Uma criança de nove anos, residente em Juazeiro, foi admitida na oncologia do Hospital Dom Malan, em Petrolina, com diagnóstico de leucemia aguda. Tratada com quimioterapia, ela apresentou resposta considerada “excelente” com apenas quatro internações. Esse tipo de tratamento era realizado apenas nas capitais até fevereiro do ano passado, quando passou a funcionar a enfermaria de pediatria oncológica no hospital.
A enfermaria oncológica, que conta com leitos para crianças e para pacientes adultos, foi instalada a partir de uma parceria entre o Hospital, sob a gestão Imip Hospitalar, e a Associação de Amparo à Maternidade e à Infância (APAMI), que gere o Centro de Oncologia Dr. Muccini. De acordo com a parceria, o atendimento ambulatorial é feito na APAMI e a parte de internação no HDM.
“A estrutura disponibilizada foi a emergência e a enfermaria pediátrica. E, obviamente, necessitando de internamento de UTI os leitos de UTI pediátrico estão à disposição”, disse a médica oncologista pediátrica, Anna Caroline. Desde início da parceria, no HDM já foram realizados mais de 200 atendimentos.
Para a médica a possibilidade do tratamento em Petrolina é uma conquista bastante significativa para as crianças. “Significa uma maior adesão ao tratamento. Uma vez o tratamento aqui na cidade, a locomoção é menor, a despesa também e menor para a família e a criança frequenta melhor o serviço. Vem beneficiar não só pacientes de Petrolina e Juazeiro, mas também de municípios próximos”, destacou Anna Caroline.
Para o diretor do Centro de Oncologia Dr. Muccini, o médico oncologista Gray Portela, o trabalho em conjunto das duas instituições é o amadurecimento de um atendimento que é realizado há uma década. “Nossa próxima ambição é a instalação da radioterapia na região, que seria o ideal e com isso a gente conseguiria abranger todos os tratamentos oncológicos”, disse.
“Progressivamente, em Petrolina, nós estamos formando serviços oncológicos de fato. Praticamente já estamos vendo todas as fases do tratamento do câncer infantil na região. Nos últimos meses iniciamos o tratamento das leucemias agudas na região. Antes qualquer criança ou adolescente com essa doença teria que ser encaminhado pra Recife ou Salvador, agora estamos conseguindo na região e não é a situação ideal porque ainda precisamos da radioterapia”, destacou o diretor do Centro de Oncologia Gray Portela.
A criança citada no início da reportagem é a primeira paciente a ser tratada de leucemia após o início da parceria e segundo avaliação médica o tratamento consta de quimioterapia e tem duração média de um ano e meio.