Nascido no dia 10 de maio de 1969, o juazeirense Fábio Antônio Cândido Araújo Conceição, retorna a sua cidade natal para um novo compromisso. Nesta quarta-feira (12), ele assumiu, solenemente, o cargo de coordenador da 17ª Coordenadoria de Regional de Polícia do Interior (Coorpin). Além da “promissora Juazeiro”, como ele mesmo classificou, o delegado será responsável por ações policias em mais sete municípios: Casa Nova, Sento Sé , Pilão Arcado, Sobradinho, Remanso, Campo Alegre de Lourdes e Curaçá.
Cândido ingressou na Academia de Polícia, permaneceu durante 15 anos e saiu com a patente de capitão. Formou-se em Direito, iniciou sua carreira como delegado no município de Pilão Arcado, depois veio para Juazeiro trabalhar na Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos. Assumiu a Coordenadoria em Euclides da Cunha, onde er responsável por 15 municípios e no dia 15 de dezembro de 2010 foi nomeado para a 17ª Coorpin. Casado e pai de três filhas, a família ele diz que a família já está acostumada com sua rotina de trabalho, afinal já são 23 anos na polícia.
O delegado recebeu os repórteres do Gazzeta do São Francisco, Lidmillie de Castro e Williano da Silva em seu gabinete no Complexo Policial de Juazeiro para falar sobre o que ele destaca como “maior desafio” em sua carreira.
GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Como é retornar para Juazeiro ocupando um cargo tão importante para a cidade?
FÁBIO CÂNDIDO – São duas situações bastante distintas. Por um lado, um momento de grande alegria, retornar para a cidade natal, família, amigos e de outro, a questão da responsabilidade profissional. Juazeiro é uma das cidades que mais se desenvolve no Brasil e paralelo a esse crescimento, nós temos o fenômeno da criminalidade, então sem dúvida alguma, é uma grande responsabilidade.
GAZZETA– O Senhor já acompanhava as ações que aconteciam na cidade, as informações policiais sobre a região?
FÁBIO – Na realidade, algumas sim pelo fato de ser juazeirense, mas não me aprofundava nelas, até porque tínhamos 15 cidades para tomarmos conta em Euclides da Cunha e isso absorvia demais o nosso tempo. Mas um fato ou outro sempre chegava ao nosso conhecimento, a gente acompanha na mídia. Agora, nós estamos estudando caso a caso para ver como melhor a gente pode ser portar. A partir da nomeação, publicada no Diário Oficial em 15 de dezembro, começou a análise do histórico da região. Eu já trabalhei em Juazeiro por mais de dois anos como titular da Delegacia de Furtos e Roubos. Charles Leão esteve aqui me passou muita coisa, documentalmente ou mesmo em conversas informais.
GAZZETA – Surgiu algum tipo de comparação entre o senhor e o ex-delegado, Charles Leão, quanto ao modus operandi?
FÁBIO – Eu acho que é muito prematuro. Na realidade, eu primo muito também pela parte operacional e é necessária. A atividade de Polícia Judiciária, que é a nossa investigativa requer isso. Se por ventura, existir essa comparação, eu espero que sejam pelas coisas boas, pelo bom trabalho que ele fez aqui em Juazeiro.
GAZZETA – Como será relação com as demais polícias (Federal e Militar) e o Poder Judiciário?
FÁBIO - O objetivo nosso, fundamentalmente, é trabalhar em parceria com todos os órgãos, instituições, grêmios, ou seja, qualquer organização lícita que esteja voltada para ajudar, colaborar com a Segurança Pública, que não se faz de forma isolada. É um tema bastante complexo e só pode ser debatido se for visto de uma forma completa e todas essas organizações devem participar.
GAZZETA – A cidade enfrenta um problema histórico de tráfico de drogas que abrange muitos municípios da região circunvizinha. Que ações o senhor pretende implementar para o combate desse crime?
FÁBIO - Nós vamos atuar em duas situações, na prevenção e na repressão. Na realidade, o tráfico de drogas, eu considero como a grande chaga da humanidade hoje. É o crime que fomenta todos os demais delitos. Se nós fomos observar, a maioria dos homicídios, latrocínios, roubos, furtos têm íntima ligação com o tráfico de drogas. Então, nós entendemos que combatendo o tráfico, certamente, a gente tem como baixar os índices dos demais delitos aqui ocorridos. Nós vamos fazer ações conjuntas de forma preventiva, atuando em conjunto com a Polícia Militar, realizando blitz, que é uma forma bastante eficaz e, de maneira repressiva, através das investigações. Isso estando em parceria com Polícia Federal, Judiciário, Ministério Público e todas as demais entidades, porque todos esses órgãos são essenciais para o combate a criminalidade. Não esquecendo o principal elemento desse contexto que é o povo. Cada cidadão sabe o que está acontecendo ou pelo menos tem noção do dia a dia de sua localidade, do seu bairro, na sua rua, melhor que os policiais. Até porque a nossa informação parte da sociedade, então nós temos que está com esse relacionamento bastante próximo. Pretendo estabelecer uma ligação direta com a comunidade. Nós vamos inclusive marcar reuniões com líderes, representantes de bairros para que eles nos tragam essas informações para que a gente possa desempenhar esse trabalho de Polícia Judiciária nesses bairros com maior efetividade.
GAZZETA – Além do tráfico de drogas, outro ponto que é muito comum, em qualquer região do Brasil é a pirataria. A Polícia já tem alguma ação elaborada para o combate dessa prática?
FÁBIO – A primeira linha nossa de ataque é o tráfico de drogas e de forma contínua, paralelamente, vamos realizar a repressão aos demais crimes também. No que diz respeito a pirataria, o nosso objetivo é chegar ao fornecedores, porque eles alimentam os demais. Quando é presa uma pessoa que está vendendo nas ruas, ela está apenas na ponta do sistema. Tiramos uma pessoa e no lugar dessa, certamente, 15 ou 20 entrarão. Nós temos que procurar os laboratórios e distribuidores, esses sim, que inicialmente serão retirados do convívio social.
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GAZZETA – A segurança é uma das questões que mais preocupa a sociedade e o Poder Público. O que o senhor acredita ser necessário para diminuir os problemas nessa área?
FÁBIO – Como eu falei, Segurança Pública é um problema altamente complexo. Não é um caso exclusivo da Polícia. Se a gente analisar bem, a polícia trata com a conseqüência, então vai agir, quando os demais sistemas já não vêm dando certo. Para que a gente ataque um problema, além da conseqüência, nós temos que atacar, primeiramente a causa. Então, nós temos que ver vários aspectos sociais, educacionais para que a gente realmente compreenda o que é a violência no Brasil. Lógico que a polícia por si só, trabalhando isoladamente, não resolverá o problema. Na realidade o problema da violência nunca será resolvido, no mundo todos nós temos violência, mas o índice precisa cair para níveis “aceitáveis” e para isso tem que se atacar a causa e aí vem todas aquelas situações sócias políticas que são conhecidas e debatidas no dia a dia.
GAZZETA – Ao longo do tempo, a polícia como instituição, sofreu alguns abalos relacionados a denúncias de abuso de poder e ligação com a criminalidade. Como essas práticas podem ser combatidas?
FÁBIO – Todo servidor público, não só o policial, além do dever legal, ele tem o dever moral de desempenhar bem as suas funções. Então, um policial ou qualquer outro que desvia para com isso conseguir alguma vantagem para si ou terceiro, é um criminoso e precisa ser tratado mais asperamente que qualquer pessoa do povo, porque ele age em nome do Estado. Então se porventura, isso for detectado em Juazeiro, as providências têm que ser tomadas dessa forma, senão eu estaria sendo conivente. Eu tenho o dever de fazer isso, é a lei que diz.
GAZZETA
– O que o senhor aponta como maior desafio para esse cargo numa cidade do porte de Juazeiro que administra a sede e mais sete municípios?
FÁBIO – O trabalho de polícia é sempre um desafio. Polícia tem que matar um leão por dia como diz o jargão. Difícil dizer o que seria principal, mas nossa forma de trabalhar não é pensada de maneira isolada. A instituição tem que ser una, íntegra, aqui dentro não pode existir barreira. Se acontecer dificuldade, e elas existirão no dia a dia, a gente vai superar com essa união e parceria com as demais instituições. A situação mais “boba” que seja pode se tornar um grande problema, então a gente tem que ver sempre de forma atenta, porque não existe problema pequeno na polícia, todos eles são de gravidade.
GAZZETA – O que a população de Juazeiro e dos demais municípios pode aguardar do novo delegado da Coorpin?
FÁBIO – Trabalho, muito trabalho, parceria e transparência, tanto que, quantas vezes a imprensa estiver aqui as portas estarão abertas. Porque o Estado é democrático e povo precisa saber o que acontece.