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“Vamos trazer novos frutos e grandes parcerias”, diz Miguel Coelho

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Depois de uma viagem a Brasília em que incluiu no roteiro mais de dez ministérios e culminou com uma audiência como presidente da República, Michel Temer (PMDB), o prefeito eleito de Petrolina, Miguel Coelho (PSB) disse que o saldo foi positivo. “Vamos trazer novos frutos e grandes parcerias”, disse.

A declaração foi dada na entrevista que concedeu ao Gazzeta do São Francisco, na última segunda-feira (31 de outubro). Além da viagem, o socialista falou da sucessão na Câmara de Vereadores e esmiuçou algumas ações que pretende implantar em Petrolina, a partir de janeiro, quando assumirá a Prefeitura.

Confira os principais trechos da entrevista:

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Qual o saldo da viagem a Brasília, quando visitou diversos ministérios?

MIGUEL COELHO –  Primeiro, a gente foi a Brasília para poder garantir tanto as emendas dos deputados federais e senadores como também para pleitear junto ao governo federal  a inclusão de alguns programas, algumas obras no Orçamento Geral da União que está em fase de elaboração, está previsto para ser aprovado agora no final de novembro. Esse foi o interesse maior, por isso que a gente fez aquela rodada, acho que foram 14 ministérios, se não estou enganado, nos três dias. No Ministério das Cidades a gente foi pedir dinheiro para o saneamento, pavimentação e duplicação. No Ministério dos Transportes a gente pediu a instalação da esteira do aeroporto como também a duplicação da Sete de Setembro e da Honorato Viana, no Ministério do Turismo para tratar da construção do novo parque e da nova rodoviária da cidade como também revitalização dos pontos turísticos. Não só do balneário de Pedrinhas como também das ilhas que você bem sabe que estão precisando de um olhar mais focado, a revitalização da orla, ali da Porta do Rio

Outro pleito importante que a gente já conseguiu garantir recurso foi da maternidade, no Ministério da Saúde que já tem aprovado lá um projeto de cinco leitos que custa mais ou menos R$ 400 mil e que a gente pediu para dobrar para que possa ter uma maternidade já nesse novo formato de partos humanizados, partos normais, já com dez leitos. Dá mais ou menos 300 partos mensais porque nossa ideia é tirar partos normais do Dom Malan que atenderia somente média e alta complexidade e a maternidade cuidaria dos partos normais. E junto da maternidade vai fazer um centro ambulatorial, de referencia para apoio do o pré-natal ao pós-natal e na saúde da mulher que agente vai dar esse enfoque.

Tratamos também do Minha Casa Minha Vida Rural que é uma grande demanda que Petrolina tem. São mais de 5,3 mil casas que precisam ser feitas entre área de sequeiro, irrigada e ribeirinha. A gente tratou disso com o Ministério da Integração. E fechamos com uma reunião com o Presidente da República que foi uma reunião mais política até porque todas as temáticas tinham sido exauridas com os respectivos ministérios e poder ter o compromisso do presidente de que vamos contar com o apoio do governo federal, de que as portas estão abertas. Saio de Brasília confiante, animado de que vamos trazer novos frutos e grandes parcerias.

GAZZETA – Quando anunciou a equipe que coordenará a transição, o senhor informou que discutirá a formação do secretariado somente depois da diplomação. E presidência da Câmara?

MIGUEL COELHO – É depois da diplomação.

GAZZETA – Mas como tem acompanhado o debate. Há vereadores que já se manifestaram, como Zé Batista da Gama (PDT), Maria Elena  (PSB), Osório Siqueira (PSB), que é o atual presidente.

MIGUEL COELHO – Primeiro, é legítimo de todos os vereadores pleitearem. Até porque todos têm condições de poder ser presidente, sem nenhum tipo de restrição aqui ou objeção. Agora isso é um assunto da Câmara de Vereadores, até porque a eleição da Câmara se dá após a nossa posse. Então acho que a gente tem que respeitar os momentos. Agora é o momento da transição, depois é o momento do secretariado para depois vir a eleição da Câmara. E eu acho que os fatos pro si só já vão começar a se desenhar. Do mesmo modo que a gente respeita e é legitimo, eu na condição de não apenas prefeito, mas também de presidente do PSB,  onde dos três candidatos que você mencionou dois são do partido e Zé Batista que é do PDT que fez parte do chapão, da chapa liderada pelo PSB, vamos trabalhar para ter um consenso. Para que a gente possa fazer uma eleição da Câmara sem nenhum tipo de disputas que possam trazer sequelas, mas que a gente possa construir um consenso que deixe a Câmara ainda mais fortalecida.

GAZZETA – Como analisa os resultados do segundo turno em Pernambuco? EM Recife, O PSB mantém a prefeitura, mas o Governo do Estado perdeu em Caruaru.

MIGUEL COELHO – O PSB sai mais fortalecido ainda não só do segundo turno, mas da eleição em geral onde nós ganhamos acho que 70 cidades. É obvio que algumas cidades são chave no estado começando pela própria capital, com a eleição de Geraldo, mas também do PSB voltar a governar Petrolina. Inclusive estava até pensando que eu sou o primeiro prefeito eleito do PSB porque Fernando quando era prefeito e migrou pro partido. Em Jaboatão, o PSB apoiou outro candidato, mas Anderson (Ferreira) é da base aliada, é do PR. Em Olinda os dois são da base aliada do governador Paulo Câmara, mas você tinha a expectativa da eleição de Tonca, de Antônio Campos (o socialista perdeu a eleição para Professor Lupércio, SD).

Acho que o PSB sai fortalecido, agora precisa da liderança do governador Paulo Câmara poder desarmar os palanques e fazer as parcerias tanto com a deputada e prefeita Raquel Lyra, que eu estou extremamente feliz. Inclusive falei com ela ontem parabenizando. Raquel é uma pessoa jovem tem um pensamento muito similar ao meu. Ela é extremamente competente, é delegada da Polícia Federal, Procuradora do Estado, deputada, advogada, então estou muito confiante de que ela vai fazer um grande governo.

GAZZETA – No programa de Governo protocolado na Justiça Eleitoral, o senhor apresenta como proposta instalar uma Delegacia do Idoso. Como se dará essa instalação, porque é uma atribuição do Governo do Estado? Por falar sobre segurança, Pernambuco já registrou mais de 3 mil homicídios. De que maneira a administração municipal pode contribuir com esse assunto?

MIGUEL COELHO – Primeiro que segurança tem que ser um trabalho e eu sempre defendi isso, uma parceria entre todos os poderes. Não pode jogar essa culpa, essa conta só pro Governo do Estado responder. A prefeitura tem sim como trabalhar, tem sim como ajudar e é assim que a gente entende, através da instalação de câmeras de monitoramento, da central de operações que também é outra ação prevista em nosso programa de governo.

E quando a gente fala de poder implementar a Delegacia do Idoso é fazer essas parcerias funcionarem. É óbvio que a gente sabe que o poder de implementar ou não a delegacia é do Governo do Estado, mas a prefeitura pode correr atrás, pode fazer o projeto, pode dar infraestrutura, pode dividir o custeio. Uma série de ações que a prefeitura pode fazer para poder facilitar a implementação da delegacia.  E como você falou 3 mil homicídios não é um número qualquer, é um numero expressivo, que assusta a qualquer um.

A eleição foi domingo e na terça-feira eu estava com o governador e a gente pediu esse reforço na segurança e o governador agora já encaminhou 12 viaturas para poder chegar aqui e dá um reforço ao 5º. Batalhão. A gente também fez o pleito de que novos policiais precisam chegar. É obvio e aqui é evidente que 12 viaturas já ajudam, mas a demanda é de mais de 12 carros, então a gente precisa que esses investimentos continuem chegando para que possa ter uma Policia Militar forte. E ao mesmo tempo a gente não pode esquecer da Polícia Civil. Até porque se houveram 3 mil homicídios você precisa investigar os 3 mil homicídios e quem tem o poder de investigação é a Polícia Civil que também precisa de apoio aqui em todos os seus braços, não só na parte investigativa, mas também na policia científica que é o mais conhecido IML, que também precisa de apoio.

GAZZETA – Como está a relação som o sindicato dos servidores municipais? Historicamente os prefeitos sempre enfrentaram movimentos grevistas quase que uma vez por ano.

MIGUEL COELHO – Eu sempre defendi na campanha e no próprio debate que o Sindsemp realizou, e tenho reiterado essa minha posição, de que a gente vai prezar sempre pela transparência, pelo diálogo, que a mesa de negociação vai estar sempre posta. Mas também já disse que muitas vezes os pleitos do sindicato são pleitos que a prefeitura não tem como atender. Então a gente precisa do bom senso, da razoabilidade para que a prefeitura possa ir até o meio do caminho e o sindicato esteja disposto a encontrar a gente nesse meio termo.

Acho que através do diálogo, da sinceridade, da transparência a gente vai conseguir trabalhar para evitar essa média de uma greve por ano. O ideal é que não tenha greve. E eu também já disse, é obvio que a gora a gente  está numa  relação muito boa, uma relação muito  amistosa, mas é obvio que quando os assuntos se chocarem, é normal que essa relação se tencione mas acho que se a gente mantiver o respeito, a postura e entender que não é a pessoa Miguel, mas a gestão e a responsabilidade fiscal que a gente precisa manter com a prefeitura, acho que a gente vai ter uma grande relação com o sindicato e com todos os servidores.

GAZZETA – O seu programa de governo fala ainda sobre a reformulação dos PSFs. Como ficará o desenho dos PSFs com as AMEs?

Primeiro a gente precisa recuperar a rede de PSF, que é o Programa de Saúde da Família. Quando a gente fala em reformulação é dos postos de saúde nos bairros e que o PSF entre. O PSF hoje está pressionado dento das AMEs e a gente precisa voltar a capilaridade dos PSFs dentro dos postos de saúde, dentro das comunidades. Hoje o que é que acontece? O cidadão, o usuário do SUS tem um problema e já vai direto pra UPA, pro Dom Malan ou pro Traumas. E não é pra ser assim. É para você ter as barreiras, ter como se fossem filtros por complexidade. Ou seja, o atendimento mais básico da diarreia, da gripe, da virose você resolve no posto de saúde e é isso que vamos fazer nas AMES a partir do próximo ano. As AMES vão ter quatro especialidades: a ortopedia, a ginecologia, o clinico geral e o dentista. A complexidade não sendo resolvida nas AMES, vai para a UPA, no caso das especialidades e ou o CEO no caso da especialidade odontológica. Não dando jeito, aí sim você tem que ser recorrido pro hospital de alta e media complexidade, seja o Dom Malan ou o Traumas.
A gente precisa fazer essa escala funcionar até porque com isso você termina diminuindo o tempo da fila de espera, melhora a qualidade do serviço prestado.

GAZZETA – O senhor falou no início da entrevista no Terminal Rodoviário e é um equipamento que, geograficamente, não está em um espaço mais adequado. Já tem ideia para onde poderia ser levado?

MIGUEL COELHO – Concordo que ali não cabe mais. Primeiro que a rodoviária está sucateada. A rodoviária hoje funciona infelizmente mais como ponto de droga, a cracolândia que chama hoje de Petrolina e que a gente precisa mudar essa realidade. Até por isso que a gente prevê ali a construção do novo parque da cidade e a nova área a gente precisa estudar. Tem a possibilidade de ser no antigo Ceape, que já está perto de uma rodovia, de uma estrada como também pode ser em uma das saídas da cidade para você não ter o congestionamento de ônibus chegando nos horários de pico. Essas decisões serão tomadas mediante estudo e planejamento.

GAZZETA – Em dezembro, o senhor completa dois anos de mandato de deputado de deputado estadual, qual o saldo?

MIGUEL COELHO –  É um outro perfil o Legislativo do Executivo. No Legislativo você não tem o poder de decisão, de executar. A gente consegue fazer remanejamento, tratar de política de investimento junto ao Governo do Estado. É obvio que deixar qualquer coisa pela metade não é bom, mas eu entendo e espero que as pessoas entendam que a gente está saindo para uma missão ainda maior que é poder governar e liderar nossa cidade. Mas eu saio com sentimento de dever cumprido. Primeiro pelas próprias emendas que conseguimos colocar. No ano passado a gente atendeu, se eu não tiver enganado, sete ou oito municípios com emendas nossas.  Então isso chega de certa forma pra ajudar, seja o homem do campo, que foi a maior parte destinada, ou seja na área da saúde, para onde destinamos algumas. Mas fico feliz como deputado estadual ter conseguido a redução ICMS de querosene beneficiando nosso aeroporto, beneficiando as companhias para poder voltarem os voos. Através de nosso trabalho de deputado ter conseguido o dinheiro com o governo federal para o problema da mosca-da-fruta que enfrentou na nossa cidade. Como deputado estadual ter conseguido três escolas para Petrolina, duas que já tiveram a ordem de serviço dada que são a do João de Deus e a do São Gonçalo e também a de Rajada que o estudo já está sendo feito. De também ter conseguido recapeamento de estradas na nossa cidade, mas também em outras cidades onde fomos votados, a exemplo de Ouricuri, Santa Filomena. Então se a gente for fazer um apanhado desses dois anos como deputado estadual, saio muito feliz e agradecido por tudo que tive oportunidade de aprender nesses dois anos, mas também de deixar minha contribuição para o povo pernambucano.

 

“A Igreja está atenta às feridas, às dores das pessoas”, diz Dom Beto

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Natural da cidade de São Francisco do Sul, Santa Catarina, despertou ainda na infância para vocação religiosa. Ainda na adolescência entrou para o seminário. Dom frei Carlos Alberto Breis Pereira foi nomeado bispo coadjuntor em maio deste ano e em setembro assumiu o comando da Diocese de Juazeiro. Na última terça-feira(4), dia de São Francisco, ele concedeu entrevista onde falou um pouco sobre sua caminhada religiosa.

A Diocese de Juazeiro inclui os municípios de Casa Nova, Campo Alegre de Lourdes, Curaçá, Juazeiro, Pilão Arcado, Remanso, Sento Sé, Sobradinho, Uauá e Curaçá. São aproximadamente 60 mil quilômetros quadrados de extensão. Dom Beto, como é fraternalmente chamado, é franciscano, tem 51 anos, e é o quarto bispo na história da Diocese. Sucede Dom Tomás Murphy, Dom José Rodrigues e Dom José Geraldo.

Confira os principais trechos da entrevista:

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – O senhor é natural de onde?

DOM BETO – Eu sou natural de Santa Catarina, da cidade chamada São Francisco do Sul e acidade tem esse nome justamente porque os espanhóis quando chegaram lá, já sabiam que aqui existia o rio São Francisco. Lá, minha cidade fica numa ilha, tem uma baía e eles pensavam que a baía fosse um rio e era dia de São Francisco, então ficou São Francisco do Sul. A cidade fica no litoral norte de Santa Catarina. Mas estou no Nordeste há mais de 25 anos.

GAZZETA – Quando percebeu o chamado à vida religiosa?

DOM BETO – Na verdade, como diz o matuto, desde que me entendo por gente. Era pequenininho e já falava: quero ser padre. Na adolescência isso foi se firmando. Eu entrei no seminário com 16 anos. Eu não pude entrar antes porque meu trabalhava em banco e vivia sendo transferido, era complicado. Quando voltou pra nossa cidade natal eu entrei no seminário em Lages, Santa Catarina. Tinha 16 anos de idade e fiz noviciado 30 anos atrás. Me tornei frade há 30 anos. No tempo dos estudos de Filosofia fiz opção de vir pro Nordeste.

dom-betoGAZZETA – Algum motivo especial?

DOM BETO – Meu pai trabalhava em banco e alguns desses lugares onde a gente morou foram no Nordeste: Sirinhaém e Serra Talhada, em Pernambuco. Moramos quatro anos, depois voltamos pra Santa Catarina. Voltamos pra Santa Catarina, mas eu sempre muito identificado com o Nordeste, por isso que pedi para voltar para o Nordeste como frade, para viver e trabalhar no Nordeste. 

GAZZETA – Como se deu a identificação com a ordem franciscana?

DOM BETO – Eu conheci os frades em Sirinhaém, Pernambuco. Tinha 11 para 12 anos e já queria ser padre, quando conheci os frades, pronto aí disse: quero ser igual a eles. Me identifiquei com o estilo de vida dos frades, a forma de vida, a vida em comunidade, o estilo missionário. A figura de Francisco sempre me cativou, a maneira de Francisco viver o evangelho.

GAZZETA – A impressão que tenho é que a mensagem de Francisco é sempre muito atual: o respeito à natureza, a vida de humildade.

DOM BETO – Francisco, eu queria dizer que causa um impacto no homem na mulher de hoje. Justamente por causa da relação que Francisco tem com as pessoas e com a criação. Uma relação de liberdade, de respeito. Uma palavra que se usa muito: cortesia. Francisco não era nobre, mas era de sentimentos nobres. A cortesia é a marca de Francisco. Ele trata tudo e todos com cortesia. Francisco é uma figura que 800 anos depois continua provocando, questionando.

 

GAZZETA –  O senhor foi nomeado bispo coadjuntor em maio e assumiu em setembro. Como foi a transição?

DOM BETO – Imagine que você chega em um lugar que não conhece ninguém e chega com a tarefa de coordenar e não é um grupo pequeno é uma Diocese com muitos padres, muitos leigos, muitas  pastorais, uma extensão de terra grande. Então os quatro meses que fiquei como bispo coadjuntor foram muito positivos, porque foi o tempo justamente de conhecer, visitar todas as paróquias. Conheci todos os padres, preguei o retiro para os padres da Diocese, conversei com religiosas, várias pastorais. Então quando assumi em setembro já tinha feito um percurso inicial de reconhecimento. Quando um bispo novo chega, as pessoas ficam, como ele é? É natural porque o bispo imprime uma certa marca, tem o jeito dele, o modelo de igreja que ele tem.

GAZZETA – Ainda na condição de coadjuntor o senhor esteve e Casa Nova onde visitou e prestou solidariedade às comunidades de fundo de pasto. Foi um sinal de que o senhor vai fazer de seu ministério um instrumento para a discussão também dessas questões sociais?

DOM BETO – O papa Francisco coloca que a Igreja está atenta às feridas, às dores das pessoas. Não é uma Igreja indiferente. No encontro que tivemos com o papa recentemente, um encontro dos bispos novos, ele colocava justamente isso: não sermos pastores assépticos, de cúrias e gabinetes. São duas situações que a gente vai perceber: a juventude de Juazeiro, acho que há uma vulnerabilidade muito grande dos nossos jovens e passa pela violência, e depois a segunda essa questão. Eu estive lá, celebrei com a comunidade, ouvi depoimento das pessoas da comunidade. Tem uma história, as pastorais que acompanham a realidade de lá tem me colocado a par da história, então a gente está acompanhando e tomando o lado de fato das vitimas, dos feridos. As pessoas estão lá há tantos anos, são mais ou menos 400 famílias que estão lá há mais de cem anos e tem toda uma relação com a terra, com a plantação, criam abelhas, cabras. É muito coletivo. O fundo de pasto é muito coletivo. Acho que esse principio é muito importante. A gente pensa inclusive na celebração de encerramento do ano jubilar um gesto concreto e a gente como Igreja diocesana se colocar ao lado dos moradores, particularmente lá de Areia Grande.

GAZZETA – Alguns religiosos encontram na militância política uma forma de enfrentar essas questões sociais. Quero sua opinião sobre essa participação.

DOM BETO – O último documento da CNBB sobre as eleições que aconteceram no domingo passado e a direção da Igreja, o papa Francisco, tem lembrado aos leigos e leigas que não só é bom, mas devem; é um dever. Até porque é uma mediação para acontecer aquilo que desejamos e sonhamos, uma sociedade fraterna, justa e igualitária, onde as pessoas possam viver com dignidade. Mas não necessariamente os padres. É uma decisão que os padres não podem se candidatar. O ministério do padre é o ministério da comunhão tanto que quando ele toma partido político e se candidata, já cria uma divisão, cria uma relação difícil com a comunidade paroquial. E também a igreja não pode dizer vote em fulano. As pessoas têm que ser adultas e não votar porque o padre mandou. A reflexão deve ser sobre critérios: pessoas honestas, transparentes, conhecer a história dos candidatos, do processo eletivo.

“Enxergamos a política de uma forma coletiva”

Edinaldo

Escolhido pelo prefeito Julio Lossio (PMDB) entre os diversos nomes colocados – ou que se colocavam – como pré-candidatos, o ex-secretário, vereador e líder de Governo na Casa Plínio Amorim, Edinaldo Lima (PMDB), tendo como pré-candidato a vice o ex-secretário Newton Matsumoto.

Edinaldo foi convidado a assumir a Superintendência de Habitação da Prefeitura, ainda no primeiro mandato de Lossio – área que é uma das meninas dos olhos da gestão do peemedebista. Ele licenciou-se do cargo para concorrer às eleições daquele ano e conquistou uma cadeira na Casa Plínio Amorim com 2.358 votos. Depois, retornou aos quadros da administração municipal como Secretário de Habitação de onde mais uma vez, voltou à Câmara de Vereadores.

A convenção partidária que ratificará a candidatura de Edinaldo Lima acontecerá neste sábado (23) às 17h, no Centro de Convenções de Petrolina.

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Por que se colocar como pré-candidato à prefeito de Petrolina?

EDINALDO LIMA – Essa escolha do meu nome se deu a partir de uma construção, observando a necessidade da nossa cidade. O prefeito Julio teve um papel importante, assim como o doutor Osvaldo [Coelho] teve, lá atrás, quando o nome escolhido foi o de Julio. Essa escolha minha se deu a partir de uma leitura da cidade. As pesquisas, as conversas com amigos… uma escolha que foi de certa forma… o prefeito Julio costuma dizer que foi difícil, porque ele tinha muitos nomes de secretários que ocuparam pastas importantes do governo que deram resultado para a sociedade, na Saúde, na Educação, na Administração Pública, a exemplo da doutora Lúcia Giesta, do secretário de Finanças Tio Julinho, do secretário de Educação, do secretário de Ciência e Tecnologia, Newton Matsumoto… então foi a partir dessa realidade de leitura da cidade de Petrolina que chegou ao meu nome. A nossa história Petrolina conhece, da nossa militância nessa área da política de desenvolvimento urbano e tendo a habitação como uma política de infraestrutura, mas com cidadania, que trouxe resultados muito positivos para a nossa cidade nos últimos sete anos. 

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Como fica a postura para a composição da coligação? O PMDB em Petrolina tem um tempo considerável de guia eleitoral, apesar de a gente ter uma mudança no calendário eleitoral e uma campanha mais curta. Mas como fica a postura com outros partidos?

Edinaldo Lima – Além do PMDB, nós estamos com o PSL, o PHS que é o partido de [vereador] Elias Jardim, o PPS, partido que aqui tem à frente o jovem Kempler [Reis] e vai assumindo agora alguns projetos importantes em Petrolina, deve ser anunciado em breve… então é uma composição partidária que nos garantirá fazer uma boa campanha, apresentar um bom resultado para a população e ir à luta naquele objetivo que é importante, que nós entendemos que é o que Petrolina precisa para avançar para um futuro de desenvolvimento, cidadania, desenvolvimento econômico, avançar com a infraestrutura da nossa cidade, mas também respeitando uma cidade que precisa observar a sustentabilidade e o meio ambiente. 

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – De todas as pré-candidaturas, a única que fala no vice é a sua. Todos os outros fazem algum mistério – Odacy ainda não falou sobre o vice; Miguel também não falou sobre o vice; Adalberto, muito menos; o PSOL também ainda não sinalizou. Queria que o senhor falasse como se deu a escolha do vice.

Edinaldo Lima – Teve uma decisão muito pessoal do candidato, mas também foi feita uma leitura do que era necessário para o nosso governo pudesse contemplar a necessidade do município de Petrolina. Nossa cidade, ela se deu o desenvolvimento econômico a partir do que se pensou e se decidiu lá atrás. O doutor Nilo [Coelho] e o doutor Osvaldo tiveram papéis importantes na construção do desenvolvimento econômico da cidade a partir do desenvolvimento da agricultura irrigada. Quando nós pensávamos num nome, esse nome precisa contemplar a área irrigada de Petrolina e Newtinho tem uma característica política e técnica que é importante, que nós sempre observamos nesse sentido. Outros nomes, a exemplo dos demais pré-candidatos, poderiam estar preenchendo o que nós pensávamos do ponto de vista político, mas nós precisávamos pensar também no ponto de vista do desenvolvimento econômico e social. Newtinho vem de uma história de Petrolina, onde Petrolina foi uma cidade que garantiu esse desenvolvimento que acabamos de falar, e ele preenchia essa lacuna, que a prefeitura no passado, deixava em relação às famílias que moram nas áreas irrigadas. Hoje Petrolina tem mais de 65 mil pessoas que moram nessas comunidades, nas novas agrovilas, e esse desenvolvimento que garantiu Petrolina estar no cenário nacional e internacional com a exportação principalmente da manga e da uva é uma cidade que também precisa avançar com a agricultura familiar. Newtinho vai nos permitir trazer esse aprendizado, essa tecnologia que aperfeiçoou a produção da uva, da manga, trazer para a agricultura familiar. Ele está motivado, já é um grande colaborador do governo Julio no primeiro governo como secretário de Irrigação e no segundo governo, como secretário de Ciência e Tecnologia, agora afastado para estar na campanha comigo. Vai nos permitir avançar cada vez mais com o desenvolvimento econômico, mas um desenvolvimento econômico que permitirá também ao pequeno agricultor, as famílias dos assentamentos, possam participar, ser protagonistas e ajudar nesse desenvolvimento econômico trazendo a sua agricultura familiar para esse crescimento de Petrolina sempre com o olhar na cidadania. 

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – O senhor citou logo no início, rapidamente, o seu desempenho, a sua militância social. O senhor é vereador. Em que medida essa experiência na Câmara vai ajudar nessa trajetória tão logo o senhor seja referendado candidato, e na sua campanha?

Edinaldo Lima – Ser vereador me permitiu ter uma experiência no diálogo político com a Câmara de Vereadores. Eu vou ser um prefeito eleito que permitirá ter esse bom diálogo com a Câmara e sempre apresentar a Câmara aquilo que a cidade precisa para o seu desenvolvimento.

Eu estive à frente de uma pasta que garantiu investimentos; não só a minha pasta, mas juntando a pasta da Saúde, fez muito trabalho de infraestrutura na construção das AMEs, a Educação, projetos de saneamento, pavimentação. Todos esses recursos que foram aplicados em Petrolina nos últimos sete anos garantiram investimentos na ordem de mais de 1 bilhão de reais. A pasta que eu conduzi, a Habitação, foi importante nesse sentido e nos permitiu ter uma experiência, a partir da política de habitação, que era necessário fazer estudos e diagnósticos das necessidades da população, para enfrentar seus desafios e suas necessidades, na Saúde, na mobilidade urbana, na Educação, na política de geração de emprego e renda, no desenvolvimento social, nos permitiu garantir uma experiência para hoje estar pré-candidato a prefeito, para a partir do dia 16 de agosto colocar nossa campanha na rua e apresentar para Petrolina um programa de governo, que não é um programa pronto, mas ele vai estar em construção, em toda a nossa campanha, dialogando com a população, com as entidades sociais e civis organizadas, e poder apresentar o que Petrolina precisa, a partir dessa plataforma que já foi construída nesses anos do governo Julio e avançar com o desenvolvimento social, econômico e ambiental no nosso município. 

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Tão logo foi divulgado que o senhor seria o pré-candidato a prefeito do grupo do prefeito Julio Lossio, começaram a surgir algumas insatisfações. O ex-senador José Coelho dizia que “ciúme de política é pior que ciúme de esposa: se você tem um grupo com quatro pré-candidatos, quando se escolhe um, os três ficam enciumados; se você tem um grupo com vinte, os dezenove ficam enciumados”. Quando o prefeito junto com o grupo dele, entendeu que o senhor tinha um perfil para representar uma pré-candidatura, nesse momento, para o grupo político dele, e para o município de Petrolina começaram a surgir algumas insatisfações. Entre os dissidentes que já se manifestaram publicamente, até de maneira um pouco mais dura, a gente tem o vice-prefeito licenciado, o deputado federal Guilherme Coelho, e Tolentino, que foi secretário de Governo. Queria saber como você tem lidado com essas dissidências, não só deles, mas de dissidentes que ocuparam a gestão municipal e que agora começam a manifestar preferência por outros pré-candidatos.

Edinaldo Lima – Você pode acompanhar essa construção dessa escolha do candidato e foi uma escolha, eu falava agora há pouco, terminou sendo um pouco difícil para o prefeito Julio porque nós tínhamos secretários que se destacaram pelos seus desempenhos nas pastas que ocuparam. A doutora Lúcia Giesta, por exemplo, ficou sete anos à frente da Saúde e permitiu criar uma rede de Saúde Básica importante para o município. Saímos de menos de 13% de cobertura da rede básica para mais de 90%. A Educação, a partir de uma política desenhada no primeiro governo Julio, quando a nossa ex-secretária de Educação, Célia Regina conseguiu desenvolver uma nova metodologia pedagógica de ensino permitiu que Petrolina avançasse com a qualidade do ensino e colocasse Petrolina como uma das cidades que desempenhou melhor os resultados do Ideb. Depois veio o secretário coronel Leite, que melhorou muito a infraestrutura da escola, permitiu as nucleações, e trouxe resultados importantes; secretária de Administração e Finanças nos garantiu ter uma prefeitura que tivesse eficiência e zelo com os recursos públicos, respeitasse os servidores, valorizasse os servidores, tivesse um respeito com os contratos com os fornecedores e garantiu que tivesse nomes importantes nessa escolha. A escolha, lá no início, o prefeito apresentou qual seria a sua metodologia para fazer essas escolhas e todos nós aceitamos. Hoje estou aqui nessa entrevista com a presença da doutora Lúcia, que é a minha coordenadora de campanha, que está me ajudando a montar esse programa de governo, coordenar esse processo da necessidade de um programa que contemple a cidade; é uma prova que nós conseguimos que a grande maioria daqueles que faziam o governo Julio aceitasse esse projeto, não como um projeto individual, mas como um projeto de Petrolina, para Petrolina.

Nós consideramos normal o afastamento e o não aceitar de algumas pessoas. Respeitamos. São lideranças que nos ajudaram em toda essa construção do governo Julio, que permitiu que o governo Julio ser o que é hoje, o governo tem reconhecimento a partir das suas políticas sociais que foram desenvolvidas, que também garantiram desenvolvimento econômico para a cidade, geramos mais de 15 mil empregos através dos programas estruturadores de política de infraestrutura e essa foi uma decisão muito pessoal, uma decisão de cada um que faz política e tem seu entendimento, mas ela aconteceu também depois que de todo um caminho de escolha do candidato. Em nenhum momento tivemos questionamento. Tivemos encontros para debater o formato que seria escolhido o candidato e estou hoje aqui muito tranquilo, porque consegui escolher o meu vice e a cidade, por onde eu passo, com as conversas que tenho, as pessoas aprovam o vice que foi escolhido. O prefeito Julio também está muito animado com nosso projeto político, com nosso comportamento na apresentação das nossas propostas para a sociedade e no final, acho que você termina me ajudando muito quando cita o exemplo da fala de José Coelho, de alguns como enxergam a política. Nós enxergamos a política de uma forma muito coletiva e não de projeto individual, e isso nos permitiu esse conforto naquilo que é importante, de enxergar para frente, pensar no futuro, enfrentar esses desafios. Essas posições de algumas pessoas que não vão mais caminhar no grupo do prefeito Julio, nós tratamos isso de forma muito natural. Permanece a amizade pessoal, mas os entendimentos e o pensar político diferentes nós vamos respeitar. Vamos tocar nosso projeto político.

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Como o senhor avalia o posicionamento de Gonzaga Patriota e Lucas Ramos dando a entender que vão se comportar de maneira neutra, já que não apoiarão a pré-candidatura de Miguel, mas também não subirão em nenhum outro palanque? E como o senhor avalia o apoio de Guilherme Coelho a Miguel?

Edinaldo Lima – O deputado Gonzaga tem uma história política em Petrolina que merece o nosso respeito. Ele foi um grande colaborador para o desenvolvimento não só de Petrolina, mas de Pernambuco, do Brasil. Foi deputado constituinte, Permanece na política até hoje. Em 2008 fui candidato a vereador pelo PDT ao lado do deputado Gonzaga. Hoje continuo amigo dele, temos uma relação de amizade muito importante. Em nenhum momento a gente teve divergência do ponto de vista do que entendemos que é importante para construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária. Ele tem um posicionamento no momento que é fruto das decisões, da forma como o partido dele escolheu caminhar, e precisa ser respeitada. O mesmo também digo com relação ao deputado Lucas Ramos. É um deputado que está iniciando sua carreira política e tem sido muito sereno, muito responsável com relação ao que ele entende, ao que ele quer. Acho que em determinado momento eles assumem um posicionamento que a própria Bíblia nos ensina, que é o momento que você deve falar, e que você deve calar. Eles acham que é o momento que devem se posicionar mais do ponto de vista de observar o que está acontecendo, apoiar as suas candidaturas proporcionais e acho que isso precisa ser respeitado. Eles são dois deputados que constroem seu protagonismo político para a cidade e para a região e vamos respeitar esse posicionamento deles.

 

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – E como o senhor viu a declaração de Guilherme para apoiar Miguel Coelho? Ontem [quarta-feira] houve uma coletiva para anunciar a reconciliação política da família. Como o senhor analisa esse momento?

Edinaldo Lima – Acho que essa avaliação quem vai fazer será a sociedade, a população. A união familiar é sempre muito importante e vamos observar de forma muito positiva. Acho que as famílias não devem brigar por causa da família. Essa união, depois de décadas de afastamento familiar por causa da política, toda a cidade vê de forma muito positiva e eu também vejo. Claro, do ponto de vista político isso não vai trazer nenhuma diferença, não trará nenhuma consequência positiva ou negativa. Acho que todos nós sempre vamos ver de forma muito positiva quando a família se une. Então, a união da família, voltar a se falar, ter os laços familiares novamente a existir, acho isso muito positivo e nós fazemos uma leitura nesse sentido.

O importante é que a política não seja vista como uma política familiar, ela precisa ser vista sempre como coletiva, que a sociedade participe, e esse tem sido o modelo que o governo Julio escolheu para governar, um governo que observa as pessoas, um governo para as pessoas e construção para as pessoas. E eu venho dessa história e eu agradeço a Deus sempre por isso, por ter tido a oportunidade de escolher caminhos e tomar decisões onde a coletividade sempre participa. E vamos fazer assim na nossa campanha, e vamos fazer assim para o futuro de Petrolina, sempre olhando para as pessoas e construindo o governo participativo, que as pessoas participem.

Esse é o caminho que escolhemos lá atrás quando nós iniciamos o primeiro governo Julio, que foi aprovado é tanto que a população reelegeu o prefeito Julio. Lá atrás o prefeito Julio foi escolhido pelo doutor Osvaldo, hoje o prefeito Julio escolhe Edinaldo Lima para esse projeto de continuação política de Petrolina, da administração de Petrolina e o mais importante de tudo é ter essa sensibilidade social, a capacidade, a seriedade política de tomar as decisões que possam sempre olhar para as pessoas.

Sem personalizar a família, mas acho que nenhuma família deve brigar por causa de política e também acho que a política não deve ser o motivador para unir as famílias.

 

“O povo quer Adalberto como pré-candidato e não volto atrás”

Adalberto Cavalcanti

Desde o inicio dos anos 2000, o deputado federal Adalberto Cavalcanti tem colecionado sucessivas vitórias nas urnas. Foi prefeito por duas vezes seguidas da vizinha cidade de Afrânio, hoje governada por sua esposa, Lúcia Mariano, eleito deputado estadual e em 2014 saiu do pleito com 99.912 votos. Destes, 42.116 foram alcançados em Petrolina, de onde saiu como o deputado federal mais bem votado.

Na entrevista que concedeu no início da semana, ainda na condição de pré-candidato a prefeito de Petrolina, Adalberto Cavalcanti (a convenção partidária do PTB será no sábado, 23) falou sobre a disputa eleitoral deste ano em Petrolina e os desafios para montar um palanque competitivo.

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Por que concorrer a prefeito de Petrolina?

ADALBERTO CAVALCANTI – A gente vê os reclames do povo de Petrolina pedindo uma pessoa que seja ligada às pessoas mais humildes. A gente vê a realidade. A necessidade na saúde. Fui o deputado federal mais votado da cidade de Petrolina então, o povo, depois da eleição, mesmo de deputado federal, o povo me cobrando. Eu fazia o meu trabalho com duas unidades móveis trabalhando em Petrolina com médico e dentista fazendo trabalho junto às pessoas mais humildes e a gente via a vontade do povo, a cobrança, a respeito da saúde. A necessidade da saúde é muito grande.

Você imagina o Hospital de Traumas a revolta do povo, o desprezo. Aí você vai pro interior, pra Rajada, tem AME, mas não tem médico. Só tem auxiliar de enfermagem e o povo cobra médico, dentista 24h, principalmente Rajada, Izacolândia, Nova Descoberta que é praticamente uma cidade.

Outro motivo que me incentiva é a gente andar nos bairros e o abandono é total, o desprezo é total. Mesmo no centro de Petrolina você não vê uma praça bonita. Você hoje vê várias ruas no centro da cidade precisando de asfalto, tapa-buraco e o lixo tomando conta. Então a gente vê a necessidade, o povo clamando nos bairros.

Dos bairros vai pro matadouro. Lamentavelmente uma cidade como Petrolina o povo não tem matadouro. Hoje de manhã a gente estava na feira do Ceape, o povo cobrando, pedido até pelo amor de Deus que não tire do Ceape. Para acabar demoliram praticamente todo o Ceape. Se já queria mudar o Ceape porque não construíra primeiro outro. Outro que me assunta é o estádio municipal. Tem projeto pra ser vendido na Câmara. Bastam os terrenos que já venderam. Deu R$ 16 milhões e hoje se quiser fazer uma creche, uma AME, qualquer coisa você não tem uma localidade porque vendeu todos os terrenos. A gente vê o povo cobrando clamando.

GAZZETA DO SÃO FRANCISCO – Já foi definido o vice? Como está a discussão?

ADALBERTO – A gente está analisando. Tem bons nomes, era até pra surgir outros nomes, mas infelizmente estavam em outro partido. A gente sente dificuldade é o monopólio dos maiores, que tem mais condições de levar os partidos pra lá. O Governo do Estado mesmo não resta dúvida de que a maior parte dos partidos está lá. O prefeito municipal aqui tem o PMDB que o número de deputados federais é muito e o tempo (de guia eleitoral) hoje vai depender muito da quantidade de deputados. Mas estou confiante e tranquilo. Acredito em Deus e povo já conhece meu trabalho. Acho que a propaganda bonita todo mundo já conhece, já está cheio de mentira que o povo já conhece e o povo conhece quem é Adalberto quem é Julio, quem é Fernando, quem é Odacy e o povo vai decidir.

 GAZZETA – Em relação ao vice quando deve sair a definição?

ADALBERTO – A vontade minha é que seja anunciado na convenção e se não, a gente vai anunciar se Deus quiser brevemente.

GAZZETA – Quais os partidos que apoiam sua pré-candidatura?

ADALBERTO – Tem o PRB, o PTN e o PTB. 

GAZZETA – O senhor com conversou com os grupos do prefeito Julio Lossio e do senador Fernando Bezerra Coelho?

ADALBERTO – Não. A gente conversou, mas eles fizeram inclusive, o grupo de Fernando Bezerra fez a proposta de indicar o vice, mas eu não vou indicar o vice, primeiro…

GAZZETA – No caso, o senhor indicaria o vice da chapa do PSB caso apoiasse?

ADALBERTO – Sim. Não tenho nada contra Miguel, mas o povo quer Adalberto como pré-candidato e não volto atrás. Acredito em Deus e no povo.

GAZZETA – O senhor chegou a ser procurado por insatisfeitos com a escolha do pré-candidato do grupo do prefeito Lossio?

ADALBERTO – Não 

GAZZETA – Petrolina tem tradição de campanhas polarizadas. O Senhor acredita que vai conseguir mais simpatia de dissidentes ligados ao prefeito ou ao grupo do PSB?

ADALBERTO – Eu tenho uma pesquisa interna que 70% da população de Petrolina diz que o candidato ideal para Petrolina não seja ligado nem a Fernando Bezerra nem ligado a Julio, então estou confiante em Deus e novo povo. Na eleição passada Fernando Bezerra tinha 14 vereadores e eu não tinha nenhum vereador e fui o mais votado de Petrolina Estou confiante. Quando Deus quer e o povo quer, não há jeito.

GAZZETA – Qual o peso que o senhor imagina que o governo federal e o governo estadual irão ter na disputa deste ano?

ADALBERTO – Eu vou dar um exemplo. Na eleição passada, Gonzaga Patriota trouxe Lula, Dilma, Eduardo Campos trouxe tudo e perdeu feio pra Julio Lossio então quando Deus quer e o povo, não tem esse negócio de povo. Acredito, sabe em quê? Em Deus e no povo. O povo que vai decidir. Na eleição passada foi bem claro. Todos apoiaram Gonzaga e perderam feio.

GAZZETA – Gonzaga disse que não apoiara nenhum pré-candidato a prefeito. Foi melhor esse se posicionar dessa maneira?

ADALBERTO – Gonzaga Patriota é um deputado independente. Estamos num país democrático. Ele disse primeiro que iria apoiar Odacy. Depois voltou atrás porque o próprio o PT, vereadores, não queria ela na base, então ele voltou e deixou o povo à vontade. Democracia é assim. As pessoas votam em quem quiser. Agora, aquelas pessoas que querem votar em mim, de Gonzaga, eu aceito de coração.

 

GAZZETA- E sobre o apoio do deputado federal e vice-prefeito licenciado Guilherme Coelho à pré-candidatura de Miguel Coelho?

ADALBERTO – Eu lamento porque acho que essa briga de Coelho nunca aconteceu em Petrolina. Eu nunca acreditei nessa briga de Coelho. A realidade é essa. A vontade deles é de mandar. Na posse do superintendente estavam todos lá, Ciro Coelho dr. Augusto, dr. Geraldo, todos lá, Guilherme. Estão tentando de todo jeito trazer o poder pra eles, mas todo mundo sabe qual é o meu estilo. Sempre tenho batido: acredito em Deus e no povo. E o povo está enojado. Vou dar o exemplo no impeachment da presidente Dilma. Tu acha que os filhos daqui votaram lá e não foi por interesse? Eu sempre digo que os políticos da nossa região, do Nordeste, principalmente de Petrolina jamais poderiam votar contra Dilma. Dilma e Lula mudaram o Nordeste.

ADALBERTO – Como fazer pra disputar a eleição de Petrolina e acompanhar a disputa em Afrânio?

ADALBERTO – Minha esposa está sabendo melhor do que eu, administrar. Eu sempre digo que para ser bom prefeito só bastam duas coisas: não roubar e não deixar roubar. Trabalhar com transparência. Prefeitura não tem mistério, é botar uma equipe de secretários competentes, botar pessoas de vergonha, selecionar como se seleciona pra casar.

“O PSOL é um diferencial para Petrolina”, defende Perpétua

Pérpetua

Depois de anos tendo como candidato a prefeito Rosalvo Antônio, o PSOL pode escolher uma mulher para disputar as eleições municipais deste ano, em Petrolina. Aos 55 anos de idade, Maria Perpétua Rodrigues é a única mulher a se apresentar como pré-candidata a prefeita. Conhecida principalmente por sua atuação como sindicalista, foi coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Seguridade Social do Estado de Pernambuco (Sindsaúde) por dois mandatos, e foi membro de diversos conselhos municipais. Perpétua já concorreu a Câmara por duas vezes, mas sem êxito. Em 1996 pelo PSTU e em 2012 pelo PT.

Ha três anos no PSOL, a mãe de três filhos, nove netos e uma bisneta, acredita que pode dar uma contribuição importante para Petrolina. Seu nome deve ser oficializado como candidata durante a Convenção Municipal do PSOL, que acontecerá no dia 23 de julho, às 18h, na Casa Plínio Amorim. Em entrevista ao Gazzeta, ela destaca sua preocupação com setores como saúde e transporte.

GAZZETASua pré-candidatura está confirmada? Tem conversado com outros partidos para formar alianças?

MARIA PERPÉTUA RODRIGUES – Estamos aguardando a convenção do partido. A gente ainda não conversou porque em Petrolina, estamos sem partidos que temos ligação, como o PSTU. Tem o PCB, mas eles ainda não identificaram se vão estar conosco nessa caminhada.

GAZZETA – E como o partido está analisando possíveis nomes para vice?

PERPÉTUA – Ainda estamos aguardando essa discussão. Até a convenção teremos isso definido.

GAZZETA – Há possibilidade de conversar com dissidentes de outros partidos da cidade insatisfeitos com os nomes colocados como candidatos a prefeito?

PERPÉTUA – Não. Nosso projeto não condiz. Discutimos sempre a questão do ecossocialismo, do socialismo, em busca de uma sociedade mais justa. Em nenhum momento esses partidos têm essa linha, para a gente não é viável essa composição.

GAZZETA – A senhora é a primeira mulher pré-candidata a prefeita. Que diferencial apresenta em relação a outros pré-candidatos?

PERPÉTUA – Primeiro como mulher, mãe, avó e bisavó, é para um projeto de democratização dos serviços e em defesa das políticas públicas para as mulheres. Temos que 51% da população petrolinense é mulher, e acho que é uma forma da gente manter um projeto de governo, fazer um diferencial. A população vai ter a oportunidade de poder colocar um novo projeto, e atentar para esse novo projeto, porque os passaram, o que está e o que estão propondo, não condiz com a necessidade da população, como a questão do transporte, que é um problema muito sério em nossa Petrolina, a questão da saúde pública, da educação, o meio ambiente, o nosso rio São Francisco agredido pelos esgotos, em pleno século 21. O que está funcionado a gente vai manter e melhorar.

GAZZETA – O PSOL é um partido que não costuma fazer muitas concessões para fazer alianças, como pretende conquistar mais espaço e ganhar mais visibilidade?

PERPÉTUA – Nosso trabalho é com a contribuição com os próprios filiados. A gente vai trabalhar na medida e dentro dos limites que nós temos. Tentar chegar a população com nossos meios, mesmo limitados, através da mídia, das reuniões em bairros com a população. Nosso projeto não é de governo, é de Estado, para hoje, amanhã e depois.

Temos que construir um projeto a curto prazo e a longo prazo. Não podemos administrar uma cidade para hoje, tem que ser para hoje, amanhã e depois. Existe uma necessidade. Vamos trabalhar e acredito que o PSOL é um diferencial para Petrolina, acho que nosso partido, defende uma sociedade justa, sem corrupção. Não vamos estar fazendo aquelas velhas práticas eleitorais, de estar pagando o cidadão para estar trabalhando. A gente vai ter a contribuição do cidadão que de fato quer a mudança para Petrolina.

GAZZETA – A senhora considera que é menos conhecida do que os demais pré-candidatos que já se apresentam, e que têm mandatos políticos?

PERPÉTUA – Não sou tão desconhecida em relação a questão de cargo público, mas eu tenho uma história no movimento Petrolina. Já fui coordenadora do sindicato (Sindsaúde) em nível estadual, por dois mandatos de coordenação geral, dei uma contribuição na questão das conferências municipais de saúde. Sempre estive participando nas conferências de saúde e segurança alimentar, que é uma área também que requer uma visão e um olhar.

Já fui membro do Conselho Municipal de Saúde. Coordenadora do Conselho Gestor do Cerest. É onde tem o espaço democrático de participação popular, mas existe um limite porque as deliberações que são votadas nos conselhos, geralmente, o Executivo não respeita, no governo que está ai. Estamos com esse diferencial, porque a gente vai incentivar a democracia dentro do contexto da população. A gente não vai governar para o povo, a gente vai governar com o povo. É diferente. A gente vai governar de baixo para cima, discutindo com o povo.

GAZZETA – O que a senhora considera que é hoje o principal problema enfrentado em Petrolina?

PERPÉTUA – Um dos problemas, além da saúde que é uma questão muito séria. Por exemplo, a saúde tem a questão preventiva, a promoção e a curativa. Na promoção há uma dificuldade muito grande, que o governo municipal podia ter mais soluções rápidas. Você está doente hoje, por exemplo, procura um posto de saúde, faz a consulta, mas os exames vai fazer daqui a três meses, quatro meses. Ultrassonografia daqui a um ano. Se eu estou precisando hoje, daqui a seis meses, ou vou estar morta, curada, ou vou estar pior. Isso tem condições de ter uma resolutividade.

Petrolina tem hoje uma população de 331 mil habitantes em média, e não tem um laboratório público, foi fechado. Desde 2011 a gente travou uma luta com essa questão do laboratório, foi aprovado no Conselho Municipal de Saúde a reabertura desse laboratório e não foi respeitada. Então, são coisas que podem ser resolvidas. A partir de um momento que uma gestão pública, se sou administrador do dinheiro e não tenho competência para administrar e passo para terceiros, isso inviabiliza o serviço. Porque terceiro é privatização, e só se preocupa com a produtividade.

Quando veio a questão da privatização do serviço, sabemos muito bem que não melhorou a questão da saúde de Petrolina. A questão do Dom Malan é um problema sério, a questão do Traumas (HU) é um problema sério, que está nas mãos de terceirizados. Existe uma precarização do serviço para os profissionais de saúde. Existem profissionais de saúde do Estado, do município, que agora é Federal, mas que na realidade é de uma fundação, de um instituto. Vem a questão da precarização dos trabalhos, que passa por salários diferenciados, carga horária diferenciada, cria desconforto dentro da área dos trabalhadores.

Em relação ao transporte público, que é outro problema sério em nossa Petrolina. Inclusive, a qualidade dos transportes a espera do transporte. O transporte público também faz parte da saúde do nosso povo. Saúde é o saneamento básico, é a moradia, é a educação, a geração de emprego e a geração de renda. O transporte público também é uma questão de saúde pública, porque você já vai estressado para o trabalho, volta com estresse de espera, ônibus lotados, qualidade de ônibus que não tem. Então, esse problema que cabe ao município fiscalizar, inclusive está no plano diretor, garantir um transporte de qualidade, com acessibilidade para a população, fiscalizar as empresas. Esse também é um dos pontos. Esse é um setor urgente.

A luta pela certificação das comunidades quilombolas

Márcia-Guena-(Foto- Abreu_Agência Multiciência)

Com 73% da população identificada como negra, pretos e pardos segundo último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE), Juazeiro não tinha nenhuma área remanescente de quilombo certificada pelo estado brasileiro. Somente no mês de maio, a comunidade do Alagadiço recebeu a certidão da Fundação Cultural Palmares, conforme portaria 103 publicada no Diário Oficial da União. Situada a 18 km do centro de Juazeiro, a comunidade formada por 42 famílias desenvolveu, durante três anos, atividades de conscientização dos direitos sociais e de reconhecimento da identidade afro-brasileira até obter a certificação. Palestras, cursos de formação e exposições foram realizadas pelo grupo de pesquisa Perfil Fotoetnográfico das Populações Quilombolas da região do Submédio do São Francisco: Identidades em Movimento”, coordenado pela professora e Doutora em História, Márcia Guena, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, em Juazeiro. Segundo Márcia, o processo de certificação iniciou a partir do envolvimento da comunidade nas atividades para reafirmar a ancestralidade negra e africana. Com a certidão, as famílias podem solicitar a titularidade das terras em que estão localizadas e garantir a proteção dos territórios para as práticas culturais e religiosas. Em Juazeiro, outras 16 comunidades têm características similares às áreas remanescentes de quilombo. Na Bahia, 300 comunidades já receberam a certidão.

Para informações sobre a pesquisa, acesse o blog Quilombos e Sertões.

 Como foi realizada a pesquisa nas comunidades que podem ser certificadas como quilombolas?

Márcia Guena –  A pesquisa primeiro faz o levantamento da comunidade apontada como quilombola e apresenta a questão dos direitos que possui como área remanescente de quilombo. Se a comunidade tiver interesse em se autodefinir, auxiliamos no processo juntos com outras organizações como Associação dos Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR), Comissão Pastoral da Terra e Secretaria de Desenvolvimento e Igualdade Social de Juazeiro. A pesquisa é um processo lento, porque é necessário que a comunidade se reconheça como negra e quilombola. A pesquisa procurar despertar para o reconhecimento dos direitos das áreas quilombolas. Visitamos as famílias e fizemos trabalho de campo no Alagadiço há três anos, e só agora pode sair a certificação.

Quais as dificuldades na certificação?

Márcia Guena –  Existem hoje pelo menos 300 comunidades quilombolas no estado com certidão. Dessas, poucas conseguiram os títulos da terra, em função das disputas, seja devido a existência de famílias coronelistas que têm controle da terra, seja pela expansão do agronegócio. As comunidades certificadas recebem uma série de benefícios, mantidos por programas de auxílio à moradia, educação, cidadania, eletrificação rural, entre outros. Só que muita coisa que foi conquistada está sendo perdida pelo governo interino de Michel Temer. Por exemplo, a articulação pela titularidade da área quem fazia era o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), depois a titulação foi para o Ministério da Educação. O Ministro da Educação é comandado pelo Partido Democrata (DEM) que, junto com outros partidos, pediu o fim da certificação das terras quilombolas. Então, todo o processo de conquista está por um fio nesse governo interino. [No dia 27 de maio, o Decreto 8.780 transferiu a competência para regularizar as terras quilombolas para a Casa Civil].

Essas conquistas começaram quando? 

Márcia Guena –  Tem cerca de 15 anos a partir da criação da Fundação Cultural Palmares. Primeiro, é a certificação; depois, é o título da terra. Temos cerca de 2.660 comunidades quilombolas certificadas no Brasil. A certificação do território é a garantia de que elas não tenham o direito à terra usurpado e ninguém pode invadir aquele espaço porque tem o título da terra. Uma área certificada é uma área protegida, não pode ser invadida, pois qualquer intervenção é mediada pela polícia federal e não pode ser resolvida pela polícia local. A certificação representa um direito para essas populações negras que se mudaram há 200 anos. Elas estão ali, desde o pós-abolição, final do século XIX.

Como as comunidades começaram a se formar?

Márcia Guena –  Muitos africanos escravizados na pós-abolição permaneceram nas fazendas ainda com uma relação escravocrata com os seus donos, outros saíram. Mas onde eles iam morar? Se eles não tinham terra, trabalho, eles não tinham nada. Eles foram ficando em alguns lugares, onde eles sofriam muito preconceito, racismo. Então, eles buscaram áreas para morar, plantar e sobreviver.  Assim, foram se formando os quilombos. Hoje, o que se chama de quilombola são áreas de terra de “Preto Santo”, onde as pessoas vivem por solidariedade, laços familiares e conseguem sobreviver.

Por quê é necessária a certificação?

Márcia Guena –  Essa certificação de terra quilombola foi uma vantagem para as populações que vivem de forma tradicional há muitos anos e não têm o título da terra. Foi uma forma de reconhecer os direitos dessas populações que foram negados, como a titularidade da terra. O Estado brasileiro reconheceu direito à terra para a população estrangeira que migrou para o país, mas não deu para a população negra saída da escravidão.

Quais seriam as dificuldades encontradas para a certificação?

Márcia Guena –  Hoje, uma das dificuldades encontradas é a informação dos direitos da comunidade.  A certificação é um processo relativamente simples. A questão principal das comunidades quilombolas é ter acesso à informação. As comunidades de Juazeiro não conheciam os seus direitos, sabiam de forma muito incipiente, mas não tinham a dimensão política desse direito. O Ministério do Desenvolvimento Agrário tinha uma relação de 17 comunidades quilombolas juazeirenses, mas elas não se auto-afirmavam como quilombolas. São todas comunidades de origem negra, com memórias da cultura afrodescendente e que mantém manifestações culturais como O Samba de Véio, o samba de lata e os resquícios de religião afro-brasileira. São comunidades formado por negros, indígenas. Uma ou outra tinha tentado a certidão, mas quase nenhuma tinha procurado garantir o direito à certificação. Já em Senhor do Bonfim, existem 16 comunidades certificadas. Em Juazeiro, agora tem o Alagadiço. Mas foi um processo lento durantes esses três anos, com palestras, cursos de formação, oficinas de fotografia, reuniões em outras comunidades, exposições fotográficas. Todas essas ações foram feitas para a comunidade implementar seus projetos para as 42 famílias que vivem na comunidade

As comunidades recebem algum tipo de ajuda do governo brasileiro?

Márcia Guena –  Quando a comunidade é certificada, ela passa ter um série de incentivos, a exemplo do programa Brasil Quilombola. Agora, com essa nova administração do governo não sei como irá ficar. Existem programas para a pequena agricultura familiar, pequeno agricultor, para construção de casas, escolas, posto de saúde. A área quilombola é uma área protegida pelo estado, no sentido da subvenção com o auxílio dos ministérios. Com essa nova configuração política, isso tudo pode mudar e não se sabe como vai ficar.

Márcia-Guena-(Foto-Eduarda-Abreu_Agência Multiciência)O juazeirense se reconhece como quilombola?

Márcia Guena –  O juazeirese não é um quilombola, são as comunidades apontadas com quilombolas que temos pesquisado. Algumas se reconhecem outras não, mais isso é um processo de autorreconhecimento, muitas comunidades desconheciam a legislação. Então, é um problema do poder público apresentar o direito para essas comunidades, ao conhecer o direito elas passam a despertar interesse para essa discussão. A pesquisa na verdade só se aprofunda no processo de certificação, se a comunidade tiver interesse nisso.

Quais são as etapas para a certificação?

Márcia Guena –  Para a certificação formal, é preciso formalizar um documento e depende do envolvimento e consciência da população negra de origem quilombola. Algumas comunidades formadas por negros não são puras, são de origem indígenas e existem lutas internas que eles travam. Quando a comunidade quer ser reconhecida, percebo que é um processo de consciência de ter o seu espaço.  Um processo que demora anos. O grupo de pesquisa não procura as comunidades. Elas nos procuram para obter informação. Fazemos a apresentação, o panorama da legislação e palestras sobre essa conceituação. Elas devem ir em busca dos seus direitos, é um processo de amadurecimento.

Quais são os legados dessas comunidades quilombolas?

Márcia Guena –  O primeiro legado é a origem negra, o passado de origem africana; o segundo é a resistência de várias expressões culturais, como o Samba de Véio, samba de lata, as rodas de são Gonçalo.  O samba está presente nas festas católicas, nas cantorias, nas expressões miscigenadas de origem portuguesa e africana. A linguagem, a memória e a religiosidade afro brasileira também são legados, apesar do catolicismo e das religiões neopentecostais. São as grandes forças desse legado.

[T] Ilana Ingrid/Agência Multiciência

[F] Eduardo Abreu/Agência Multiciência

“Falar em golpe é uma plataforma equivocada”, afirma José Nivaldo

Carismático, enfático e dono de uma comunicação eloquente que chega a convencer quase todos que o escuta.  Essas são algumas das características do advogado, historiador, publicitário e membro da Academia Pernambucana de Letras, José Nivaldo Junior. Autor do best-seller “Maquiavel, o Poder” (Ed. Martin Claret), Zé Nivaldo, como muitos gostam de chamar, acumula a mais de 40 anos, a chancela de marqueteiro político.

Nessa entrevista, ele afirma que o perfil do político para as eleições municipais em outubro passa pelos critérios de austeridade, honestidade e confiabilidade. Depois de uma conversa bem afinada pelas redes sociais, Zé Nivaldo responde a alguns questionamentos sobre o momento político no Brasil, a estratégia de renascimento do PT, a formação do ministério do presidente interino, Michel Temer, e a participação de Pernambuco na composição.

Você diz que é “hora de parar de falar em golpe”. Houve um golpe contra a presidente Dilma Rousseff?

José Nivaldo – Não houve, nem está em curso no Brasil nada que sequer lembre um Golpe de Estado. Existe uma crise múltipla-política, econômica, ética e até mesmo institucional, que está sendo resolvida dentro dos marcos e ditames constitucionais. Falar em golpe é uma plataforma equivocada de propaganda e defesa, que nem ajuda a Presidente, só agora transformada em ré, nem a democracia.

Por que alguns especialistas dizem que as pedaladas de Dilma não são desvios tão absurdos que possam levar um presidente ao afastamento?

José Nivaldo – Eu não falo pelos outros. Porque eles dizem é com eles. Se as ditas pedaladas, que são descumprimentos da lei fiscal, constituem ou não crime e motivos para o afastamento de Dilma, será objeto do processo instalado agora no Senado. E de acordo com a Constituição, os senadores, por maioria qualificada, são os únicos que estão aptos a decidir sobre a matéria. E assim será feito, conforme a lei.

As mulheres não levantaram nenhuma bandeira feminista a favor da jurista Janaina Paschoal, autora do impeachment da presidente Dilma Rousseff. A que você atribui este fato?

José Nivaldo – Realmente, não sei. E não considero relevante misturar causas feministas com assuntos constitucionais. Como também não considero motivo de críticas ter um ministério formado por critérios de sexo, raça ou altura dos seus integrantes.

 

Michel Temer montou um ministério com a participação de alguns políticos que estão envolvidos na Operação Lava Jato. Não existia outro caminho?

José Nivaldo – Claro que existia outro caminho. Mas é preciso considerar a lei. Todo brasileiro é inocente até condenação transitada em julgado. Agora, em minha opinião, todo político acusado deveria se afastar de cargos públicos até o completo esclarecimento da acusação. Mas esta é uma opinião pessoal. Nada existe na lei a esse respeito. Logo, tudo está nos conformes até agora.

O presidente interino, Michel Temer, não falou até agora em Reforma Política. Vai conseguir governar e evitar corrupção de tráfico de influência, loteamento de cargos públicos e cobrança de propina dentro do governo?

José Nivaldo – A reforma política é absolutamente necessária. É a mãe de todas as reformas. Sou favorável a uma Constituinte exclusiva para tratar desse e de outros assuntos de interesse nacional. Mas convenhamos que Temer assumiu interinamente, com muitos desafios imediatos e não seria inteligente nem adequado tratar agora de reforma política. Ele tem 180 dias para provar que pode botar o país nos trilhos. Essa é a prioridade do momento.

Pernambuco sempre foi um estado predominantemente pró-PT. Hoje, depois de São Paulo é o Estado com mais ministros no governo interino de Michel Temer. O que isso quer dizer?

José Nivaldo – Pernambuco tem uma tradição de fornecer ao país grandes homens públicos, nesse caso, homens mesmo (rs). Temer escolheu políticos qualificados e representativos para formar o seu ministério de transição. O Estado de origem não foi critério para a escolha de ninguém.

E tem espaço ainda para o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)?

José Nivaldo – Jarbas é uma figura nacional, respeitada e reconhecida. É hoje a maior reserva moral do País. É o que antigamente se chamava “pai da pátria”. Pode ser convocado a qualquer momento para qualquer tarefa institucional.

Depois de todo o desgaste, e agora, o que será do PT?

José Nivaldo – O PT nacional vai purgar os erros cometidos por seus dirigentes. Mas em cada Estado, em cada localidade, existe um PT com seus próprios traços que nem sempre estão contaminados pelos equívocos do grupo que dominou a sigla. Se eu pudesse opinar nesse processo, a estratégia de renascimento começaria exatamente das bases, onde estão os militantes sem vínculos com os equívocos da cúpula.

Qual o cenário das eleições municipais em outubro desse ano?

José Nivaldo – Ainda é cedo para saber qual o recado que o eleitor dará nas urnas. O tecido econômico, social e político está muito sensível e muita coisa ainda vai ocorrer até outubro. De uma maneira geral, austeridade, honestidade e confiabilidade serão critérios importantes para pautar os perfis e os discursos dos candidatos que, em tese, terão mais chance de êxito. Muita água ainda vai correr, mas esses elementos deverão estar presentes no pleito.

O que se espera desse processo político que estamos passando?

José Nivaldo – Vou dizer uma frase óbvia, mas que tem sido muito esquecida neste momento: Tudo o que é feito dentro da lei é legal. O processo em curso é democrático e mantido nesse padrão vai fortalecer a democracia, queiram ou não queiram aqueles que acham que a lei só é boa quando favorece o seu grupo ou atende aos seus interesses.

[T] Teresa Leonel *Especial para o Gazzeta              [F] Arquivo Pessoal

Felipão não é mais técnico da Seleção Brasileira

FELIPAO-CONVOCACAO

Depois do fiasco diante dos holandeses no Mané Garrincha, na noite de sábado, Felipão, como prometeu, entregou o cargo de técnico da Seleção. A CBF oficializará a saída do treinador e de toda a comissão técnica nesta segunda-feira.

O anúncio ocorre após dois vexames consecutivos da Seleção na Copa. Na semifinal, levou 7 a 1 da Alemanha, no Mineirão. E na disputa de terceiro lugar, contra a Holanda, também foi goleada por 3 a 0.

Felipão voltou ao comando da Seleção em 2012, substituindo Mano Menezes. No ano seguinte, foi o técnico do tetra na Copa das Confederações, quando derrotou a Espanha por 3 a 0 no Maracanã. Em seu retrospecto desde que retornou ao cargo, Felipão acumulou 29 jogos, 19 vitórias, seis empates e quatro derrotas.

Se sair logo, a CBF pode recorrer a Alexandre Gallo, observador da Seleção e técnico da equipe sub-20. Gallo teria ainda a desculpa do projeto da Olimpíada de 2016, no Rio, competição em que o Brasil jamais venceu e jamais levantou o ouro.

Campanha do tetra da Alemanha teve goleadas e disputas na prorrogação

ArgxAlem

A Copa do Mundo está em boas mãos. A campanha da Alemanha no Mundial do Brasil prova que o time merecia o tetracampeonato. Em sete jogos disputados, o time teve seis vitórias e um empate. O time marcou 18 gols e sofreu quatro. O artilheiro do time foi o atacante Muller com cinco gols.

Na estreia, a Alemanha passou fácil pelo duelo contra o time de Cristiano Ronaldo, com uma vitória de 4 a 0. O destaque foi o atacante Thomas Müller que marcou três gols. O resultado marcou a maior derrota da seleção portuguesa na história das Copas.

Na segunda partida, a Alemanha enfrentou Gana e teve um dos jogos mais duros na Copa do Mundo. Após estar perdendo por 2 a 1, o time empatou no final com um gol de Miroslav Klose. Na partida, ao centroavante igualou Ronaldo como maior artilheiro das Copas.

A classificação para a segunda fase do Mundial veio com uma vitória por 1 a 0 contra os EUA. O gol foi marcado pelo atacante Thomas Müller no segundo tempo. O resultado afastou as suspeitas de um “acordo de cavalheiros” entre as seleções, já que o empate classificaria as duas diretamente.

Talvez, o jogo mais difícil para a Alemanha no Mundial tenha sido contra a Argélia. Após empatar por 0 a 0 contra o time africano no tempo normal, a Alemanha venceu por 2 a 1 na prorrogação. Depois de fazer 2 a 0, o time tomou um gol no final.

Nas quartas de final, a Alemanha ganhou por 1 a 0 da França em um jogo fraco tecnicamente. O gol da vitória foi marcado por Hummels no início do jogo.

Nas semifinais, a Alemanha massacrou o Brasil por 7 a 1 em seu melhor jogo na Copa do Mundo. O jogo marcou o fim do sonho do hexa dos anfitriões. No jogo, Klose ultrapassou Ronaldo e se tornou o maior artilheiro na história das Copas.

Na final, a Alemanha teve um jogo duro contra a Argentina. A vitória veio apenas aos 7 minutos do segundo tempo da prorrogação. Em um lindo cruzamento de Schurrle, Gotze marcou um golaço de voleio. Era o título dos alemães.

[T] Edgard Matsuki/Portal EBC

[F] Jefferson Bernardes/VIPCOMM

 

Premiados na Copa 2014

Campeã Mundial Alemanha

Vice-Campeã Argentina

Terceiro lugar Holanda

Bola de Ouro (melhor jogador) Messi, Argentina

Bola de Prata Thomas Müller, Alemanha

Bola de Bronze Arjen Robben, Holanda

Luva de Ouro (melhor goleiro) Manuel Neuer, Alemanha

Chuteira de Ouro (artilheiro de 2014) James Rodriguez, Colômbia

Chuteira de Prata Thomas Mueller, Alemanha

Chuteira de Bronze Neymar, Brasil.

Prêmio Fifa Far Play Colômbia