e ir à luta naquele objetivo que é importante, que nós entendemos que é o que Petrolina precisa para avançar para um futuro de desenvolvimento, cidadania, desenvolvimento econômico, avançar com a infraestrutura da nossa cidade, mas também respeitando uma cidade que precisa observar a sustentabilidade e o meio ambiente. 

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – De todas as pré-candidaturas, a única que fala no vice é a sua. Todos os outros fazem algum mistério – Odacy ainda não falou sobre o vice; Miguel também não falou sobre o vice; Adalberto, muito menos; o PSOL também ainda não sinalizou. Queria que o senhor falasse como se deu a escolha do vice.

Edinaldo Lima – Teve uma decisão muito pessoal do candidato, mas também foi feita uma leitura do que era necessário para o nosso governo pudesse contemplar a necessidade do município de Petrolina. Nossa cidade, ela se deu o desenvolvimento econômico a partir do que se pensou e se decidiu lá atrás. O doutor Nilo [Coelho] e o doutor Osvaldo tiveram papéis importantes na construção do desenvolvimento econômico da cidade a partir do desenvolvimento da agricultura irrigada. Quando nós pensávamos num nome, esse nome precisa contemplar a área irrigada de Petrolina e Newtinho tem uma característica política e técnica que é importante, que nós sempre observamos nesse sentido. Outros nomes, a exemplo dos demais pré-candidatos, poderiam estar preenchendo o que nós pensávamos do ponto de vista político, mas nós precisávamos pensar também no ponto de vista do desenvolvimento econômico e social. Newtinho vem de uma história de Petrolina, onde Petrolina foi uma cidade que garantiu esse desenvolvimento que acabamos de falar, e ele preenchia essa lacuna, que a prefeitura no passado, deixava em relação às famílias que moram nas áreas irrigadas. Hoje Petrolina tem mais de 65 mil pessoas que moram nessas comunidades, nas novas agrovilas, e esse desenvolvimento que garantiu Petrolina estar no cenário nacional e internacional com a exportação principalmente da manga e da uva é uma cidade que também precisa avançar com a agricultura familiar. Newtinho vai nos permitir trazer esse aprendizado, essa tecnologia que aperfeiçoou a produção da uva, da manga, trazer para a agricultura familiar. Ele está motivado, já é um grande colaborador do governo Julio no primeiro governo como secretário de Irrigação e no segundo governo, como secretário de Ciência e Tecnologia, agora afastado para estar na campanha comigo. Vai nos permitir avançar cada vez mais com o desenvolvimento econômico, mas um desenvolvimento econômico que permitirá também ao pequeno agricultor, as famílias dos assentamentos, possam participar, ser protagonistas e ajudar nesse desenvolvimento econômico trazendo a sua agricultura familiar para esse crescimento de Petrolina sempre com o olhar na cidadania. 

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – O senhor citou logo no início, rapidamente, o seu desempenho, a sua militância social. O senhor é vereador. Em que medida essa experiência na Câmara vai ajudar nessa trajetória tão logo o senhor seja referendado candidato, e na sua campanha?

Edinaldo Lima – Ser vereador me permitiu ter uma experiência no diálogo político com a Câmara de Vereadores. Eu vou ser um prefeito eleito que permitirá ter esse bom diálogo com a Câmara e sempre apresentar a Câmara aquilo que a cidade precisa para o seu desenvolvimento.

Eu estive à frente de uma pasta que garantiu investimentos; não só a minha pasta, mas juntando a pasta da Saúde, fez muito trabalho de infraestrutura na construção das AMEs, a Educação, projetos de saneamento, pavimentação. Todos esses recursos que foram aplicados em Petrolina nos últimos sete anos garantiram investimentos na ordem de mais de 1 bilhão de reais. A pasta que eu conduzi, a Habitação, foi importante nesse sentido e nos permitiu ter uma experiência, a partir da política de habitação, que era necessário fazer estudos e diagnósticos das necessidades da população, para enfrentar seus desafios e suas necessidades, na Saúde, na mobilidade urbana, na Educação, na política de geração de emprego e renda, no desenvolvimento social, nos permitiu garantir uma experiência para hoje estar pré-candidato a prefeito, para a partir do dia 16 de agosto colocar nossa campanha na rua e apresentar para Petrolina um programa de governo, que não é um programa pronto, mas ele vai estar em construção, em toda a nossa campanha, dialogando com a população, com as entidades sociais e civis organizadas, e poder apresentar o que Petrolina precisa, a partir dessa plataforma que já foi construída nesses anos do governo Julio e avançar com o desenvolvimento social, econômico e ambiental no nosso município. 

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Tão logo foi divulgado que o senhor seria o pré-candidato a prefeito do grupo do prefeito Julio Lossio, começaram a surgir algumas insatisfações. O ex-senador José Coelho dizia que “ciúme de política é pior que ciúme de esposa: se você tem um grupo com quatro pré-candidatos, quando se escolhe um, os três ficam enciumados; se você tem um grupo com vinte, os dezenove ficam enciumados”. Quando o prefeito junto com o grupo dele, entendeu que o senhor tinha um perfil para representar uma pré-candidatura, nesse momento, para o grupo político dele, e para o município de Petrolina começaram a surgir algumas insatisfações. Entre os dissidentes que já se manifestaram publicamente, até de maneira um pouco mais dura, a gente tem o vice-prefeito licenciado, o deputado federal Guilherme Coelho, e Tolentino, que foi secretário de Governo. Queria saber como você tem lidado com essas dissidências, não só deles, mas de dissidentes que ocuparam a gestão municipal e que agora começam a manifestar preferência por outros pré-candidatos.

Edinaldo Lima – Você pode acompanhar essa construção dessa escolha do candidato e foi uma escolha, eu falava agora há pouco, terminou sendo um pouco difícil para o prefeito Julio porque nós tínhamos secretários que se destacaram pelos seus desempenhos nas pastas que ocuparam. A doutora Lúcia Giesta, por exemplo, ficou sete anos à frente da Saúde e permitiu criar uma rede de Saúde Básica importante para o município. Saímos de menos de 13% de cobertura da rede básica para mais de 90%. A Educação, a partir de uma política desenhada no primeiro governo Julio, quando a nossa ex-secretária de Educação, Célia Regina conseguiu desenvolver uma nova metodologia pedagógica de ensino permitiu que Petrolina avançasse com a qualidade do ensino e colocasse Petrolina como uma das cidades que desempenhou melhor os resultados do Ideb. Depois veio o secretário coronel Leite, que melhorou muito a infraestrutura da escola, permitiu as nucleações, e trouxe resultados importantes; secretária de Administração e Finanças nos garantiu ter uma prefeitura que tivesse eficiência e zelo com os recursos públicos, respeitasse os servidores, valorizasse os servidores, tivesse um respeito com os contratos com os fornecedores e garantiu que tivesse nomes importantes nessa escolha. A escolha, lá no início, o prefeito apresentou qual seria a sua metodologia para fazer essas escolhas e todos nós aceitamos. Hoje estou aqui nessa entrevista com a presença da doutora Lúcia, que é a minha coordenadora de campanha, que está me ajudando a montar esse programa de governo, coordenar esse processo da necessidade de um programa que contemple a cidade; é uma prova que nós conseguimos que a grande maioria daqueles que faziam o governo Julio aceitasse esse projeto, não como um projeto individual, mas como um projeto de Petrolina, para Petrolina.

Nós consideramos normal o afastamento e o não aceitar de algumas pessoas. Respeitamos. São lideranças que nos ajudaram em toda essa construção do governo Julio, que permitiu que o governo Julio ser o que é hoje, o governo tem reconhecimento a partir das suas políticas sociais que foram desenvolvidas, que também garantiram desenvolvimento econômico para a cidade, geramos mais de 15 mil empregos através dos programas estruturadores de política de infraestrutura e essa foi uma decisão muito pessoal, uma decisão de cada um que faz política e tem seu entendimento, mas ela aconteceu também depois que de todo um caminho de escolha do candidato. Em nenhum momento tivemos questionamento. Tivemos encontros para debater o formato que seria escolhido o candidato e estou hoje aqui muito tranquilo, porque consegui escolher o meu vice e a cidade, por onde eu passo, com as conversas que tenho, as pessoas aprovam o vice que foi escolhido. O prefeito Julio também está muito animado com nosso projeto político, com nosso comportamento na apresentação das nossas propostas para a sociedade e no final, acho que você termina me ajudando muito quando cita o exemplo da fala de José Coelho, de alguns como enxergam a política. Nós enxergamos a política de uma forma muito coletiva e não de projeto individual, e isso nos permitiu esse conforto naquilo que é importante, de enxergar para frente, pensar no futuro, enfrentar esses desafios. Essas posições de algumas pessoas que não vão mais caminhar no grupo do prefeito Julio, nós tratamos isso de forma muito natural. Permanece a amizade pessoal, mas os entendimentos e o pensar político diferentes nós vamos respeitar. Vamos tocar nosso projeto político.

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Como o senhor avalia o posicionamento de Gonzaga Patriota e Lucas Ramos dando a entender que vão se comportar de maneira neutra, já que não apoiarão a pré-candidatura de Miguel, mas também não subirão em nenhum outro palanque? E como o senhor avalia o apoio de Guilherme Coelho a Miguel?

Edinaldo Lima – O deputado Gonzaga tem uma história política em Petrolina que merece o nosso respeito. Ele foi um grande colaborador para o desenvolvimento não só de Petrolina, mas de Pernambuco, do Brasil. Foi deputado constituinte, Permanece na política até hoje. Em 2008 fui candidato a vereador pelo PDT ao lado do deputado Gonzaga. Hoje continuo amigo dele, temos uma relação de amizade muito importante. Em nenhum momento a gente teve divergência do ponto de vista do que entendemos que é importante para construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária. Ele tem um posicionamento no momento que é fruto das decisões, da forma como o partido dele escolheu caminhar, e precisa ser respeitada. O mesmo também digo com relação ao deputado Lucas Ramos. É um deputado que está iniciando sua carreira política e tem sido muito sereno, muito responsável com relação ao que ele entende, ao que ele quer. Acho que em determinado momento eles assumem um posicionamento que a própria Bíblia nos ensina, que é o momento que você deve falar, e que você deve calar. Eles acham que é o momento que devem se posicionar mais do ponto de vista de observar o que está acontecendo, apoiar as suas candidaturas proporcionais e acho que isso precisa ser respeitado. Eles são dois deputados que constroem seu protagonismo político para a cidade e para a região e vamos respeitar esse posicionamento deles.

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – E como o senhor viu a declaração de Guilherme para apoiar Miguel Coelho? Ontem [quarta-feira] houve uma coletiva para anunciar a reconciliação política da família. Como o senhor analisa esse momento?

Edinaldo Lima – Acho que essa avaliação quem vai fazer será a sociedade, a população. A união familiar é sempre muito importante e vamos observar de forma muito positiva. Acho que as famílias não devem brigar por causa da família. Essa união, depois de décadas de afastamento familiar por causa da política, toda a cidade vê de forma muito positiva e eu também vejo. Claro, do ponto de vista político isso não vai trazer nenhuma diferença, não trará nenhuma consequência positiva ou negativa. Acho que todos nós sempre vamos ver de forma muito positiva quando a família se une. Então, a união da família, voltar a se falar, ter os laços familiares novamente a existir, acho isso muito positivo e nós fazemos uma leitura nesse sentido.

O importante é que a política não seja vista como uma política familiar, ela precisa ser vista sempre como coletiva, que a sociedade participe, e esse tem sido o modelo que o governo Julio escolheu para governar, um governo que observa as pessoas, um governo para as pessoas e construção para as pessoas. E eu venho dessa história e eu agradeço a Deus sempre por isso, por ter tido a oportunidade de escolher caminhos e tomar decisões onde a coletividade sempre participa. E vamos fazer assim na nossa campanha, e vamos fazer assim para o futuro de Petrolina, sempre olhando para as pessoas e construindo o governo participativo, que as pessoas participem.

Esse é o caminho que escolhemos lá atrás quando nós iniciamos o primeiro governo Julio, que foi aprovado é tanto que a população reelegeu o prefeito Julio. Lá atrás o prefeito Julio foi escolhido pelo doutor Osvaldo, hoje o prefeito Julio escolhe Edinaldo Lima para esse projeto de continuação política de Petrolina, da administração de Petrolina e o mais importante de tudo é ter essa sensibilidade social, a capacidade, a seriedade política de tomar as decisões que possam sempre olhar para as pessoas.

Sem personalizar a família, mas acho que nenhuma família deve brigar por causa de política e também acho que a política não deve ser o motivador para unir as famílias.

 

“O povo quer Adalberto como pré-candidato e não volto atrás”

Adalberto Cavalcanti

Desde o inicio dos anos 2000, o deputado federal Adalberto Cavalcanti tem colecionado sucessivas vitórias nas urnas. Foi prefeito por duas vezes seguidas da vizinha cidade de Afrânio, hoje governada por sua esposa, Lúcia Mariano, eleito deputado estadual e em 2014 saiu do pleito com 99.912 votos. Destes, 42.116 foram alcançados em Petrolina, de onde saiu como o deputado federal mais bem votado.

Na entrevista que concedeu no início da semana, ainda na condição de pré-candidato a prefeito de Petrolina, Adalberto Cavalcanti (a convenção partidária do PTB será no sábado, 23) falou sobre a disputa eleitoral deste ano em Petrolina e os desafios para montar um palanque competitivo.

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Por que concorrer a prefeito de Petrolina?

ADALBERTO CAVALCANTI – A gente vê os reclames do povo de Petrolina pedindo uma pessoa que seja ligada às pessoas mais humildes. A gente vê a realidade. A necessidade na saúde. Fui o deputado federal mais votado da cidade de Petrolina então, o povo, depois da eleição, mesmo de deputado federal, o povo me cobrando. Eu fazia o meu trabalho com duas unidades móveis trabalhando em Petrolina com médico e dentista fazendo trabalho junto às pessoas mais humildes e a gente via a vontade do povo, a cobrança, a respeito da saúde. A necessidade da saúde é muito grande.

Você imagina o Hospital de Traumas a revolta do povo, o desprezo. Aí você vai pro interior, pra Rajada, tem AME, mas não tem médico. Só tem auxiliar de enfermagem e o povo cobra médico, dentista 24h, principalmente Rajada, Izacolândia, Nova Descoberta que é praticamente uma cidade.

Outro motivo que me incentiva é a gente andar nos bairros e o abandono é total, o desprezo é total. Mesmo no centro de Petrolina você não vê uma praça bonita. Você hoje vê várias ruas no centro da cidade precisando de asfalto, tapa-buraco e o lixo tomando conta. Então a gente vê a necessidade, o povo clamando nos bairros.

Dos bairros vai pro matadouro. Lamentavelmente uma cidade como Petrolina o povo não tem matadouro. Hoje de manhã a gente estava na feira do Ceape, o povo cobrando, pedido até pelo amor de Deus que não tire do Ceape. Para acabar demoliram praticamente todo o Ceape. Se já queria mudar o Ceape porque não construíra primeiro outro. Outro que me assunta é o estádio municipal. Tem projeto pra ser vendido na Câmara. Bastam os terrenos que já venderam. Deu R$ 16 milhões e hoje se quiser fazer uma creche, uma AME, qualquer coisa você não tem uma localidade porque vendeu todos os terrenos. A gente vê o povo cobrando clamando.

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Já foi definido o vice? Como está a discussão?

ADALBERTO – A gente está analisando. Tem bons nomes, era até pra surgir outros nomes, mas infelizmente estavam em outro partido. A gente sente dificuldade é o monopólio dos maiores, que tem mais condições de levar os partidos pra lá. O Governo do Estado mesmo não resta dúvida de que a maior parte dos partidos está lá. O prefeito municipal aqui tem o PMDB que o número de deputados federais é muito e o tempo (de guia eleitoral) hoje vai depender muito da quantidade de deputados. Mas estou confiante e tranquilo. Acredito em Deus e povo já conhece meu trabalho. Acho que a propaganda bonita todo mundo já conhece, já está cheio de mentira que o povo já conhece e o povo conhece quem é Adalberto quem é Julio, quem é Fernando, quem é Odacy e o povo vai decidir.

 GAZZETA – Em relação ao vice quando deve sair a definição?

ADALBERTO – A vontade minha é que seja anunciado na convenção e se não, a gente vai anunciar se Deus quiser brevemente.

GAZZETA – Quais os partidos que apoiam sua pré-candidatura?

ADALBERTO – Tem o PRB, o PTN e o PTB. 

GAZZETA – O senhor com conversou com os grupos do prefeito Julio Lossio e do senador Fernando Bezerra Coelho?

ADALBERTO – Não. A gente conversou, mas eles fizeram inclusive, o grupo de Fernando Bezerra fez a proposta de indicar o vice, mas eu não vou indicar o vice, primeiro…

GAZZETA – No caso, o senhor indicaria o vice da chapa do PSB caso apoiasse?

ADALBERTO – Sim. Não tenho nada contra Miguel, mas o povo quer Adalberto como pré-candidato e não volto atrás. Acredito em Deus e no povo.

GAZZETA – O senhor chegou a ser procurado por insatisfeitos com a escolha do pré-candidato do grupo do prefeito Lossio?

ADALBERTO – Não 

GAZZETA – Petrolina tem tradição de campanhas polarizadas. O Senhor acredita que vai conseguir mais simpatia de dissidentes ligados ao prefeito ou ao grupo do PSB?

ADALBERTO – Eu tenho uma pesquisa interna que 70% da população de Petrolina diz que o candidato ideal para Petrolina não seja ligado nem a Fernando Bezerra nem ligado a Julio, então estou confiante em Deus e novo povo. Na eleição passada Fernando Bezerra tinha 14 vereadores e eu não tinha nenhum vereador e fui o mais votado de Petrolina Estou confiante. Quando Deus quer e o povo quer, não há jeito.

GAZZETA – Qual o peso que o senhor imagina que o governo federal e o governo estadual irão ter na disputa deste ano?

ADALBERTO – Eu vou dar um exemplo. Na eleição passada, Gonzaga Patriota trouxe Lula, Dilma, Eduardo Campos trouxe tudo e perdeu feio pra Julio Lossio então quando Deus quer e o povo, não tem esse negócio de povo. Acredito, sabe em quê? Em Deus e no povo. O povo que vai decidir. Na eleição passada foi bem claro. Todos apoiaram Gonzaga e perderam feio.

GAZZETA – Gonzaga disse que não apoiara nenhum pré-candidato a prefeito. Foi melhor esse se posicionar dessa maneira?

ADALBERTO – Gonzaga Patriota é um deputado independente. Estamos num país democrático. Ele disse primeiro que iria apoiar Odacy. Depois voltou atrás porque o próprio o PT, vereadores, não queria ela na base, então ele voltou e deixou o povo à vontade. Democracia é assim. As pessoas votam em quem quiser. Agora, aquelas pessoas que querem votar em mim, de Gonzaga, eu aceito de coração.

 

GAZZETA- E sobre o apoio do deputado federal e vice-prefeito licenciado Guilherme Coelho à pré-candidatura de Miguel Coelho?

ADALBERTO – Eu lamento porque acho que essa briga de Coelho nunca aconteceu em Petrolina. Eu nunca acreditei nessa briga de Coelho. A realidade é essa. A vontade deles é de mandar. Na posse do superintendente estavam todos lá, Ciro Coelho dr. Augusto, dr. Geraldo, todos lá, Guilherme. Estão tentando de todo jeito trazer o poder pra eles, mas todo mundo sabe qual é o meu estilo. Sempre tenho batido: acredito em Deus e no povo. E o povo está enojado. Vou dar o exemplo no impeachment da presidente Dilma. Tu acha que os filhos daqui votaram lá e não foi por interesse? Eu sempre digo que os políticos da nossa região, do Nordeste, principalmente de Petrolina jamais poderiam votar contra Dilma. Dilma e Lula mudaram o Nordeste.

ADALBERTO – Como fazer pra disputar a eleição de Petrolina e acompanhar a disputa em Afrânio?

ADALBERTO – Minha esposa está sabendo melhor do que eu, administrar. Eu sempre digo que para ser bom prefeito só bastam duas coisas: não roubar e não deixar roubar. Trabalhar com transparência. Prefeitura não tem mistério, é botar uma equipe de secretários competentes, botar pessoas de vergonha, selecionar como se seleciona pra casar.

“O PSOL é um diferencial para Petrolina”, defende Perpétua

Pérpetua

Depois de anos tendo como candidato a prefeito Rosalvo Antônio, o PSOL pode escolher uma mulher para disputar as eleições municipais deste ano, em Petrolina. Aos 55 anos de idade, Maria Perpétua Rodrigues é a única mulher a se apresentar como pré-candidata a prefeita. Conhecida principalmente por sua atuação como sindicalista, foi coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Seguridade Social do Estado de Pernambuco (Sindsaúde) por dois mandatos, e foi membro de diversos conselhos municipais. Perpétua já concorreu a Câmara por duas vezes, mas sem êxito. Em 1996 pelo PSTU e em 2012 pelo PT.

Ha três anos no PSOL, a mãe de três filhos, nove netos e uma bisneta, acredita que pode dar uma contribuição importante para Petrolina. Seu nome deve ser oficializado como candidata durante a Convenção Municipal do PSOL, que acontecerá no dia 23 de julho, às 18h, na Casa Plínio Amorim. Em entrevista ao Gazzeta, ela destaca sua preocupação com setores como saúde e transporte.

GAZZETASua pré-candidatura está confirmada? Tem conversado com outros partidos para formar alianças?

MARIA PERPÉTUA RODRIGUES – Estamos aguardando a convenção do partido. A gente ainda não conversou porque em Petrolina, estamos sem partidos que temos ligação, como o PSTU. Tem o PCB, mas eles ainda não identificaram se vão estar conosco nessa caminhada.

GAZZETA – E como o partido está analisando possíveis nomes para vice?

PERPÉTUA – Ainda estamos aguardando essa discussão. Até a convenção teremos isso definido.

GAZZETA – Há possibilidade de conversar com dissidentes de outros partidos da cidade insatisfeitos com os nomes colocados como candidatos a prefeito?

PERPÉTUA – Não. Nosso projeto não condiz. Discutimos sempre a questão do ecossocialismo, do socialismo, em busca de uma sociedade mais justa. Em nenhum momento esses partidos têm essa linha, para a gente não é viável essa composição.

GAZZETA – A senhora é a primeira mulher pré-candidata a prefeita. Que diferencial apresenta em relação a outros pré-candidatos?

PERPÉTUA – Primeiro como mulher, mãe, avó e bisavó, é para um projeto de democratização dos serviços e em defesa das políticas públicas para as mulheres. Temos que 51% da população petrolinense é mulher, e acho que é uma forma da gente manter um projeto de governo, fazer um diferencial. A população vai ter a oportunidade de poder colocar um novo projeto, e atentar para esse novo projeto, porque os passaram, o que está e o que estão propondo, não condiz com a necessidade da população, como a questão do transporte, que é um problema muito sério em nossa Petrolina, a questão da saúde pública, da educação, o meio ambiente, o nosso rio São Francisco agredido pelos esgotos, em pleno século 21. O que está funcionado a gente vai manter e melhorar.

GAZZETA – O PSOL é um partido que não costuma fazer muitas concessões para fazer alianças, como pretende conquistar mais espaço e ganhar mais visibilidade?

PERPÉTUA – Nosso trabalho é com a contribuição com os próprios filiados. A gente vai trabalhar na medida e dentro dos limites que nós temos. Tentar chegar a população com nossos meios, mesmo limitados, através da mídia, das reuniões em bairros com a população. Nosso projeto não é de governo, é de Estado, para hoje, amanhã e depois.

Temos que construir um projeto a curto prazo e a longo prazo. Não podemos administrar uma cidade para hoje, tem que ser para hoje, amanhã e depois. Existe uma necessidade. Vamos trabalhar e acredito que o PSOL é um diferencial para Petrolina, acho que nosso partido, defende uma sociedade justa, sem corrupção. Não vamos estar fazendo aquelas velhas práticas eleitorais, de estar pagando o cidadão para estar trabalhando. A gente vai ter a contribuição do cidadão que de fato quer a mudança para Petrolina.

GAZZETA – A senhora considera que é menos conhecida do que os demais pré-candidatos que já se apresentam, e que têm mandatos políticos?

PERPÉTUA – Não sou tão desconhecida em relação a questão de cargo público, mas eu tenho uma história no movimento Petrolina. Já fui coordenadora do sindicato (Sindsaúde) em nível estadual, por dois mandatos de coordenação geral, dei uma contribuição na questão das conferências municipais de saúde. Sempre estive participando nas conferências de saúde e segurança alimentar, que é uma área também que requer uma visão e um olhar.

Já fui membro do Conselho Municipal de Saúde. Coordenadora do Conselho Gestor do Cerest. É onde tem o espaço democrático de participação popular, mas existe um limite porque as deliberações que são votadas nos conselhos, geralmente, o Executivo não respeita, no governo que está ai. Estamos com esse diferencial, porque a gente vai incentivar a democracia dentro do contexto da população. A gente não vai governar para o povo, a gente vai governar com o povo. É diferente. A gente vai governar de baixo para cima, discutindo com o povo.

GAZZETA – O que a senhora considera que é hoje o principal problema enfrentado em Petrolina?

PERPÉTUA – Um dos problemas, além da saúde que é uma questão muito séria. Por exemplo, a saúde tem a questão preventiva, a promoção e a curativa. Na promoção há uma dificuldade muito grande, que o governo municipal podia ter mais soluções rápidas. Você está doente hoje, por exemplo, procura um posto de saúde, faz a consulta, mas os exames vai fazer daqui a três meses, quatro meses. Ultrassonografia daqui a um ano. Se eu estou precisando hoje, daqui a seis meses, ou vou estar morta, curada, ou vou estar pior. Isso tem condições de ter uma resolutividade.

Petrolina tem hoje uma população de 331 mil habitantes em média, e não tem um laboratório público, foi fechado. Desde 2011 a gente travou uma luta com essa questão do laboratório, foi aprovado no Conselho Municipal de Saúde a reabertura desse laboratório e não foi respeitada. Então, são coisas que podem ser resolvidas. A partir de um momento que uma gestão pública, se sou administrador do dinheiro e não tenho competência para administrar e passo para terceiros, isso inviabiliza o serviço. Porque terceiro é privatização, e só se preocupa com a produtividade.

Quando veio a questão da privatização do serviço, sabemos muito bem que não melhorou a questão da saúde de Petrolina. A questão do Dom Malan é um problema sério, a questão do Traumas (HU) é um problema sério, que está nas mãos de terceirizados. Existe uma precarização do serviço para os profissionais de saúde. Existem profissionais de saúde do Estado, do município, que agora é Federal, mas que na realidade é de uma fundação, de um instituto. Vem a questão da precarização dos trabalhos, que passa por salários diferenciados, carga horária diferenciada, cria desconforto dentro da área dos trabalhadores.

Em relação ao transporte público, que é outro problema sério em nossa Petrolina. Inclusive, a qualidade dos transportes a espera do transporte. O transporte público também faz parte da saúde do nosso povo. Saúde é o saneamento básico, é a moradia, é a educação, a geração de emprego e a geração de renda. O transporte público também é uma questão de saúde pública, porque você já vai estressado para o trabalho, volta com estresse de espera, ônibus lotados, qualidade de ônibus que não tem. Então, esse problema que cabe ao município fiscalizar, inclusive está no plano diretor, garantir um transporte de qualidade, com acessibilidade para a população, fiscalizar as empresas. Esse também é um dos pontos. Esse é um setor urgente.

A luta pela certificação das comunidades quilombolas

Márcia-Guena-(Foto- Abreu_Agência Multiciência)

Com 73% da população identificada como negra, pretos e pardos segundo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE), Juazeiro não tinha nenhuma área remanescente de quilombo certificada pelo estado brasileiro. Somente no mês de maio, a comunidade do Alagadiço recebeu a certidão da Fundação Cultural Palmares, conforme portaria 103 publicada no Diário Oficial da União. Situada a 18 km do centro de Juazeiro, a comunidade formada por 42 famílias desenvolveu, durante três anos, atividades de conscientização dos direitos sociais e de reconhecimento da identidade afro-brasileira até obter a certificação. Palestras, cursos de formação e exposições foram realizadas pelo grupo de pesquisa Perfil Fotoetnográfico das Populações Quilombolas da região do Submédio do São Francisco: Identidades em Movimento”, coordenado pela professora e Doutora em História, Márcia Guena, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, em Juazeiro. Segundo Márcia, o processo de certificação iniciou a partir do envolvimento da comunidade nas atividades para reafirmar a ancestralidade negra e africana. Com a certidão, as famílias podem solicitar a titularidade das terras em que estão localizadas e garantir a proteção dos territórios para as práticas culturais e religiosas. Em Juazeiro, outras 16 comunidades têm características similares às áreas remanescentes de quilombo. Na Bahia, 300 comunidades já receberam a certidão.

Para informações sobre a pesquisa, acesse o blog Quilombos e Sertões.

 Como foi realizada a pesquisa nas comunidades que podem ser certificadas como quilombolas?

Márcia Guena –  A pesquisa primeiro faz o levantamento da comunidade apontada como quilombola e apresenta a questão dos direitos que possui como área remanescente de quilombo. Se a comunidade tiver interesse em se autodefinir, auxiliamos no processo juntos com outras organizações como Associação dos Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR), Comissão Pastoral da Terra e Secretaria de Desenvolvimento e Igualdade Social de Juazeiro. A pesquisa é um processo lento, porque é necessário que a comunidade se reconheça como negra e quilombola. A pesquisa procurar despertar para o reconhecimento dos direitos das áreas quilombolas. Visitamos as famílias e fizemos trabalho de campo no Alagadiço há três anos, e só agora pode sair a certificação.

Quais as dificuldades na certificação?

Márcia Guena –  Existem hoje pelo menos 300 comunidades quilombolas no estado com certidão. Dessas, poucas conseguiram os títulos da terra, em função das disputas, seja devido a existência de famílias coronelistas que têm controle da terra, seja pela expansão do agronegócio. As comunidades certificadas recebem uma série de benefícios, mantidos por programas de auxílio à moradia, educação, cidadania, eletrificação rural, entre outros. Só que muita coisa que foi conquistada está sendo perdida pelo governo interino de Michel Temer. Por exemplo, a articulação pela titularidade da área quem fazia era o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), depois a titulação foi para o Ministério da Educação. O Ministro da Educação é comandado pelo Partido Democrata (DEM) que, junto com outros partidos, pediu o fim da certificação das terras quilombolas. Então, todo o processo de conquista está por um fio nesse governo interino. [No dia 27 de maio, o Decreto 8.780 transferiu a competência para regularizar as terras quilombolas para a Casa Civil].

Essas conquistas começaram quando? 

Márcia Guena –  Tem cerca de 15 anos a partir da criação da Fundação Cultural Palmares. Primeiro, é a certificação; depois, é o título da terra. Temos cerca de 2.660 comunidades quilombolas certificadas no Brasil. A certificação do território é a garantia de que elas não tenham o direito à terra usurpado e ninguém pode invadir aquele espaço porque tem o título da terra. Uma área certificada é uma área protegida, não pode ser invadida, pois qualquer intervenção é mediada pela polícia federal e não pode ser resolvida pela polícia local. A certificação representa um direito para essas populações negras que se mudaram há 200 anos. Elas estão ali, desde o pós-abolição, final do século XIX.

Como as comunidades começaram a se formar?

Márcia Guena –  Muitos africanos escravizados na pós-abolição permaneceram nas fazendas ainda com uma relação escravocrata com os seus donos, outros saíram. Mas onde eles iam morar? Se eles não tinham terra, trabalho, eles não tinham nada. Eles foram ficando em alguns lugares, onde eles sofriam muito preconceito, racismo. Então, eles buscaram áreas para morar, plantar e sobreviver.  Assim, foram se formando os quilombos. Hoje, o que se chama de quilombola são áreas de terra de “Preto Santo”, onde as pessoas vivem por solidariedade, laços familiares e conseguem sobreviver.

Por quê é necessária a certificação?

Márcia Guena –  Essa certificação de terra quilombola foi uma vantagem para as populações que vivem de forma tradicional há muitos anos e não têm o título da terra. Foi uma forma de reconhecer os direitos dessas populações que foram negados, como a titularidade da terra. O Estado brasileiro reconheceu direito à terra para a população estrangeira que migrou para o país, mas não deu para a população negra saída da escravidão.

Quais seriam as dificuldades encontradas para a certificação?

Márcia Guena –  Hoje, uma das dificuldades encontradas é a informação dos direitos da comunidade.  A certificação é um processo relativamente simples. A questão principal das comunidades quilombolas é ter acesso à informação. As comunidades de Juazeiro não conheciam os seus direitos, sabiam de forma muito incipiente, mas não tinham a dimensão política desse direito. O Ministério do Desenvolvimento Agrário tinha uma relação de 17 comunidades quilombolas juazeirenses, mas elas não se auto-afirmavam como quilombolas. São todas comunidades de origem negra, com memórias da cultura afrodescendente e que mantém manifestações culturais como O Samba de Véio, o samba de lata e os resquícios de religião afro-brasileira. São comunidades formado por negros, indígenas. Uma ou outra tinha tentado a certidão, mas quase nenhuma tinha procurado garantir o direito à certificação. Já em Senhor do Bonfim, existem 16 comunidades certificadas. Em Juazeiro, agora tem o Alagadiço. Mas foi um processo lento durantes esses três anos, com palestras, cursos de formação, oficinas de fotografia, reuniões em outras comunidades, exposições fotográficas. Todas essas ações foram feitas para a comunidade implementar seus projetos para as 42 famílias que vivem na comunidade

As comunidades recebem algum tipo de ajuda do governo brasileiro?

Márcia Guena –  Quando a comunidade é certificada, ela passa ter um série de incentivos, a exemplo do programa Brasil Quilombola. Agora, com essa nova administração do governo não sei como irá ficar. Existem programas para a pequena agricultura familiar, pequeno agricultor, para construção de casas, escolas, posto de saúde. A área quilombola é uma área protegida pelo estado, no sentido da subvenção com o auxílio dos ministérios. Com essa nova configuração política, isso tudo pode mudar e não se sabe como vai ficar.

Márcia-Guena-(Foto-Eduarda-Abreu_Agência Multiciência)O juazeirense se reconhece como quilombola?

Márcia Guena –  O juazeirese não é um quilombola, são as comunidades apontadas com quilombolas que temos pesquisado. Algumas se reconhecem outras não, mais isso é um processo de autorreconhecimento, muitas comunidades desconheciam a legislação. Então, é um problema do poder público apresentar o direito para essas comunidades, ao conhecer o direito elas passam a despertar interesse para essa discussão. A pesquisa na verdade só se aprofunda no processo de certificação, se a comunidade tiver interesse nisso.

Quais são as etapas para a certificação?

Márcia Guena –  Para a certificação formal, é preciso formalizar um documento e depende do envolvimento e consciência da população negra de origem quilombola. Algumas comunidades formadas por negros não são puras, são de origem indígenas e existem lutas internas que eles travam. Quando a comunidade quer ser reconhecida, percebo que é um processo de consciência de ter o seu espaço.  Um processo que demora anos. O grupo de pesquisa não procura as comunidades. Elas nos procuram para obter informação. Fazemos a apresentação, o panorama da legislação e palestras sobre essa conceituação. Elas devem ir em busca dos seus direitos, é um processo de amadurecimento.

Quais são os legados dessas comunidades quilombolas?

Márcia Guena –  O primeiro legado é a origem negra, o passado de origem africana; o segundo é a resistência de várias expressões culturais, como o Samba de Véio, samba de lata, as rodas de são Gonçalo.  O samba está presente nas festas católicas, nas cantorias, nas expressões miscigenadas de origem portuguesa e africana. A linguagem, a memória e a religiosidade afro brasileira também são legados, apesar do catolicismo e das religiões neopentecostais. São as grandes forças desse legado.

[T] Ilana Ingrid/Agência Multiciência

[F] Eduardo Abreu/Agência Multiciência

“Falar em golpe é uma plataforma equivocada”, afirma José Nivaldo

Carismático, enfático e dono de uma comunicação eloquente que chega a convencer quase todos que o escuta.  Essas são algumas das características do advogado, historiador, publicitário e membro da Academia Pernambucana de Letras, José Nivaldo Junior. Autor do best-seller “Maquiavel, o Poder” (Ed. Martin Claret), Zé Nivaldo, como muitos gostam de chamar, acumula a mais de 40 anos, a chancela de marqueteiro político.

Nessa entrevista, ele afirma que o perfil do político para as eleições municipais em outubro passa pelos critérios de austeridade, honestidade e confiabilidade. Depois de uma conversa bem afinada pelas redes sociais, Zé Nivaldo responde a alguns questionamentos sobre o momento político no Brasil, a estratégia de renascimento do PT, a formação do ministério do presidente interino, Michel Temer, e a participação de Pernambuco na composição.

Você diz que é “hora de parar de falar em golpe”. Houve um golpe contra a presidente Dilma Rousseff?

José Nivaldo – Não houve, nem está em curso no Brasil nada que sequer lembre um Golpe de Estado. Existe uma crise múltipla-política, econômica, ética e até mesmo institucional, que está sendo resolvida dentro dos marcos e ditames constitucionais. Falar em golpe é uma plataforma equivocada de propaganda e defesa, que nem ajuda a Presidente, só agora transformada em ré, nem a democracia.

Por que alguns especialistas dizem que as pedaladas de Dilma não são desvios tão absurdos que possam levar um presidente ao afastamento?

José Nivaldo – Eu não falo pelos outros. Porque eles dizem é com eles. Se as ditas pedaladas, que são descumprimentos da lei fiscal, constituem ou não crime e motivos para o afastamento de Dilma, será objeto do processo instalado agora no Senado. E de acordo com a Constituição, os senadores, por maioria qualificada, são os únicos que estão aptos a decidir sobre a matéria. E assim será feito, conforme a lei.

As mulheres não levantaram nenhuma bandeira feminista a favor da jurista Janaina Paschoal, autora do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A que você atribui este fato?

José Nivaldo – Realmente, não sei. E não considero relevante misturar causas feministas com assuntos constitucionais. Como também não considero motivo de críticas ter um ministério formado por critérios de sexo, raça ou altura dos seus integrantes.

 

Michel Temer montou um ministério com a participação de alguns políticos que estão envolvidos na Operação Lava Jato. Não existia outro caminho?

José Nivaldo – Claro que existia outro caminho. Mas é preciso considerar a lei. Todo brasileiro é inocente até condenação transitada em julgado. Agora, em minha opinião, todo político acusado deveria se afastar de cargos públicos até o completo esclarecimento da acusação. Mas esta é uma opinião pessoal. Nada existe na lei a esse respeito. Logo, tudo está nos conformes até agora.

O presidente interino, Michel Temer, não falou até agora em Reforma Política. Vai conseguir governar e evitar corrupção de tráfico de influência, loteamento de cargos públicos e cobrança de propina dentro do governo?

José Nivaldo – A reforma política é absolutamente necessária. É a mãe de todas as reformas. Sou favorável a uma Constituinte exclusiva para tratar desse e de outros assuntos de interesse nacional. Mas convenhamos que Temer assumiu interinamente, com muitos desafios imediatos e não seria inteligente nem adequado tratar agora de reforma política. Ele tem 180 dias para provar que pode botar o país nos trilhos. Essa é a prioridade do momento.

Pernambuco sempre foi um estado predominantemente pró-PT. Hoje, depois de São Paulo é o Estado com mais ministros no governo interino de Michel Temer. O que isso quer dizer?

José Nivaldo – Pernambuco tem uma tradição de fornecer ao país grandes homens públicos, nesse caso, homens mesmo (rs). Temer escolheu políticos qualificados e representativos para formar o seu ministério de transição. O Estado de origem não foi critério para a escolha de ninguém.

E tem espaço ainda para o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)?

José Nivaldo – Jarbas é uma figura nacional, respeitada e reconhecida. É hoje a maior reserva moral do País. É o que antigamente se chamava “pai da pátria”. Pode ser convocado a qualquer momento para qualquer tarefa institucional.

Depois de todo o desgaste, e agora, o que será do PT?

José Nivaldo – O PT nacional vai purgar os erros cometidos por seus dirigentes. Mas em cada Estado, em cada localidade, existe um PT com seus próprios traços que nem sempre estão contaminados pelos equívocos do grupo que dominou a sigla. Se eu pudesse opinar nesse processo, a estratégia de renascimento começaria exatamente das bases, onde estão os militantes sem vínculos com os equívocos da cúpula.

Qual o cenário das eleições municipais em outubro desse ano?

José Nivaldo – Ainda é cedo para saber qual o recado que o eleitor dará nas urnas. O tecido econômico, social e político está muito sensível e muita coisa ainda vai ocorrer até outubro. De uma maneira geral, austeridade, honestidade e confiabilidade serão critérios importantes para pautar os perfis e os discursos dos candidatos que, em tese, terão mais chance de êxito. Muita água ainda vai correr, mas esses elementos deverão estar presentes no pleito.

O que se espera desse processo político que estamos passando?

José Nivaldo – Vou dizer uma frase óbvia, mas que tem sido muito esquecida neste momento: Tudo o que é feito dentro da lei é legal. O processo em curso é democrático e mantido nesse padrão vai fortalecer a democracia, queiram ou não queiram aqueles que acham que a lei só é boa quando favorece o seu grupo ou atende aos seus interesses.

[T] Teresa Leonel *Especial para o Gazzeta              [F] Arquivo Pessoal

“Daniel é muito mais mudança que qualquer outro”, diz Osvaldo

Osvaldo-CoelhoEm 2006, quando tentou renovar o mandato na Câmara dos Deputados, Osvaldo Coelho (DEM) obteve pouco mais de 72 mil votos, quantidade insuficiente para lograr êxito. Quatro anos mais tarde, uma nova tentativa, resultaria em uma votação bastante inferior, pouco mais de 35 mil. A saúde física já não permite um novo embate eleitoral em 2014, no entanto, a experiência de mais de 40 anos exercendo mandato eletivo o alçou à condição não apenas de um reconhecido articulador político, mas de um analista político privilegiado. E, com frequência, aliados políticos e eleitores o procuram.

O Gazzeta do São Francisco esteve com o ex-deputado federal e empresário na manhã de quarta-feira (21) para uma conversa que passou por diversos assuntos. “Pode perguntar tudo. Para mim não tem nenhuma inconveniência”, disse Osvaldo Coelho, logo no início. Claro, não poderia faltar o cenário político pré-eleitoral, mas também sobrou tempo para a Copa do Mundo e as manifestações populares.

GAZZETA – Até o momento, além de Fernando Bezerra Coelho (PSB) há a pré-candidatura ao Senado, do deputado federal João Paulo (PT). Como fica sua situação para escolher em quem votar?

OSVALDO COELHO – Os romanos antigos, antes de Cristo, usavam uma expressão muito sábia: Política, ó quanto podes! Compreendeu? A política pode muita coisa. No cenário de hoje são esses os dois candidatos, um ligado a Dilma, que não é minha religião, e o outro é Fernando que também não é da minha religião, então o companheiro entende minhas dificuldades. Estou ouvindo amigos para que possa tomar posições.

Na minha visão, Daniel Coelho [deputado estadual do PSDB] seria uma candidatura favorita ao Governo do Estado. Até hoje pensava nisso. Começo a esmorecer essa possibilidade, mas lutarei até as últimas forças por isso. Tenho falado com José Agripino [presidente nacional do DEM] e devo me encontrar com Aécio [Neves, pré-candidato do PSDB a presidente da República]. Ele disse que me encontrará quando vir a Recife. Eu quero adverti-lo sobre isso [apoio do PSDB à pré-candidatura de Paulo Câmara, do PSB].

Política é um pouco feeling. Em política o camarada tem que enxergar além do nariz. Eu enxergo que Daniel seria um candidato bom. Isso é o que eu entendo, Guilherme entende, mas muitos companheiros não entendem. E eu tenho até a meu favor alguns sucessos, não é? Um dia estava Lula de um lado, o governador, o prefeito, Fernando, e eu parti com Lossio. Feeling! Acertei. Estava Ciro querendo ser candidato e eu disse não. Esse escritor que morreu agora, Gabriel Garcia Marques, dizia que a sabedoria só bate à porta da pessoa quando ela já não pode usá-la. Quer dizer, quando você está idoso, quando não tem mais energia, que ninguém acredita mais nele porque é velho, que não tem mais dinheiro. Então, são coisas que…  sabedoria hoje vale por muitos, mas não chega na metrópole para ser mais ouvido.

GAZZETA – E se o PSDB não tiver candidato?

OSVALDO COELHO – Osvaldo Coelho está numa miscelânea difícil. Só não vou ficar no meio do muro. Preciso ouvir os amigos, não vou sair sozinho. Tenho que fazer um pouco de exercício democrático para tomar essa decisão. Mesmo porque tenho tempo.

GAZZETA – O senhor chegou a ser consultado antes do DEM oficializar o apoio à pré-candidatura de Paulo Câmara? Mendonça Filho conversou com o senhor?

OSVALDO COELHO – Conversamos sobre isso, mas não houve essa consulta toda. Geralmente uma executiva do partido se sente com poderes de muita decisão, mas isso não me castra de concordar ou discordar delas. Conversamos bastante, ele disse das conveniências de fazer a aliança com Eduardo e eu adverti que não era saudável.

GAZZETA – Qual o seu sentimento quando ele lhe comunicou?

OSVALDO COELHO – A minha posição foi lutar por um candidato próprio como continuo lutando. Sou inconformado com esta aliança que foi feita, mas sou homem de partido, homem de grupo e tem hora que você está num beco sem saída. Dizem que todo beco tem saída, mas tem beco que não tem saída.

Acho que se o Daniel fosse candidato contando com o Democratas e o Solidariedade, a candidatura seria tão boa que seria melhor até para os candidatos proporcionais. Se você fizer uma pesquisa, as pessoas querem mudança e Daniel é muito mais mudança para o povo que qualquer outro candidato.

GAZZETA – Nas eleições anteriores em que o PSDB apresentou candidato a presidente da República, o senhor apresentou algumas demandas da região. O senhor já conversou com Aécio Neves?

OSVALDO COELHO –  Ele já está sabendo que eu tenho. Ele disse que eu não fosse a Brasília, que ele me receberia em Recife. Ele vai chegar em 16 de junho e está me prometendo um espaço para eu falar um pouco sobre as nossas inaceitações da União.

GAZZETA – O que o senhor achou das declarações de Guilherme se colocando à disposição para uma disputa eleitoral numa chapa majoritária do PSDB?

OSVALDO COELHO – Acho que Guilherme jogou bem dizendo isso para dizer o seguinte, eu sou pelo terceiro candidato, e até se precisarem de mim para correr risco estou à disposição. Uma coisa é dizer entre no fogo, mas eu não entro, outra coisa é eu dizer se você entrar no fogo, também entro. Jogou bem com essa manifestação. Ele não quis ser, ele disse, se para acontecer isso precisar disso, até isso eu estou disposto. Ele não foi atrás.

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GAZZETA – E uma eventual disputa proporcional?

OSVALDO COELHO – Acho que Guilherme está preparado para ser deputado federal. Acho que o Sertão precisa, mas o juiz disso não sou eu é ele, eu estou trabalhando a cabeça dele para dizer que ele tem deveres. Agora quanto a ao time de ele ser candidato, não passou. Com essa história de Copa, ninguém vai fazer política misturada com Copa. Petrolina é uma cidade bem preparada para votar, não faz diferença quem começou mais cedo ou começou mais tarde [a campanha]. Petrolina vota escolhendo o melhor. Acho que ele não perdeu nada até agora.

GAZZETA – O prefeito Julio Lossio (PMDB) ainda não definiu quais candidatos vai apoiar, diferente da oposição. O prazo não está se esgotando para essas definições?

OSVALDO COELHO – Estou de acordo que está se esgotando, mas não se esgotou.

GAZZETA –  O prefeito não poderia acelerar esse processo?

OSVALDO COELHO – Eu converso muito com o prefeito e o prefeito tem consciência que o dever dele é administrar e na hora da eleição ele tem algumas liberdades que vai usar, mas ele não vai perturbar nada que diz respeito à eleição. O que eu quero do prefeito é que ele cada vez mais administre melhor. O prefeito é vítima de certas coisas que ninguém espera. Ganhou a eleição com 18 mil votos, soberano. Ontem, caiu o oitavo processo de cassação  [votação no TRE]. Então quem perdeu a eleição, quem não teve voto, tem a petulância de querer governar Petrolina. É no grito, é na justiça, só não é no voto!

GAZZETA – Pelo que o senhor coloca, o prefeito não vai atrapalhar nenhum processo de escolha de candidatos?

OSVALDO COELHO – Eu tenho com ele uma linha  que chamei de Traçado de Tordesilhas, [lembrando o Tratado de Tordesilhas assinado entre Espanha e Portugal delimitando as áreas que pertenciam a cada país na então América do Sul]. Ele sabe até onde vai e eu sei aonde vou, sem perturbar.

GAZZETA – Então o candidato a deputado e o prefeito pode não ser o mesmo do senhor?

OSVALDO COELHO – É, pode ser.

GAZZETA –  Apesar de o senhor dizer que ainda tem tempo, a demora fez o prefeito perder um aliado. O vereador Pérsio Antunes (PMDB) foi para o grupo de Fernando Bezerra Coelho.

OSVALDO COELHO –  Eu não sei se o errado foi Julio ou foi Pérsio. Será que o povo sabe por que ele brigou com Julio? Você sabe ou não? Por que se desentenderam?

GAZZETA – Pérsio queria que Lossio o apoiasse na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Depois da Copa haverá tempo para essas definições? 

OSVALDO COELHO – Tem muita gente em política que é um pouco amador, sem experiência. Um candidato sairia a deputado estadual do nosso grupo, sem eu saber? Como Pérsio vai a Julio e não vem a mim? Quem errou? Pérsio entrou ali muito pela minha mão. Ele era vice-prefeito de Campo Alegre de Lourdes, era candidato a prefeito. Eu o chamei cuidadosamente  para vir pra cá, ele veio. Aí na hora que tem uma aspiração ele não sabe que eu sou amigo de Julio  e que nós vamos decidir isso? Por que não me disse uma palavra? Se ele me dissesse, eu ia agora pelo lado dele e talvez ele fosse o candidato. Quem errou foi ele. Gosto muito dele, mas acho que nesse episódio ele foi apressado.

GAZZETA – Em momento nenhum ele conversou com o senhor?

OSVALDO COELHO – Ele nunca falou comigo, só Julio. Foi líder de Julio quatro anos como um gigante. Não sei se Pérsio… Ele fez umas declarações. Ficaram desajeitadas as declarações dele. Ele gosta de todo mundo…

GAZZETA –  Outro nome que tem sido colocado como pré-candidato é o do também vereador Ronaldo Silva (PSDB). Ele conversou já com o senhor?

OSVALDO COELHO –  Esse já conversou, já falou com Guilherme. Mas tudo isso é começo. Você para ser candidato, primeiro tem que saber se quer, depois tem que fazer articulações para mostrar que é candidato e que tem potencial para depois chegar e ser batizado lá em cima, não é lá em cima que o sujeito é nomeado deputado. Nunca foi assim. Sempre começa o camarada com vontade trazendo forças e demonstrando que tem potencialidade. O que Ronaldo está fazendo é isso mesmo, dizendo que tem vontade demonstrando forças e chegando perto das lideranças para pedir apoio. Ronaldo está no caminho certo, não é começar de cima me dizendo, me nomeie deputado estadual. Não é assim.

GAZZETA – Um outro nome ventilado é o do nome da primeira-dama, Andrea Lossio, que inclusive apareceu nas inserções do PMDB, veiculadas recentemente.

OSVALDO COELHO – Julio me nega categoricamente qualquer coisa nessa direção. Pra mim e para a imprensa.

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GAZZETA – Analisando as duas gestões do prefeito Lossio, o momento atual é talvez o mais delicado porque há uma queda na popularidade do prefeito, a realização do São João está sob investigação da Polícia Federal, há uma judicialização do resultado eleitoral de 2012.

OSVALDO COELHO – Julio está chegando perto de 10 mil casas populares. Não foi ele que fez, ele cria condições, facilita, então a prefeitura é importante no processo de habitação popular. Esse programa é o maior do Norte-Nordeste.

Julio, sai da sua cabeça o projeto chamado Nova Semente. Um grande projeto de efeito social, educacional de repercussão internacional até. Está inaugurando a 10ª. AME. Dia 8 é a de Rajada, há poucos dias atrás foi no N4. Essa AME é quase um hospital. É obra dele.

Julio teve o gesto de pegar o Hospital de Traumas e  entregar à universidade. Isso é gestão boa. O Hospital Dom Malan era gestão municipal, o governo do estado não dava dinheiro. Ele disse toma que o filho é teu, porque o hospital é regional e o hospital passou a receber dinheiro estadual. Isso é gestão de saúde louvável. Não estou dizendo que tudo vai bem não, mas aqui ficou quieto esse problema de saúde.

Julio parte para o problema das casas que pertenciam a todo mundo e não pertenciam a ninguém. Faz a compra e por isso paga o preço de perder o mandato porque cuidou da pobreza. Pegou um problema secular, comprou e na hora de concretizar o negócio vem o processo eleitoral, como se aquilo fosse responsável pela eleição ele.

A cidade está limpa. Julio vai cobrir dez quadras esportivas este ano. Ontem estive a visitar a Secretaria de Educação. Ele fez uma reforma física que recomendo a vocês visitarem e arranjou um espaço no Centro de Convenções. Acho que Julio vai bem.

GAZZETA – Com que frequência o senhor fala com Julio Lossio?

OSVALDO COELHO – Nós sempre conversamos domingo à noite. Nesse último domingo ficou formalizado que irei todo domingo lá para gente conversar. Não passo de conversas. Eu não entro no gabinete da prefeitura dele, não sei quem são os secretários. Eles apenas têm dever de cuidar da administração porque para isso ele [Julio Lossio] foi eleito.

GAZZETA – E sobre a investigação da Polícia Federal?

OSVALDO COELHO – Esse negócio de denúncia a gente tem que ser cauteloso. Andreazza era tido como maior ladrão do mundo. Conseguiu fazer o Nilo Coelho em quatro anos; uma obra heroica e morreu na indigência. Depois de morto, criou-se um centro ali no Senai com o nome de Andreazza. A viúva disse mande a passagem que não tenho dinheiro. Morreu no Sírio Libanês sob a proteção de amigos. Estou dizendo que essa coisas têm que ser olhadas com certa cautela. Denunciar é uma coisa, julgar é outra e consagrar é outra. Só peço essa cautela. O que vejo em Julio é obstinação. Tem uma pesquisa do PMDB dizendo que menos de 20% das pessoas se interessam por política, o resto vota pensando que votar é o direito de votar; não sabe que votar é o direito da escolha. Há uma diferença grande entre votar e escolher. E muitas vezes o voto é meio doido. Uma vez estava cortando a unha e tinha uma mocinha assim. Ela disse, votei em Fernandinho porque é novinho, bonitinho. P… [soltou um palavrão]! O voto vai pra quem é novinho e bonitinho?

GAZZETA – E se não fosse obrigatório?

OSVALDO COELHO – Tem que ser obrigatório, para botar esse povo para votar, nem que seja pra votar errado.

[T] Geovani Siqueira

“Sempre tive vontade de entrar para a política”

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Filho do ex-ministro e pré-candidato a senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) e irmão do deputado federal Fernando Filho (PSB), Miguel Coelho, 23 anos, formou-se advogado em 2013. Iniciou Pós-Graduação em Direito Empresarial, na Fundação Getúlio Vargas, mas trancou o curso no início deste ano, para dedicar-se a pavimentar as bases da futura campanha eleitoral. Integrou a Força Jovem do PSB, participou da coordenação de campanha de Fernando Filho nas eleições de 2010 e em 2012, na campanha do irmão à prefeitura de Petrolina. Agora pretende dar novo impulso a presença histórica da família na política em Pernambuco, concorrendo a uma vaga no Palácio Joaquim Nabuco a partir de 2015.

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – A questão é quase irrelevante, dado o histórico familiar, mas porque você decidiu ingressar na política?

MIGUEL COELHO – Primeiro, foi uma convocação do nosso grupo, o grupo do ex-ministro Fernando Bezerra, do deputado federal Fernando Filho. Em 2010 nós apoiamos três candidatos – Odacy Amorim, Adalberto Cavalcanti e o ex-deputado Ciro Coelho, infelizmente Ciro não conseguiu a eleição – e tendo em vista que dois ‘pularam’ recentemente, a gente estava sem deputado estadual. Tivemos várias reuniões internas, não só aqui, nosso grupo de Petrolina, nossos vereadores, mas nas cidades que nos apoiam – Dormentes, Ouricuri, Santa Filomena, Santa Maria. A gente fez uma grande consulta e o nome que teve mais indicação, mais unanimidade, de certo modo, foi o meu.

Quem me conhece sabe que sempre tive vontade de entrar para a política. Sempre que pude participei de política, ou em campanhas do meu pai, ou em campanha de Fernandinho. Como a oportunidade surgiu de colaborar com o povo de Petrolina, com o povo sertanejo, aceitei esse desafio.

GAZZETA – Por que concorrer agora, para a Assembleia Legislativa do Estado, e não antes, à Câmara de Vereadores, por exemplo?

MIGUEL COELHO – Em 2012 eu ainda não estava formado e lá em casa tem uma regra: só pode entrar para a política depois que estiver formado. Eu não ia fugir dessa regra. Não pude participar como candidato – foi especulado eu ser candidato a vereador, na chapa do meu irmão – então, participei da coordenação [da campanha] que era uma forma de eu estar mais próximo, uma forma de Petrolina me conhecer um pouco mais, uma forma de me apresentar, óbvio que mais recluso, porque você fica atrás das cortinas, mas foi uma forma de participar, estar junto de Fernando Filho, dos nossos vereadores, de conhecer um pouco mais as demandas de Petrolina, que são muitas. Agora surgiu essa oportunidade e a convocação do nosso grupo.

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GAZZETA – Você terá alguma bandeira de luta em particular?

MIGUEL COELHO – A gente tem escutado muito a população, mas eu, por ser jovem, e por ter estudado recentemente, acredito que a educação é uma porta de entrada e de saída para os nossos jovens. É através da educação que a gente consegue fazer as verdadeiras mudanças que a população quer, que a população deseja.

A gente tem que reconhecer o trabalho feito aqui em Pernambuco, pelo governador Eduardo Campos e agora, pelo governador João Lyra. Pernambuco, de 2007 a 2013 reduziu a evasão escolar em mais de 65%. Em 2007 tinha 13 escolas em tempo integral e escolas de referência, hoje são mais de 230. Educação você precisa de duas coisas: precisa de estrutura para nossas crianças, precisa de professores qualificados, precisa valorização da profissão. Foi feita uma parte, mas não foi feito o suficiente.

Dentro da educação quero defender essa valorização dos professores para que eles tenham o reconhecimento que merecem. A gente também tem que incentivar uma nova geração de professores. É raríssimo você ver um jovem querendo seguir a profissão de professor. Isso é um alerta, que está ligado, para mim como representante do povo que desejo ser, como também para todos os outros que são representantes do povo e devem alertar quanto a isso. Não adianta ter aluno, uma escola bonita, livros bons, mas não tem professor para educar.

GAZZETA – Como você analisa a disposição do agora ex-governador Eduardo Campos em concorrer à presidência com um discurso de oposição, tendo ele sido aliado da presidente Dilma Rousseff?

MIGUEL COELHO – Primeiro, a recepção a ele é muito acalorada, o nome é muito bem aceito. Óbvio, quando você não está no governo você já vira oposição automaticamente. Mas o [ex]governador tomou essa decisão pelo motivo de não ter espaço, não ter diálogo com o governo. A gente mal podia dar nossas colaborações, porque era muito restrito. A gente participou, temos um grande respeito pela presidente Dilma, até porque meu pai, Fernando Bezerra foi ministro dela, é uma excelente pessoa, mas vimos que aquilo que foi prometido em 2010 na campanha presidencial não foi cumprido em tudo.

A gente vê que a economia tem dado sinais que não está bem, o medo da inflação volta às casas, é só você ir ao mercado e vê a preocupação com o preço, isso assusta a população. A indústria não cresce, nosso PIB desde 2011 vem crescendo menos. NO ano passado foi 1,5%, dentro do BRICS [Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que juntos formam um grupo político de cooperação] a gente foi o menor e a gente tem perdido, por conta desse crescimento baixo, investimentos. A gente vê que o povo quer mudança e o nome do nosso ex-governador Eduardo Campos surge para ser uma nova esperança, uma nova liderança nesse campo político, para levar o Brasil de volta ao rumo que todos os brasileiros e brasileiras desejam.

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GAZZETA – E como lida com as críticas, como por exemplo, o fato de ser estreante na política?

MIGUEL COELHO – Lido muito bem com crítica. Crítica faz bem pra a gente. Óbvio, tem umas críticas que exageram, até porque não são críticas, são baixarias que chegam a fazer com nosso nome, mas me dou bem. Quanto a ser jovem, todo mundo tem um ponto de começo. Sou advogado, comecei com 22 anos. Surgiu a oportunidade de servir ao povo com 23, vou ter 24 na eleição. Se a pessoa está pronta, sabendo a responsabilidade que vai cair nos seus ombros, tendo cuidado com o bem publico, com o que é do povo, sabendo lidar com isso, tem tudo para dar certo na vida pública. O que não pode ter é desvio de conduta, o que não pode ter são atos que vão contra nossa lei. Isso a gente não pode aceitar nem em um estreante, nem em um político experiente, e não só na política, em qualquer ramo.

GAZZETA– Quando questionados, seu pai, o ex-ministro Fernando Bezerra, e seu irmão, o deputado federal Fernando Filho, são reticentes em fazer uma análise sobre a atual condução da administração de Petrolina. Como você avalia a condução do governo municipal em Petrolina?

MIGUEL COELHO – Sempre andei em Petrolina e o que tenho percebido é que o povo está cansado de ‘promessa verde’, o povo quer obra madura, quer ver obra real e isso a gente tem visto pouco da atual administração. A atual administração é muito boa em falar de passado, porque tudo que tem de ruim eles culpam o prefeito que governou esta cidade dez anos atrás, mas eles que estão há sete não sabem assumir que não tiveram ou a competência, ou então a vontade de fazer, porque quem está na máquina da prefeitura há sete anos tem todas as ferramentas, tem os recursos. Ele que diz ser aliado de Dilma hoje, mas que foi coordenador da campanha de José Serra em 2010 e amigo do vice-presidente Michel Temer tem todo o acesso a Brasília para conseguir os recursos. Petrolina já foi a cidade que mais captava recursos do Governo Federal na época de Fernando Bezerra. Hoje a gente não vê esse recurso todo aqui. Petrolina já foi a cidade entre as 100 melhores de se viver e trabalhar, hoje não é mais. Petrolina já teve obras estruturantes, Avenida da Integração, duplicação da Monsenhor, shopping center, o Centro de Convenções, Hospital de Traumas, escolas nos bairros. O povo do interior tinha atendimento básico, tinha posto de saúde perto. Hoje não tem. Você tem localidade no interior que o povo tem que se socorrer em Dormentes. Esse é o reflexo que vejo da atual administração. Ele tem que parar de querer culpar o que no passado não foi feito ou foi feito e ele só fecha os olhos porque não querem reconhecer que foi feito e devem agir mais. Quem está sentado na cadeira de prefeito deve se responsabilizar e cuidar da cidade. Esse é o papel do prefeito e não ficar apontando o dedo para A, para B ou para C.

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GAZZETA – Sobre o fato de ter de disputar votos com Lucas Ramos e Vilmar Cappellaro não será um desafio a mais?

MIGUEL COELHO – Não. Como eu disse, em 2010 a gente teve, dentro da Frente Popular cinco candidatos. Tivemos Odacy, tivemos Adalberto, tivemos Ciro, tivemos Isabel Cristina e o próprio Vilmar. Cristina não se elegeu, mas teve espaço para Adalberto e para Odacy. Lucas é meu amigo e esse negócio que estão dizendo, que estamos brigados, que a gente vai brigar, é intriga da turma de lá. Acho que tem briga é do lado de lá, porque tem secretário, ex-secretário, ex-assessor doido para ser candidato. Do lado de cá não tem briga. O pai de Lucas, o ex-secretário Ranilson Ramos tem serviços prestados em Petrolina, no interior do Estado, ele tem como mostrar trabalho, assim como eu tenho o trabalho a ser mostrado pelo ex-ministro Fernando Bezerra, pelo deputado Fernando Filho. E Vilmar já mostrou que teve uma bela votação aqui em Petrolina, teve nove mil votos na última eleição. Tem espaço para os três e vamos trabalhar muito para que os três possam ser os próximos representantes de Petrolina na Assembleia a partir do ano que vem.

[T] Jean Carlos

“Nosso nome foi respaldado na necessidade de mudança”

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Administrador de empresas, pós-graduado em Comunicação pela ESPM (SP), Lucas Ramos, 28 anos, também compartilha um histórico familiar ligado à política: seu pai, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), Ranilson Ramos, ingressou na política ao ser eleito vereador de Petrolina, aos 25 anos de idade, numa caminhada que inclui passagens pela Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) e pela Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária de Pernambuco, além do cargo de deputado estadual, mesmo objetivo que filho buscará em 2014. Além de presidente da executiva provisória do PSB em Petrolina, Lucas preside a Juventude do PSB.

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Ingressar na política foi uma decisão natural, dado seu histórico familiar?

LUCAS RAMOS – Nós acompanhamos a vida política do meu pai durante os 28 anos de vida que tenho. Meu pai ingressou na vida pública, como vereador no município de Petrolina em 1982. Em 1986, quando nasci, meu pai buscava uma vaga de deputado estadual na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Por coincidência, ele tinha 28 anos, a mesma que eu tenho hoje. De lá para cá, eu não sei fazer outra coisa, não sei ver outra coisa a não ser meu pai trabalhar, meu pai se doar e transmitir essa mensagem de ajuda, de gratidão, por todo esse tempo que ele dedicou à vida política. Tenho a preocupação de colocar essa candidatura nossa como uma candidatura com personalidade. Não é o filho de Ranilson quem está se candidatando, é Lucas Ramos, que também é filho de Ranilson. Não podia ser diferente, a gente conviver com um político dentro de casa e querer fazer outra coisa. A gente se encanta com a possibilidade de ajudar o próximo, então isso nos coloca no caminho natural de buscar seguir os passos que foram seguidos pelo meu pai, que foram seguidos pelo meu avô.

Meu avô teve a preocupação de dar ao meu pai, educação, não só a meu pai, mas a toda a família, garantir os estudos, a faculdade, e meu pai transmitiu isso para a gente, essa importância que é terminar um curso de graduação antes de pensar em ingressar na vida política.

Sempre trabalhamos com política, na articulação. Particularmente, me envolvo com campanhas, com a parte operacional, desde 2006 – quando meu pai era coordenador da campanha de Eduardo Campos eu fui colaborador. Nós tivemos participação na campanha de 2006 de Eduardo Campos, na campanha de reeleição de Campos em 2010 e isso num universo de 56 municípios que compõem o sertão do Estado. Isso nos colocou em constante contato com prefeitos, vereadores, lideranças, presidentes de bairros e associações, e isso vai criando uma rede de relacionamento que hoje a gente está ativando para que possa montar uma equipe de trabalho, do tamanho do Estado de Pernambuco, para falar e levar a nossa candidatura a deputado estadual.

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GAZZETA – Por que disputar uma vaga na Assembleia Legislativa e não concorrer, por exemplo, à Câmara de Vereadores?

LUCAS RAMOS – Pelo momento em que a gente vive hoje, em que 60% da população brasileira clama por mudança, deseja mudança, agravado pelo fato da Frente Popular ter ficado sem nenhum representante na Assembleia Legislativa de Pernambuco, uma vez que Odacy Amorim foi eleito pelo PSB, hoje ingressa o PT, e Adalberto Cavalcanti, eleito na base aliada do governador Eduardo Campos, hoje faz parte do campo da oposição. A nossa representação na Frente Popular ficou sem nenhum indivíduo representante da nossa região. Isso fez com que o partido buscasse, dentro dos quadros de filiados, aquelas pessoas que reunissem as melhores condições para desenvolver uma campanha competitiva. Não é simplesmente uma candidatura para compor um processo. A gente está falando de candidaturas competitivas, com chances reais de êxito. Avaliou-se o nome de Maria Helena, vereadora, avaliou-se o nome de Osório [Siqueira] também vereador. O nosso nome tinha um diferencial, que foi justamente respaldado na necessidade de mudança, de apresentar um candidato novo, que tivesse alinhado com a nova política. Eu entendo como nova política a capacidade que o gestor tem de fazer política em função da necessidade do povo, priorizando o ser humano, a mulher e o homem, antes das ações. A gente quer desenvolver um plano de ações baseado no que as pessoas tem de necessidades e é por isso que nossa campanha parte, primordialmente, de conversas, para conhecer os problemas. Os 184 municípios que compõem o Estado de Pernambuco cada um tem suas particularidades, tem seus problemas. Enquanto hoje a gente vê nas manchetes dos jornais que Recife está praticamente afundada em água, porque o volume de chuva foi grande nos últimos dias, a gente vive uma situação contraditória aqui no Sertão do Estado, onde a falta de água é caótica, onde 54 municípios acabaram de renovar o estado de calamidade pública. O problema que a gente vive no Estado não é comum a todos os municípios, a gente tem que ouvir a população para identificar esses problemas e propor soluções que estejam sintonizadas com o desejo da população.

GAZZETA – Qual será sua principal bandeira de luta durante a campanha?

LUCAS RAMOS – Pelo histórico familiar nosso, a agricultura a gente encara com uma atenção especial. Meu pai foi agricultor, meu avô, por sua vez, também foi agricultor, pecuarista, tropeiro. A gente entende que a agricultura é o motor que gera 70% da produção de emprego e renda aqui da nossa região. A gente precisa olhar com mais cuidado, com mais atenção para o agricultor, de forma que a gente possa desenvolver ações que incentivem, por exemplo, a agricultura familiar. Que possibilitem ao agricultor ter maior rentabilidade na sua produção. A água é um elemento primordial para a agricultura, então a gente precisa criar infraestrutura principalmente na região semiárida que possa armazenar água em barreiro, em barragens subterrâneas. A gente precisa tratar de recuperação de estradas, para que o escoamento da produção permita um menor custo no produto, para que o produtor consiga vender seu produto a um preço justo, competitivo. É um conjunto de ações voltadas para a agricultura que precisam ser reavaliadas permanentemente para que a gente possa dar melhores condições de trabalho e renda a esses agricultores.

Também e aliado a isso, a questão do investimento na educação, para que os filhos dos agricultores possam colaborar com seus pais. O que a gente quer dizer? Se sou filho de agricultor, não preciso ser obrigado a me deslocar para grandes centros urbanos para tentar uma melhoria de qualidade de vida: eu posso, através de um curso de capacitação, um curso técnico ou uma graduação, dentro da área de agronomia, contribuir com minha família para que a gente possa tirar o sustento e ter melhor qualidade de vida – com a caprinovinocultura, com a bovinocultura de leite e de corte, com a agricultura.

GAZZETA – E quanto às críticas de ser estreante na política?

LUCAS RAMOS – Me motivam. Me permitem usar 100% do nosso tempo, que já é curto para conversar com as pessoas e propor soluções. Nós não vamos perder nenhum minuto discutindo o que deixamos de fazer. Nós não temos o ranço de quem recebeu a oportunidade, através do voto e não realizou, não cumpriu com a expectativa do eleitor. A gente vai fazer propostas, planejamento participativo, com a presença do eleitorado.

GAZZETA – Disputar votos com o colega de partido Miguel Coelho não será um desafio a mais?

LUCAS RAMOS – Miguel Coelho é uma pessoa muito capacitada. Um quadro novo na política também, representa a juventude que a gente representa. As opções de candidatos que nós temos estão divididas em dois grupos primordiais: aqueles que fazem a política convencional, que já estão aí, que tem mandato, e que também podem ser uma opção – o eleitor é quem vai fazer essa avaliação – e nomes novos, nomes que estão entrando com outra visão, que estão saindo da iniciativa privada para discutir o que a iniciativa pública pode fazer e onde pode ser melhorado. Não estamos preocupados com a eleição do outros, estamos preocupados com a nossa caminhada.

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GAZZETA – Qual a sua percepção quanto ao maior colégio eleitoral do Sertão, Petrolina, à gestão municipal?

LUCAS RAMOS – Petrolina, assim como o restante do Brasil, quer mudança. Pesquisas internas mostram que 66% da população petrolinense quer mudança. Ela ainda não está organizada em saber aonde quer mudar. E aí a gente precisa de lideranças que consigam captar essa mensagem que ainda está desordenada, para que a gente possa criar um plano de propostas.

Uma das propostas nossas, por exemplo, que é dentro do tema Educação, é garantir a gratuidade do Ensino Superior, a começar pela estadualização das autarquias municipais. As mensalidades que os alunos pagam aqui na Facape, por exemplo, são relativamente altas, não se tem um estudo ou informações suficientes que comprovem a saúde financeira da instituição; não existem dados disponíveis para consulta que mostrem se a Facape é superavitária ou deficitária. A gente sabe que precisa de mais investimentos, e esses investimentos necessários não podem ser repassados aos alunos em forma de mensalidade. Quinhentos reais para uma pessoa de classe média certamente não tem a mesma importância que tem quinhentos reais para uma pessoa de menor poder aquisitivo. A gente gostaria, e vai trabalhar para isso, que o Ensino Superior, não só em Petrolina, mas nas treze autarquias que existem no Estado de Pernambuco seja de qualidade, seja público e seja gratuito. Isso a gente vai buscar, é uma bandeira, um desafio e até que se encontre uma solução jurídica para o que a gente quer, vamos discutir o aumento das bolsas do Programa Universidade para Todos em Pernambuco – Proupe.

GAZZETA – Mas e quanto à gestão municipal de Petrolina, qual sua avaliação?

LUCAS RAMOS – A gente vê a insatisfação; Petrolina deixou de ser um canteiro de obras, como a gente viu em gestões anteriores, principalmente na gestão de Fernando Bezerra Coelho em que se construíam aqui grandes avenidas, em que se planejavam grandes investimentos em infraestrutura. Petrolina está hoje vivendo um caos no transporte coletivo e quem fiscaliza o transporte coletivo é a Prefeitura de Petrolina. É perceptível que está havendo descaso com a nossa população. Não queremos nem devemos nominar ou personificar o problema, o que a gente quer é discutir solução e discutir solução é estar aberto para discutir parcerias, convênios, formas alternativas de resolver o problema. A gente quer diálogo e não existe diálogo entre a Prefeitura de Petrolina e o Estado de Pernambuco.

GAZZETA – Como é para o PSB manejar a questão do discurso de oposição de Campos, tendo sido ele aliado da presidente Dilma?

LUCAS RAMOS – Eduardo representa essa nova política. Eduardo fez a maior gestão que o Estado de Pernambuco já teve, na história. Não é Lucas quem diz isso, é 87% da população pernambucana, que reconhece o trabalho que Eduardo Campos fez no Estado. Um governo que foi estabelecido, concretizado em função do que foi discutido com a população. Nos primeiros meses de governo nós podemos ver uma das maiores ações de Eduardo Campos que foi o programa de debates dentro das comunidades, o ‘Todos por Pernambuco’. O governador e sua equipe de trabalho desenvolveu fóruns de debate para identificar os problemas daquela comunidade e tivesse condições de propor soluções. Eduardo quer levar esse modelo de gestão participativa para a União e lhe é de direito fazer isso. É um modelo que deu certo, que levou Pernambuco a dobrar seu PIB. Acredito que Eduardo, com esse modelo de gestão, por ter sido testado e aprovado enquanto governador, pode dar sua contribuição a nível nacional. Eduardo vai ser o presidente da República, vai subir a rampa do Planalto e mostrar que é possível replicar o modelo de sucesso estabelecido aqui em Pernambuco, como o Pacto pela Vida, como o programa de inclusão social Pernambuco sem Barreiras, que trouxe dignidade a pessoas com mobilidade reduzida.

LUCAS-RAMOS

GAZZETA – Como está a busca por alianças, principalmente nos municípios do Sertão?

LUCAS RAMOS – A nossa caminhada está respaldada principalmente nos municípios aqui do Sertão do Estado, onde a gente construiu nossas bases, de residência, nossos laços familiares e de amizade. A gente tem visitado permanentemente vários municípios no Sertão, no Agreste, na Região Metropolitana de Recife, onde a gente vai construir uma rede de apoios entre prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, lideranças e construir um projeto competitivo, um projeto que tem chances reais de êxito.

GAZZETA – A mídia da capital noticiou que quando seu pai foi sabatinado na Assembleia Legislativa para assumir a vaga de conselheiro do TCE, haveria um compromisso de não sair candidato, nem indicar alguém. Houve sua indicação. Existiu esse compromisso de Ranilson perante os deputados e se existiu, isso tem atrapalhado essa busca de alianças?

LUCAS RAMOS – Independente de ter havido um compromisso verbal entre meu pai e os deputados, de não lançar candidato, acho que o momento que se vivia em maio de 2013 era completamente diferente do momento que se vive agora, em abril de 2014. Primeiro que naquela oportunidade, a gente ainda tinha três deputados da base aliada, que eram Odacy Amorim, Adalberto Cavalcanti e Isabel Cristina. Eram três representantes da nossa região, três aliados do governador Eduardo Campos, que buscavam atrair recursos para a nossa região. De repente, e por opção exclusiva deles, optaram por compor oposição ao governador Eduardo Campos. A Frente Popular em Petrolina e na região ficou sem representante e naquele momento, nosso nome reunia as melhores condições de tornar o projeto competitivo. Mudou o cenário.

Nós não buscamos vaga de nenhum dos deputados que buscam renovar seu mandato. Nós buscamos uma vaga, entre as 49, de deputados que escolheram não buscar a reeleição de deputado estadual: Adalberto Cavalcanti, Daniel Coelho, Isaltino Nascimento, João Fernando Coutinho e Sebastião Oliveira. Buscamos uma vaga de quem não está buscando a reeleição. Não é uma quebra de compromisso, em hipótese alguma.