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    VANDALISMO – A prática já está se tornando comum em Petrolina. Não dificilmente é possível encontrar vários muros pichados. É preciso estar de olho para se tomar as devidas providências.

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    Opinião

    Será o fim do jornal de papel?

    Publicado em 16 de Julho de 2010

    O “Jornal do Brasil”, uma das mais antigas publicações brasileiras, acaba de anunciar que, depois de 119 anos de circulação – começou em 1891 -, terá apenas a edição digital, publicada através da internet. A comunicação, feita oficialmente pela empresa na edição do dia 14, pode representar um grande marco na imprensa mundial. Há anos especula-se que o jornal e a revista de papel podem acabar. O raciocínio inicial era de que o fim seria determinado pela escassez de papel, mas a situação hoje vivenciada apresenta a variável da disponibilidade de outra mídia, mais barata e igualmente eficiente.

    Os jornais de todo o mundo hoje possuem versões para a internet. Só não as têm aqueles que não quiseram, pois a tecnologia está disponível. O tradicional JB assume o risco da inversão, canalizando para o meio eletrônico a sua mais que centenária história. É um risco que, se der certo, poderá levar outras tradicionais casas de informação a fazerem o mesmo ou, pelo menos, aumentarem o seu potencial via web. Tempos atrás, um conceituado editor brasileiro, em entrevista televisiva, disse que pouco se importaria se um dia o papel acabasse, pois sua corporação não é produtora de papel, mas de conteúdo, que pode ser aplicado a qualquer veículo.

    Já existem simulacros do que serão, no futuro, os jornais ou revistas eletrônicos. Por enquanto são peças desajeitadas, mas já é possível levá-las ao banheiro, como se faz com o jornal e a revista de papel. O avanço tecnológico nos permite raciocinar que, num futuro breve, teremos à disposição o sucedâneo ideal do papel que, além de ter a mobilidade para cumprir a função do material tradicional, poderá ser recarregado com novos e diferentes conteúdos. Não vão gostar disso apenas o jornaleiro e o carteiro, que perderão parte de suas funções, mas é a evolução, mudando conceitos.

    Duas ou três décadas atrás, quando ainda não existiam satélites de comunicação, o mundo vivia em função da morosidade do tráfego das informações. Havia quem depositasse um cheque na cidade vizinha para manter o dinheiro (já gasto) na conta até que a operação se concretizasse. As notícias de um continente para o outro demoravam pelo menos o tempo de vôo entre o local onde aconteciam os fatos e o ponto de veiculação. No auge dos concursos de misses, a velha TV Tupi chegou a anunciar o dia inteiro que, num determinado horário, apresentaria o videotape do concurso de Miss Universo, onde uma brasileira concorria, mas, na hora anunciada, desculpou-se, dizendo que o vôo (que trazia as fitas) havia atrasado. Coisa impossível hoje, quando temos imagens em tempo real de praticamente todo o planeta e até o cidadão comum, mediante um simples acesso è internet, consegue colocar do outro lado do mundo uma foto (digital) captada minutos antes. É a aldeia global consolidada.

    Espera-se que a velocidade das informações não beneficie apenas a imprensa. As grandes redes, que já servem o fisco e dão eficiência à cobrança de impostos, também têm de servir para fazer os serviços públicos chegarem mais rápida e eficientemente ao cidadão e tornar sua vida mais fácil. A internet pode ser o grande lar dos jornais, das revistas, das televisões e a ferramenta de redenção da população. Vamos esperar que isso, efetivamente, ocorra…

    Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

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    A inveja corrói corações

    Publicado em 30 de Junho de 2010

    Todos os dias fazemos uma nova experiência no que se refere a relacionamentos nas mais diversas esferas da nossa vida. Infelizmente, em muitos desses momentos acabamos por experimentar situações de desconfiança, raiva, ingratidão e ciúme. É natural, somos seres humanos e essas emoções fazem parte da nossa natureza. Mas, de todas as emoções negativas, talvez a mais tóxica seja a inveja. Similar ao ciúme, esse mal pode se instalar em todas as relações, sejam elas familiares, comerciais ou sociais.

    Inveja é um sentimento traiçoeiro. Muitas pessoas acreditam que não são capazes de cobiçar até serem defrontadas por situações novas e incômodas, como por exemplo, o sucesso profissional alheio. Um fato que deveria ser comemorado por todos, passa a se tornar motivo de discórdia e tribulação para muitos que convivem naquele ambiente. O que as pessoas deveriam entender é que ninguém é melhor do que ninguém. Somos todos diferentes e complementares. Cada um tem seu espaço na sociedade. Não precisamos ter subordinados para nos sentirmos superiores.

    A manifestação da inveja muitas vezes pode se confundir com um outro sentimento que também provoca instabilidade dentro das relações: o ciúme. São sentimentos muito próximos, contudo, o ciúme acontece quando nos preocupamos em perder aquilo que temos, seja o amor de uma pessoa, um bem ou uma posição social. No caso da inveja, a pessoa cobiça o objeto de conquista do amigo, do irmão, do vizinho… E nem sempre essa avidez pode significar cobiça por um bem material. Às vezes, esse sentimento se manifesta quando o invejoso percebe a maneira como alguém se veste, as amizades que determinada pessoa possa ter, a qualidade do entrosamento entre um casal ou a harmonia dentro de uma família.

    O sentimento de inveja incomoda e corrói a autoestima da pessoa que o carrega. Quem tem inveja acredita que as coisas na vida do outro acontecem com maior facilidade. E por não conseguir alcançar seus objetivos ou ser reconhecido em uma área em que o colega foi bem sucedido, a pessoa invejosa se recusa a celebrar sinceramente a conquista do outro; não consegue partilhar verdadeiramente suas vitórias sem ocultar o seu desdém.

    O invejoso terá sempre alguma coisa para contradizer o colega bem-sucedido na intenção de desviar o foco da conversa ou ofuscar sua imagem com comentários que tentam tirar sua credibilidade. Como pecado capital, essa fraqueza se desdobra em outros sentimentos negativos e se multiplica em manifestações de ingratidão, raiva e destrato a alguém que nada lhe fez, nem lhe causou prejuízo algum.

    Na verdade, a inveja é o resultado da falta de empenho de alguém na realização de suas próprias metas e da sua pouca consciência sobre seu valor pessoal. Como todos os outros sentimentos daninhos, se não buscarmos a correção para esse mal, podemos colocar a perder relacionamentos valorosos. Todo mau sentimento germina onde a semente do amor não foi cultivada. Então, para erradicar sentimentos nocivos, devemos nos aplicar em amar concretamente as pessoas ao nosso redor. A vivência do amor no dia-a-dia é capaz de temperar nossos laços com virtudes como a paciência, o respeito, a temperança, a generosidade. Quem ama se faz um com aqueles que se rejubilam e solidário com os que sofrem.

    Dado Moura – webwriting do portal Canção Nova.

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    O décimo terceiro jogador

    Publicado em 29 de Junho de 2010

    O goleiro Barbosa, que tomou o fatídico gol do atacante Ghiggia, não foi o único culpado pela opinião pública e a imprensa pela derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950. O uniforme de nossa seleção também foi sumariamente julgado e condenado como um dos grandes responsáveis pela chamada “tragédia do Maracanã”. A sentença têxtil baseou-se no fato de a camisa branca, com golas azuis, “ser insuficientemente nacionalista”. À época, o jornal carioca Correio da Manhã decretou, em editorial, que o traje sofria de “falta de simbolismo moral e psicológico”.

    O bom senso e a razão reparam a injustiça histórica, pois Barbosa não perdeu aquela copa sozinho e o uniforme branco, embora jamais utilizado novamente pela Seleção, não teve qualquer influência no resultado. Nos 60 anos desde aquele triste episódio do esporte nacional, o futebol evoluiu muito em termos de preparação física, conceitos táticos e materiais. Goleiros e atletas, como qualquer ser humano, continuam suscetíveis a eventuais falhas, mas os uniformes nunca mais poderão ser culpados. Mais do que isso, deixam de ser um item passivo do jogo como em 1950, tornando-se um dos fatores ativos para a performance física.

    Sem dúvida, uma seleção que disputasse a Copa do Mundo de 2010 utilizando camisas e calções antigos levaria sensível desvantagem em relação aos times vestidos com peças dotadas das últimas tecnologias desenvolvidas pela indústria têxtil. Seus jogadores cansariam mais, ficariam mais desidratados e carregariam um peso extra em comparação aos oponentes. Os grandes avanços ocorridos nos tecidos possibilitam, por exemplo, que os uniformes atuais sejam muito mais leves, não concentrem suor e favoreçam a oxigenação da pele dos atletas.

    Toda essa tecnologia faz com que os treinamentos intensos, alimentação correta e o bom preparo físico e técnico não sejam os únicos responsáveis pelo sucesso no esporte. O traje tecnicamente adequado também faz parte do conjunto de equipes e atletas vencedores. É como se fosse o 13º jogador num time de futebol (o 12º, claro, continua sendo a torcida!). Os chamados tecidos tecnológicos resultam de pesquisas realizadas pela indústria têxtil, como ocorre no Brasil, onde o setor é um dos mais avançados do mundo.

    Os modernos materiais utilizados na produção de uniformes para equipes e esportistas de alta performance acabam beneficiando também os torcedores e os atletas amadores e de final de semana, pois os produtos esportivos colocados à disposição dos consumidores têm as mesmas características e peculiaridades. No Brasil, estima-se que somente a comercialização de camisetas das equipes tradicionais do futebol nacional cresça em média 30% e movimente mais de R$ 200 milhões por ano. Na Europa, há grandes clubes, como Barcelona, Real Madrid, Internacional de Milão, Arsenal, Chelsea e Manchester United, que movimentam, cada um, valores até maiores na venda de camisas.

    Obviamente, os investimentos em pesquisa e inovação, muito fortes na indústria têxtil paulista, visam à produção de tecidos cada vez melhores para todo tipo de confecção. Assim, os 190 milhões de torcedores da Seleção Brasileira nesta Copa do Mundo de 2010, vestidos ou não de amarelo, têm roupas muito mais aptas do que em 1950 para proporcionar conforto e bem-estar ante as reações orgânicas inerentes às fortes emoções do futebol…

    Rafael Cervone Netto – Presidente do Sinditêxtil-SP e presidente em exercício do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

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    O Vale dos heróis da resistência

    Publicado em 3 de Junho de 2010

    Sob a ótica do desenvolvimento econômico, o sub-médio São Francisco é uma região de contrastes. De um lado ostenta 120 mil hectares irrigados que produz 1 milhão de toneladas de frutas, com destaque para uva e manga, além de goiaba, coco verde, melão, melancia, acerola, maracujá, banana, cebola, dentre outras culturas.

    Desse montante, 23 mil hectares são dedicados ao cultivo da manga e 12 mil, à uva. Em dados aproximados, o Vale gera um faturamento de 1,3 bilhões de dólares, sendo, só exportação de uva e manga, 300 milhões de dólares, constituindo assim, o título de principal região exportadora destas frutas no Brasil. Em média, 50% dos custos da safra referem-se à mão de obra, representando um dos maiores absorvedores de trabalhadores por hectare do País.

    Numa projeção conservadora de dois trabalhadores por hectare, a agricultura do Vale gera emprego direto para mais de 240 mil pessoas. Contabilizando cinco pessoas por família, são 1,2 milhões de pessoas vivendo diretamente da fruticultura no sub-médio São Francisco. Do ponto de vista de tecnologia de produção, é um dos celeiros mundiais.

    Por outro lado, este oásis de prosperidade em pleno Sertão, vive à margem das ações governamentais, principalmente, das estruturadoras, da atenção do sistema financeiro nacional e mesmo passa despercebido pela maioria da classe política. Não há implementação do seguro safra, por exemplo, o que obriga o produtor a assumir sozinho riscos como as variações climáticas, que provocam chuvas fora de época e compromete diretamente a produção.

    Segundo dados do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – um planejamento de safra bem executado pode garantir ao produtor 80% de chances de evitar perdas pelo risco climático. Isto representa que, na melhor hipótese, sem o seguro safra, o produtor assume sozinho, em média, duas safras ruins a cada dez.

    Os custos são inflados pelos lobby´s multinacionais.

    Ainda prevalece, no Brasil, a absurda proibição de registro dos defensivos pelo seu princípio ativo, privilegiando as marcas. Ou seja, podemos oferecer a população brasileira os remédios genéricos para consumo humano e não podemos adquirir genéricos para aplicação nas plantas, como fazem os nossos concorrentes diretos mundo afora. Esta boa ação com a agricultura brasileira depende apenas da decisão do Governo Federal, que nos parece, neste caso, vergado pelo peso da pata de elefante dos laboratórios.

    Não há plano de safra para a fruticultura. Essa ausência, dentre outras distorções, causa um conflituoso descompasso entre a demanda por crédito sadio e a sua oferta.

    Entenda-se por crédito sadio as linhas próprias de financiamento da agricultura, como custeio agrícola, ACC – adiantamento de contrato de câmbio, ACE û adiantamento de contrato de exportação, recursos do FNE/BNB, etc.

    O crédito comercial substitui, com desvantagem, o crédito adequado e escasso. A situação do câmbio, que faz a festa das importações, é extremamente prejudicial aos exportadores. O Vale é exportador por definição. Conduz sua safra para atender a janela de exportação do segundo semestre onde, praticamente, entra sozinho na oferta de uva no mundo.

    O dólar médio de 2003, utilizado nos estudos das safras, foi de R$ 3,07. No ano passado, esse valor chegou a R$ 1,73, ou seja, o mesmo quilo da uva que o produtor recebia R$ 3,07 reais por dólar vendido em 2003 recebeu em 2009 R$ 1,73. O empresário que projetar esta conta no seu negócio verá o tamanho do desafio que o exportador brasileiro enfrenta.

    Diante desse cenário, o produtor vem navegando praticamente sozinho. O Vale existe hoje como realidade pujante e presente na vida do Nordeste e do Brasil, graças ao esforço e capacidade dos empresários da Região.

    Quem vive a riqueza e o dinamismo do Vale do São Francisco e vivencia esta realidade, não estranha o título deste artigo e deve concordar comigo.

    Os empresários do Vale do São Francisco que mantêm a Região viva e progressista, neste cenário, são no mais puro exemplo sertanejo, heróis da resistência.

    Márcio Borba – Economista e presidente da Sociedade Pernambucana de Planejamento Empresarial – SPPE

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    Burlando a lei

    Publicado em 24 de Abril de 2010

    Edição 1.774 – 21/04/2010

    Não sou palmatória do mundo e sei de minha pequenez para torná-lo mais justo. Nunca, entretanto, fui omisso e indiferente às suas mazelas, até porque, se observadas com visão crítica, elas podem contribuir e contribuem para o aperfeiçoamento das relações interpessoais na sociedade.

    Têm me chamado à atenção, quanto me provocado certa indignação, atitudes subliminares de órgãos, entidades e empresas publicas e privadas, despercebidas de muitos, inclusive da imprensa e dos fiscais da lei, que resultam em explicito e deliberado desrespeito à legislação vigente sobre a matéria.

    Refiro-me ao direito de preferência de idosos, gestantes, lactantes e deficientes físicos no atendimento de seus interesses, como pessoas e consumidores de bens e serviços.

    Que dizem os artigos 1º e 2º da Lei nº. 10.048, de 8 de novembro de 2.000.

    Vejamos, literalmente:

    Art. 1º As pessoas portadoras de deficiência, os idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes e as pessoas acompanhadas por crianças de colo terão atendimento prioritário, nos termos desta Lei.

    Art. 2º As repartições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos estão obrigadas a dispensar atendimento prioritário, por meio de serviços individualizados que assegurem tratamento diferenciado e atendimento imediato às pessoas a que se refere o art. 1º.

    Parágrafo único. É assegurada, em todas as instituições financeiras, a prioridade de atendimento às pessoas mencionadas no art.1º da lei.

    Que se conclui do que se lê?

    Preferência na fila ou fila preferencial?

    É usual, corriqueiro e comum – ninguém questiona! – verem-se, no atendimento das instituições referidas, placas informativas com os seguintes dizeres: ATENDIMENTO EXCLUSIVO PARA IDOSOS, GESTANTES E PESSOAS COM NECESSIDADES EPECIAIS, que falsamente parece atender ao espírito da lei, mas que, na prática, acaba prejudicando a quem deveria beneficiar.

    É isto o que a Lei determina? Penso que não, salvo melhor juízo.
    Destacam aquelas instituições um caixa para atendimento aos supostos privilegiados e as instituições financeiras têm destaque no parágrafo 2º da Lei retro citada.
    Enquanto isto, os demais, que não se acham contemplados pela legislação, que é especial, são atendidos numa bateria extensa de caixas ou de atendentes, à sua disposição.
    O que acontece? Os que a lei manda que tenham “atendimento prioritário” amargam longa espera, em pé e desconfortáveis, submetidos a um “atendimento exclusivo”, quando o atendimento não é para ser exclusivo, mas preferencial.

    Uma velada burla à lei!

    E, porque acontece assim?

    O cumpridor desta lei, a quem ela se destina, na prática, é o empresário, o dirigente de órgãos e instituições, por meio de seus atendentes, o caixa ou quem está na linha de frente.
    No entanto, protegem-se sob tal placa, que mandam colocar no recinto destinado ao público, como se ela os eximisse do cumprimento da lei.

    Compete ao atendente, ao perceber, no recinto destinado ao público, a presença de pessoas amparadas pela legislação especial, chamá-las a comparecerem, preferencialmente aos demais, a seu ponto de atendimento e atendê-las, incontinenti.
    Outro dia, fui a uma loja na cidade e escolhido o que desejava, dirigi-me ao setor de embalagens para presentes, onde havia longa fila. Chamei a atendente e lhe disse da minha condição de preferência. Pediu-me desculpas e, omitindo-se do seu dever, orientou-me a pedir aos demais a preferência de atendimento.

    Pior foi ver que os circunstantes não se manifestaram; o que significa que a lei é letra morta para as pessoas, independentemente de nível cultural ou econômico.
    O que falta? Educação da sociedade, divulgação e fiscalização dos órgãos competentes, tais como o Ministério Público e os organismos de defesa do consumidor.

    E, quando falo em fiscalização, tem-se que sancionar a falta de escrúpulo de algumas empresas que se utilizam de idosos, frágeis e necessitados, para serem “boys” de seus interesses, burlando a lei.

    No entanto, cabe aos contemplados na Lei exercer com coragem e altivez os seus direitos, exigindo-os, reclamando e, se for o caso, denunciando, sem medo.

    A tal placa de que se fala não deve ser dirigida aos idosos com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, às gestantes, às lactantes e às pessoas acompanhadas por crianças de colo. Não é para estes; é para os demais.

    E todos os atendentes seriam obrigados a chamá-los, preferencialmente, aos demais clientes para atendimento. A lei não autoriza a destinação de local exclusivo para atendimento.

    Preferência na Fila e não fila preferencial e exclusiva!

    É o que diz a Lei e como a interpreto, salvo melhor juízo.

    Está posto o debate!

    Bel. Erlânio de Alencar, Advogado e Conselheiro Estadual da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Pernambuco

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    Esperança

    Publicado em 24 de Abril de 2010

    Edição 1.774 – 24/04/2010

    Com um nó na garganta saio pelas ruas da cidade
    A olhar vitrines sem realmente as ver.
    Rostos estranhos em carros que passam e
    quase me atropelam.
    Passo em frente a um colégio,
    Vejo adolescente com expressões alegres,
    Olho para mim mesmo e me vejo no espelho do passado
    Os sonhos…
    A algazarra com os amigos…
    Os planos de ser feliz.

    Sigo.
    Encontro pessoas com expressões preocupadas, outras tristes
    Algumas alegres e outras ainda que não consigo decifrar.
    Sento-me no banco da praça
    À minha volta grama verde, feliz com a carícia da brisa
    Pássaros cantam nas árvores
    Tudo me fala de vida
    Olho para mim mesmo e me vejo no espelho do presente
    Rosto marcado,
    Envelhecido
    E de expressão dura.

    Continuo.
    Percorro as ruas da cidade em busca de uma saída
    Passo em frente a um museu…
    Um mercado…
    Um hospital…
    Uma igreja…
    Penso no Salvador,
    Olho para mim mesmo e me vejo no espelho do futuro
    E surge algo novo
    Uma expressão nova,
    Uma luz ao longe
    Uma luz…
    Uma esperança.

    Ana R. Costa, Agente administrativo

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    Perigo nas contas externas

    Publicado em 21 de Abril de 2010

    Edição 1.722 – 21/04/2010

    O Balanço de Pagamentos é o registro contábil de todas as transações que um país faz com o resto do mundo. Todo recurso que entra é registrado como positivo e todo o recurso que sai é registrado como negativo.
    De um lado são registradas as transações com mercadorias e serviços (balanço de transações corrente) e de outro as transações com investimentos diretos e aplicações no mercado financeiro (balanço de capitais).
    Quando o resultado em conta-corrente fica negativo (déficit), para fechar as contas é necessário que o resultado do balanço de capitais compense este déficit. O resultado do balanço de capitais depende dos investimentos diretos estrangeiros (investimento produtivos de longo prazo) e dos investimentos especulativos (investimento em bolsa e títulos da dívida pública, de curtíssimo prazo). Se o déficit em conta-corrente for coberto pelo superávit em investimentos estrangeiros diretos, tudo bem. Mas se a cobertura deste déficit depender dos investimentos especulativos estrangeiros, então é sinal que as contas externas do país estão mais vulneráveis.
    O capital especulativo, assim como entra, pode sair a qualquer momento. Além do mais, quando o país passa a depender do capital especulativo para fechar suas contas externas, o mercado começa a desconfiar e passa a exigir uma remuneração maior para suas aplicações no país.
    A partir de janeiro deste ano, o déficit do Brasil em conta-corrente acumulado em 12 meses passou a superar o superávit em investimento direto estrangeiro, ou seja, o País começou a depender do investimento especulativo estrangeiro para zerar o Balanço de Pagamentos.
    É verdade que temos um bom volume de reservas em moedas estrangeiras (cerca de US$ 243 bilhões) para fazer frente a uma saída dos investimentos especulativos estrangeiros do País. Mas seria importante que não houvesse necessidade de mexer nestas reservas.
    Também é verdade que, quando o Balanço de Pagamentos ficar negativo, o dólar vai se valorizar frente ao Real, facilitando as exportações e dificultando as importações, situação que levará a corrigir o déficit do mesmo balanço de pagamentos. Isto, porém, demanda tempo, uma vez que nenhuma empresa consegue exportar do dia para a noite.
    Em suma: o governo precisa tomar medidas para corrigir o excesso de déficit em conta-corrente.

    Alcides Domingues Leite Junior, Professor de Economia

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    Prometeu redivivo

    Publicado em 21 de Abril de 2010

    A estória de Prometeu não é nova, mas se mostra de extrema atualidade devido ao desenvolvimento tecnológico e aos impasses dos cientistas enquanto seres ainda imperfeitos e de elevação moral duvidosa. Digo isso devido ao forte refrão de que “a universidade é uma fogueira de egos”, frase comum de se ouvir e sentir nos corredores acadêmicos. Ou seja, é fácil de ensinar pela letra e pela aparência, mas é difícil de praticar no dia-a-dia a postura de humildade, empatia e cordialidade entre os reles mortais, principalmente com aqueles que não possuem título universitário e/ou aqueles que apresentam opiniões diferentes. A ciência assim, principalmente nas ciências sociais, acaba se tornando um “petit committee” entre amigos, cujos interesses pela verdade acabam se enublando por uma questão de quer apenas ver aquilo que se quer acreditar. Desta forma, questões como reencarnação e imortalidade do espírito não ocupam lugar de destaque (ou lugar algum?!), mesmo que grandes pensadores como Sócrates, Platão, Bacon, Descartes, Pascal, entre outros tenham adotado esta postura. Desta forma, parece que as correntes que prendem o titã Prometeu tem um uma razão de ser: fazer com que o mundo ganhe tempo para que os cientistas consigam refinar o seu aperfeiçoamento moral e a educação de suas paixões. Ou seja, um mundo melhor não apenas baseado na sabedoria, mas nas virtudes internas do altruísmo e do combate ao ego.
    Assim, enquanto o mundo deposita esperanças nos cientistas enquanto cidadãos exemplares, por dentro da academia um verdadeiro campo de batalha de vaidades, ciúmes, disputa por poderes, orgulho. Nada mais humano, nada mais lógico.
    Mas não seria responsabilidade dos cientistas de auxiliar e fazer parte na construção de um mundo melhor? Pode se construir um mundo melhor apenas com o conhecimento técnico sem as luzes do amor e do altruísmo? Não caberia aos cientistas e professores papel fundamental na exemplificação prática e na liderança das virtudes do amor e do desapego ao ego?
    Não sejamos parte da decadência de Prometeu, mas de sua libertação conscienciosa portando não apenas as luzes do conhecimento, mas o fogo sagrado do amor. Tenhamos consciência que a nossa responsabilidade aumenta conforme os nossos conhecimentos e de que sem o amor, as luzes da sabedoria são estéreis para realizar a germinação do bem estar e do bem querer entre os Homens. Não é pela disputa árida de poder que se muda à sociedade, mas pelo exemplo e prática de amor ao próximo. O amor é o poder que muda as pessoas para melhor. Vários tiranos passaram pelo mundo e não são nem lembrados. Apenas o pobre marceneiro que veio com a sua lição de amor e humildade resiste e amadurece seus frutos com o tempo. Portanto, não sejamos cientistas que educam apenas o lado da razão, mas que melhora também os sentimentos, preocupando-se com o bem estar do próximo e principalmente, com o crescimento interno de suas virtudes. Assim estaríamos seguindo a grande lição de um dos maiores filósofos de todos os tempos. Aquele que exemplificou: “Conhece-te a ti mesmo e ganharás os Reinos dos Céus”.

    Paulo Hayashi Jr.

    Doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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    Solidão temporária e reflexão do Homem

    Publicado em 16 de Abril de 2010

    Edição: 1769 – 16/04/2010

    “Talvez algum dia a solidão venha a ser adequadamente reconhecida e apreciada como mestra da personalidade. Há muito que os orientais o sabem. O indivíduo que teve experiências da solidão não se torna vítima fácil da sugestão das massas” – Albert Einstein

    Muitas pessoas veem a solidão como diametralmente oposta à sua felicidade e bem-estar. Todavia, esquecem que é na solidão que se consegue realizar as análises mais profundas, a reflexão intuitiva com qualidade e o prognóstico verdadeiro de suas decisões passadas e possíveis correções dos cursos de ação. Assim, não é por acaso que nos momentos mais difíceis da vida onde é requisitado decisões e ações de grande importância é que, instintivamente, se recorre a um cantinho de isolamento e solidão. A reflexão instrui e permite que a pessoa se torne senhora de seu destino. Entretanto, o contrário é válido também. A falta de tempo para parar, respirar e refletir faz com que a pessoa entre num círculo vicioso de más decisões e ações, tendendo a cair em graves conseqüências, tal qual barco sem bússola sendo levada ao sabor do vento. Por isso, não é a solidão contrária à felicidade, mas é a falta de reflexão, de um tempo apenas para si, afastando-se da superficialidade da massa e buscando entrar em contato com uma realidade mais profunda e íntima do ser que acaba boicotando a felicidade e a alegria da pessoa.

    Assim, aprendamos a destinar voluntariamente certo tempo para nós mesmos, pois é preciso que façamos a nossa parte como capitães do navio de nossas vidas. Se até mesmo Jesus fez isso nos momentos cruciais, seja no deserto, seja no monte das oliveiras, não sejamos nós que iremos desperdiçar valioso recurso de autoanalise e autoconhecimento. Pare e análise a vida, reflita e parta novamente para ação, pois como disse uma vez John Kennedy “a hora de consertar o telhado é quando o sol está brilhando” e assim como os professores são escravos de seus currículos, nós somos de nossas ações no mundo. Recompensas ou punições, tudo depende de nós.

    Paulo Hayashi Jr. Doutorando em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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    A ética profissional e… pessoal

    Publicado em 16 de Abril de 2010

    Edição: 1769 – 16/04/2010

    Já está em vigor – desde 13 de abril – o novo Código de Ética Médica, um trabalho que envolveu mais de 400 representantes da classe médica e da sociedade e revisa 118 normas e procedimentos que permaneciam inalterados há 22 anos. A maldita e perigosa letra feia, que parece ter se tornado status na classe, está proibida. Os profissionais não poderão mais fazer incursões fantasiosas e irresponsáveis na mídia e terão uma série de responsabilidades a mais em relação ao paciente. Também não poderão prometer interferência no sexo da criança em processos de reprodução assistida e terão protocolos mais rígidos a cumprir em relação a pacientes graves.

    Sem qualquer dúvida, é um esforço que se realiza para tornar a relação médico-paciente-sociedade mais produtiva e humana. E desse esforço deverão ser colhidos resultados positivos. Mas ainda nos parece pouco diante do fosso existente entre as partes e, principalmente, pela falta de consciência crônica reinante neste país.

    “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Esse é o texto do artigo 196 da Constituição Federal, em vigor desde 5 de outubro de 1988. Se comparado com a realidade de nosso país, é risível, uma verdadeira obra de ficção, pois a esmagadora maioria dos hospitais e postos de saúde funciona precariamente, não atende adequadamente seus pacientes e nem mantém uma boa relação com seu pessoal de trabalho, especialmente os médicos, todos eles reclamantes de baixos salários. E o cidadão, credor desse direito estabelecido constitucionalmente, onde fica? É obrigado a recorrer a planos particulares, onde pagam preços que apertam seus orçamentos mas, mesmo assim, também não têm a garantia de bom atendimento.

    Precisamos passar por uma ampla revisão de procedimentos. Os governos têm de desmontar suas estruturas arcaicas e encontrar uma forma de fazer os recursos chegarem aos pontos de atendimento da população, por mais distantes que sejam. Os usuários têm de ser treinados e convencidos de que precisam utilizar bem as estruturas preventivas dos centros de saúde e só procurar os serviços de urgência e os hospitais nos casos mais graves e de uma forma coordenada. E os médicos devem reformar seus conceitos, lembrando-se que têm o dever de atender bem aquele que o procura em busca de solução para seu problema de saúde. O paciente, por mais humilde e ignorante que seja, é a razão da existência de seu emprego e de seu salário de todo mês.

    Além de estabelecer as normas de procedimento específicas da profissão, o Código de Ética Médica e todos os demais códigos a que estão sujeitos médicos, enfermeiros, advogados, dentistas e todos os profissionais devem estabelecer critérios de humanidade, solidariedade e, principalmente, de honestidade para consigo próprio e para com o seu semelhante. Aí, sim, a ética estará cumprida e a sociedade, finalmente, caminhará para a frente…

    Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – Dirigente da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares

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